
Pego nas minhas cinzas e atiro-as ao mar, a mais bonita imagem de sempre que uma pessoa amargurada pode encontrar, uma ligeira impressão de findar como uma lágrima beijada. As partículas que restam do meu ser seriam levadas aos confins de um mundo que nunca conheci por inteiro. Completa alegria, assim, teria. Não dormiria nem de noite, nem de dia só para ver os tesouros que encontraria...
Sou reclusa de mim, parece que só me perdi dele e da ventura, nunca do infortúnio que caiu sobre mim. Até as vagas no mar são feitas de sangue que acabou por morrer, de muitos monstros que assustam a mais forte das almas. Mas as ondas feias não me aceitam, dizem que eu as sujo, que até em cinza sou imperfeita. Sou obrigada a vaguear num mundo atroz sozinha, sem alma que a meu lado me declame poesia de gente feliz, sem mãos que me emendem e que me façam não querer mais abrir os livros na última página, em busca da palavra que desejo para mim: FIM.
Marquei encontro com as lágrimas nesta amarga madrugada, tentei evitá-as com este texto e não consegui. Em cada palavra, escondem-se lágrimas oferecidas por uma tristeza que me ama demasiado para me deixar conhecer e fugir livre com a felicidade.
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