Chuva Sobre Cinzas

E houve um dia em que tudo parou. Olharam a chuva como a redenção, como o renascer das suas vidas. Antes, tudo havia sido cinzas, morte... É tempo de viver. Sacode as cinzas, apaga o fogo que ainda arde nos teus olhos. Pega nas tuas armas e luta a meu lado. Sorri! Chove sobre as cinzas!... Sofia Neves, Mary Of Silence.

A minha fotografia
Nome:
Localização: Torres Novas, Portugal

Tudo o que não sou. Um pedaço de nada que procura (ser) algo. Uma flor branca enegrecida pelo tempo, um jardim de Inverno, uma rosa em Dezembro. Espelho quebrado, diz-me quem eu sou, que realidade é a minha. Pois não sei quem sou, nem onde estou. Apenas sei quem fui e o lugar soalheiro que deixei para trás...

domingo, novembro 18, 2007

Chorar por um amor não é o meu género. Sei que, de todos os bens, esse é o mais efémero. Se a palavra for "adeus", fico triste e só te peço que nunca afastes os teus passos dos meus.

domingo, novembro 11, 2007

Sobre Arder
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Não quero banhar-me nas minhas lágrimas, afogar-me em tristeza quando apenas busco a verdadeira beleza. Os desígnios do que é belo morreram em mim. A vida fez-me assim. Pergunto-me como consigo sorrir e nada sei. À vida encanto chamei, mas agora apenas conto desengano. Enfim, sobre a minha existência repousa uma lágrima, tanto que dela eu bebi, mas a esperança ainda não perdi. Porque quando perder estarei morta, pois recuso-me a ter uma realidade que em nada me conforta. Afogo-me em tristeza e tenho a coragem de dizer que do mar vou voltar. Tenho alguém, pacientemente, à espera do tempo em que o mal não mais me encerra. Ensina-me como os teus gatos resistiram às suas lágrimas, diz-lhes que as minhas ardem-me na face como
severas chamas.
Serei tudo aquilo que sonhei. Não responderei mais ao nome de ninguém, pois sei que sou Alguém muito mais alta que os demais. Mostra-me essa estrada por onde vais e leva-me contigo. Adivinho muito mais ledo o nosso destino.
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Pintura de Salvador Dali.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Levar-te pela mão para nunca te perder o meu coração. Choram os teus gatos com saudade, choro eu porque me falta a liberdade. Guia-me até ao tão luminoso dia, naquele momento em que apenas serei alegria. Um tempo sofrido não quer dizer que alguém tenha morrido. Não morri nem tão pouco do doce bem eu me esqueci. Morrer seria muito melhor sorte, mas, impelida pela vida, continuo a lutar para que toda a felicidade te possa mostrar. Choro como os teus gatos, mas garanto-te que esta música de viver não conhecerá mais desacatos.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Choro Amor
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O amor nunca me deu nada, sempre foi uma esmola que me fazia sentir menos condenada. Cruel atrocidade, sabia que nunca eu poderia ser amada. Chorava e nunca nenhuma dor ali acabava. Morria eu e estou certa de que mais nada morreu. Não, o amor nunca me deu nada, só eu sei o que perdi nessa estrada. Chorei amor e apenas recebi dor. Ousadia é o que chamo a querer-te, persistência de te amar e de todo o meu ser te entregar.
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Pintura de Salvador Dali.

terça-feira, maio 22, 2007

Desaparecida, é como eu quero ser tida. Estou triste e bem lá no fundo, mas não se surpreendam quando ascender ao topo do mundo. Que apenas é dos outros a alegria é um mero pensamento que eu tive noutro dia.

terça-feira, maio 15, 2007

Acabo Em Ti
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Tenho saudades de quem nunca vi . Meu amor, moras no meu peito e julgo que, antes do próprio Tempo, te conheci. Gentil lugar, ainda espero o dia em que o Sol irá brilhar. Tenho tantas flores só para te oferecer. És o meu doce e eterno jardim, aquele onde gostaria de adormecer. Voltei a ver nos meus sonhos tristes campos de malmequeres descarnados, tanto que é o receio de te perder que me sinto a morrer em dia de severos tornados. Eu sei que há muito pior dor, mas eu guardo este amor como um tesouro de quem ainda nada tem. Seremos príncipes sem desdém, pintaremos as feições da alegria e iremos saber que nada mais temos a temer. O meu mar não quer que de mim te percas, quer apenas que o teu valioso coração me continue a amar. Fui náufraga abandonada nas frias ondas da desilusão, nunca me deram a mão, tão convictos que estavam que este coração não valia nada. Meu terno amor, foste a única alma a dar-lhe o merecido valor.

Tenho saudades de quem nunca vi, amor, eu tenho saudades de ti. Esperam-nos soalheiros dias de muita alegria, e confia em mim: este é, de toda a tristeza, o fim.
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Foto de Pedro Mendes.

quarta-feira, maio 09, 2007

O azar chegou e decidiu comigo ficar. Fui amaldiçoada, passei a não ter direito a nada. As bruxas dormiam na minha cama e entretiam-se a apagar do meu destino a sua chama. Minhas bruxas, encontro-vos a cada esquina, mas asseguro-vos de que não atrapalharão mais a minha sina. Dormirão numa diferente cama e de condenada passarei a não ter fama. Era negócio a minha alma, mas posso dizer que estou disso salva. Não haverá morte, apenas uma leda sorte, fechando a porta da rua a todo o mal e abrindo uma janela por onde me alcançará mais do que o bem inicial

terça-feira, maio 08, 2007

Alegre Dança
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Sou um anjo desterrado do mundo celeste, um anjo em Terra que por este imperfeito lugar erra. Toda a gente quis que caísse, que o meu coração dormisse. Não sei porquê, se foi melhor para alguém desconheço no quê. Temida queda, a seguir levanto-me! E desta vez é para sempre, nunca mais terei de no chão deixar-me. Tanta felicidade, tanto prazer, mas garanto-vos que a vida é mesmo a doer, quanto mais o vosso valor brilhar mais disso se irão aperceber. Foi a vontade de morrer que me fez pegar nas armas e lutar para viver. Houve um dia em que a força era tão escassa quanto a alegria, mas aí eu vi o bem que esperava junto de mim. Nada é eterno, nem mesmo este Inferno. Agradeço ao músico que não tomou a perdida bailarina nos seus braços para a tentar impedir de cair. Não, o seu coração apenas queria dormir. Acredito que essa dor foi um fundamental passo para a salvação. Tanto mal por um maior bem, este gracioso destino não podia ser o de mais ninguém. Obrigada esperança, obrigada vida madrasta, este valor dos demais em muito contrasta.

Era mesmo num sonho luminoso que me erguia e respirava um ar voluptuoso. Agora é fantasia, mas será verdade, um dia. Não tardará, a triste bailarina dos meus pesadelos tornará. E ela dança em nome de uma doce mudança.

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quarta-feira, maio 02, 2007

Meu Deus, poderá mesmo ser?... Acabou toda a dor, mas o meu espírito permanece por o saber. Talvez seja cedo e íngremes estas linhas onde escrevo, mas sei o final da minha história e sei que o mal não deixará em mim nenhuma nódoa. Prosas do meu triste sofrimento, tendes findo o vosso momento.

domingo, abril 29, 2007

Bruxas da Minha Rua
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Para cada grande pessoa há, sempre bem escondidas, uma ou duas bruxas ditando que essas vidas estão perdidas. Penso que não morri apenas por teimosia, por mero capricho de quem nunca teve alegria. E acabavam-me assim, em amarga dor, com grande sofrimento para mim. Mas não será, sou pior do que tudo o que mal me possa querer, sempre fui a fada de mim mesma sem o saber. Descobri as bruxas: estão ali na minha árvore preferida, aquela a que chamei de Vida. Com elas, não poderiam os seus ramos crescer e a luz obter. Cortar o mal bem fundo, assim decidi para o que não estava bem no meu mundo. É uma espécie de visita ao escuro da qual eu já não tenho medo, já sei bem que na escuridão não existe nenhuma gentil mão. Existe quem condene, quem se julgue alto em espírito e com desmesurado desdém aos mais infelizes acene. Nunca eu poderia ser assim, esse vazio sempre esteve longe de mim. Plantem flores nas vossas almas e saibam quão belos são os jardins. Sei que esses campos são a eterna casa de ervas sem valor algum, mas as funestas coisas sempre cultivaram a mesma má semente para terem esses fins. Ninguém tem o que merece, idos estão os tempos em que essa era a minha prece. Agora, persegue-me um feroz lobo e, escondida no meu jardim, peço força na minha oração. Não sabem com que dificuldade eu corro…

Mas já disse às bruxas que, por teimosia, não morro. Tenho força para muito mais, aguentarei até esta dor e as feias bruxas decidirem ficar no cais.
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Pintura de Pedro Mendes.

domingo, abril 22, 2007

Alguém se esqueceu de voltar, perdido no cabo do mundo, permanece por se encontrar. Também não sabia quem era, olhava a minha vida num espelho quebrado e não achava amanhã, para ser sincera. Estou perdida, mas não me perdi. Sei por onde caminho, sei que estou a alguns passos daquele lugar lindo que nunca esqueci. Dele me despedi dizendo ”Até amanhã”. Nunca esperei, mas jamais desacreditei. Viver é complicado e esperando parece que nunca se chegará a nenhum lado, mas eu vejo o meu tesouro, esperando num tempo em que todas as lágrimas serão de ouro.

terça-feira, abril 17, 2007

Melro
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Sr. Melro, ensine-me a alegria até chegar o tão desejado dia. Queria uma canção bonita para lhe cantar, pois o seu coração está cansado de esperar. Sabes o que é amar quem não está no teu ninho? Tão triste que é e, por mim, ele anda sozinho. Os meus amigos nunca souberam o que é a solidão e eu e ele acabamos sempre abraçados a ela, sem qualquer razão. São reis dos seus dias e, do alto da sua felicidade, observam com desdém quem sofre e é, sem alegria muito pobre. Mas sei bem que a alegria não é riqueza, quanto muito é beleza. Não faz as almas maiores e, no fundo, mostra que essas sim são, de facto, muito pobres. Qualquer nota ouvida é um fantasma sem alma, uma mão que ninguém salva. O meu piano apenas chora ao ver que eles não são somente porque não querem ser. As minhas sinceras sinfonias não sabem o que mais fazer perante esta demora. Amo-o e ele que confie em mim: o sofrimento está no fim. Está longe do meu ninho, mas cedo ele deixará de estar sozinho.

Sr. Melro, ensine-me a canção e a alegria. Sei que me pode ensinar isso tudo, apenas não sei por que se veste de luto. Também eu me visto assim e não queria mais que alegria em mim. Invejo-o, Sr. Melro, mas sei que a alegria virá e a minha vida terna será.

Havia uma rapariga que poucas vezes viu o mar, mas que sonhava nele ser sereia e tua senhora para a vida inteira. Um amor profundo como aquele lugar. Não tinha mar, banhava-se no das suas próprias lágrimas. Assim ela te quer amar. Sonhava contigo no mar frio, submersa em tristeza e dor sem fim. Tenho-te muito longe de mim, mas para sempre quererei ser a sereia, esperando por ti na maré-cheia.

sexta-feira, abril 13, 2007

Dia de Tempestades
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Mandava-os a todos para o Inferno, se não estivesse lá a morar. Não, isto não pode ser pagar, pois nenhum mal fiz nesta vida que nunca quis. Não escolhi, mas há quem pense que esta realidade me fica muito bem a mim. O tempo que perco apenas é meu e ninguém se preocupa com o que não é seu… Mártir de predilecção e nunca ninguém lhe dá a mão. Vocifera dentro de mim uma agreste tempestade, dêem-me calma e um pouco de liberdade. Não quero morrer de tudo consciente, mais valeria estar completamente demente. Já dancei com a dama de negro tanta vez e nada temo, apenas receio os homens que me fazem crer na minha pequenez.

Nunca tão em baixo, sinto que estes ventos me torturam. Pergunto quando e parece que a resposta é nunca… Acredito nas palavras, embora saiba que muito pode ser o que elas turvam. Creio em tudo e nem sei porquê, talvez porque sou incapaz de conceber tamanha malvadez.

Acredito no jardim sem fim, no lugar soalheiro onde ele mora, mas esta dor é maior que tudo. Enche-me o coração de lágrimas e, na tempestade, ouço o clamor que chama pelo meu amor. A minha vida está ferida, mas enquanto a tiver jamais estará vencida.
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Foto de Pedro Mendes (Para sempre, os filhos da tempestade...).

domingo, abril 08, 2007

Havia um campo de pirilampos, de belos e antigos encantos. Não me pertencem agora, mas esta mão que se enche de nada promete tudo ter, dar vida ao mais completo ser. Neste campo, cada luz se acende por um desejo, aqueles por cuja concretização eu tanto anseio. Brilharei e, na minha solene dança, não cairei. Mil e um desejos acesos como beijos. Sorrirei e à luz dos pirilampos voltarei a saber dançar e cantar.

sexta-feira, abril 06, 2007

Ninho Por Encontrar
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Fui o castigo de mim e seria sempre eu a suportar esta cruz até ao fim. Nem mesmo aqueles loucos a quem esta realidade muito seduz…Não, essa gente nem sabe o que diz, para sempre será privilegiada e nunca sofrerá nada. Foi até hoje um castigo ser quem sou, mas a minha vida saberei curar e irei, talvez, calar essas más pessoas que não souberam senão falar. Disseram-me que será para sempre. Nunca mais esta dor, toda uma vida a meu favor. Custa crer, continuo sem ver a salvação do meu ser. O filho que nunca tive deve andar triste e perdido chora o meu coração, preciso dele comigo. Será mesmo este o caminho? Acredito, mas desespero. Já acabou o tempo da paciência, é com agrestes tormentos que espero.

O pássaro da manhã já se levantou, contente e rindo como sempre. Talvez seja a hora de me deitar, pois adivinho que nunca mais se irá ele calar. Passarinho, procura bem no teu ninho o meu filho lindo. Escondeste-o lá? A vida nem sempre é clara, mas sei a quem é que a minha sorri e perante quem ela pára.
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Pintura de Manuel Soza.

sábado, março 31, 2007

Não, meu amor, eu nunca quis estar infeliz. A dor parece que ainda dói mais, pois do meu coração tu nunca sais. Quero o que longe está, mas já te disse que o futuro não nos atraiçoará. Espera-nos um jardim eterno, não apenas porque ele é belo, antes porque verei o fim deste inferno. Eles nem sonham o quanto custa erguer um sorriso para quem permanece assim perdido. O encontro tarda, mas promete vir em auxílio de uma alma que pela fria fatalidade jamais se deixou ir. Não temo o dia de amanhã, pois possuo uma vida que brilhará e que nunca será vã.

sábado, março 24, 2007

Meu Gato, Não Ames
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Toda a noite o meu gato chorou e nunca ele se acalmou. Pelo amor dela, acendeu mil velas e julgo que, ainda assim, ele o irá ver morrer. O meu gato não se interessa por aqueles doces encantos, apenas gostava de acordar sem quedar num dolente pranto. “Será esta a magia de amar?”, pensa ele. Em toda a vida, aquele coração não soube senão dar, agora pensa nas velas e em as apagar. Já lhe disse que é tarde demais, que este sentimento é como um rio que se encaminha, sem retorno, para o cais. Coitadinho, o meu gato anda triste e sozinho. Pelos jardins, de mão dada com a solidão parte e ouve os pássaros que fazem de rir quase uma arte. Os outros gatos que o vêem nada sabem, mas no seu pensamento é sempre impossível uma viragem. Quem não lhe tem amor faz dele um altar à dor. Avisei-o de que o sofrimento traria a todos o esquecimento. As pessoas acham bela a perfeição, nem sequer interessa se nelas bate um bom coração.

O meu gato olha o amor como o perfume louco por que vale a pena morrer e tudo perder. De manhã, ele acorda e pergunta-me para que servem os doces sentimentos, e eu vejo a minha vida e respondo: “Meu gato, esses sentimentos servem para sofreres e de ti te esqueceres. Servem para outras meninas irem brincar com as borboletas do teu lugar. No fundo, não servem para nada, olha e vê como sou dos mais tristes seres do mundo. Não queiras o amor, ele apenas te trará temor.”Diante dos seus olhos, desfaz-se o encanto e o meu gato é somente pranto.
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Foto de Pedro Mendes (no que pensaria Marcelo?).

quinta-feira, março 22, 2007

Inebria-me com o teu amor,
Esse perfume da poesia.
Canto, esquecendo a dor.
Meu amor, penso em ti todo o dia.

Morta, Concedo-te Vida
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Ó Morta, vai dizer-lhes que estás viva, pois toda a gente está disso esquecida. Musa da poesia, minha companhia de todos os dias, és tão bela sem o ser, aquela parte de mim que não sei temer. Morta, o encanto morrer é o de voltar a nascer, sei da chuva e sei também que da minha vida vou ser mãe. Crio vida onde ela não existe e cedo deixarei de estar triste. Mas é sempre tarde para o coração, o meu amor nem imagina a minha aflição… Que sentirá quem tão longe está? Os meus beijos que, no fundo, apenas de quem ele quiser é que são, será a mim que os dará?... Vida maldita, quero-lhe tanto bem. Podia não ser nunca, mas receio que seja tarde para o fazer de mim refém.

Ó Morta, tanta vida que corre em ti, a tua esperança eu nunca perdi. Guardo esse tesouro, nele brilha o bem vindouro.
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Pintura de Salvador Dali.

domingo, março 18, 2007

Fazem de mim um monumento à dor e sou assim aclamada por quem nunca sofreu nada. Que eles não pensem que é bonito, este podia ser o fim de quem está aflito. Têm noção? Nunca mais me bateria o coração. Estive muito perto, julguei até que esse destino seria certo. Mas não, a vida deu-me a sua gentil mão. O sofrimento foi para mim apenas uma fria e severa escola, mas agora permitam-me não aceitar mais esmola. Dos fracos nunca se fez história nem alguma vez dessa fraqueza se viu glória.

sábado, março 17, 2007

Espero...
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Acordo a pensar que te perco, pois da solidão estou demasiado perto. Desespero, no meu peito vive por ti um amor sincero!... Meu amor, tão grande que é esse temor… Zanguei-me com o tempo, ele não me dá aquilo que lhe imploro a cada momento. O bem não acha em mim sorte, pensa que eu sou um final, uma forma de morte. Abandonada pelo bem, troça de mim o tempo também. Dá-me sempre mais um dia deserto de alegria. Meu Deus, até quando?... Não podem estes olhos encher-se de maior pranto.

Amor, leva-me pela mão naquele caminho que adivinho bem pertinho, aquele que com bonitas palavras nos liberta o coração. Diz-me muitos amores-perfeitos, algo que me torne a vida e o ser escorreitos. Planta em mim muitas doces felicidades e ruma comigo até ao dia em que te responderei LIBERDADE.
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Pintura de Salvador Dali.

Estou cansada de ver o Sol e de saber todas as palavras de outros que certa gente põe na sua boca. Pudesse destruir-lhes o feio anzol que tudo furta… Esta gente tem uma sabedoria diminuta, mais do que uma tristeza demasiado curta. Talvez um dia … Ma sei que a minha índole apenas consegue dar alegria.

quinta-feira, março 15, 2007

Os Meus Amigos
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Lindo jardim onde os pássaros levam as suas vidas apenas a rir de mim, as flores pintam-se num triste lamento e choram as suas pétalas a cada momento. Num cemitério onde tento erguer vida, todos me entoam cânticos de despedida. A ajuda é dada de boa vontade, mas apenas para cair, é verdade. Agradecer-lhes-ei tanto, naquele dia em que direi que pela minha vida sinto muito encanto. Muito mais longe já estive, mas agora grandes sinais tenho que a minha alegria me motive. As referências à morte chocam? Nada é pior que o sofrimento, pois assim nem é livre o pensamento. Na minha vida, não há cinzas que não tornem nem meninas que correr não podem. Tudo será lindo, até essa má gente, pois também eu estarei contente. Nunca pensei que mais que me morrer a vida, ela renascesse com poucas feridas. ´

É certo, ninguém se sentiu como me senti, ninguém se perdeu onde me perdi. Se algum dia acharem que estão perto, eu responderei que essa dor foi semelhante à de uma desilusão de amor. Acreditem em mim: eu ainda choro, mas recomeçarei a partir daqui.
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Imagem: pintura de Manuel Soza e artwork de Mary Of Silence.

sábado, março 10, 2007

Apenas tem alegrias quem é ruim e nunca essa sorte me calha a mim. Não sei como é a malvadeza, por isso, podiam conceder a esta vida mais beleza. Olho a gente da falsidade e vejo-a cantando e rindo, contentes com a sua liberdade. Têm livros cheios de palavras de outros, mas sinto-as tanto como minhas.... Parece até que não fazemos sentido sozinhas . Sem os outros não seriam nada, mas apenas eu sou assim condenada. Porquê, não sei . Julgo que tudo dei…

terça-feira, março 06, 2007

Amor Inocente
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Ama-me sem saber o que essa palavra quer dizer. Desenha um sincero arco-íris da minha à tua essência, quero sentir o teu coração como nos idos tempos da nossa inocência. Traz esses momentos até ao nosso dolente presente e ilumina-o de cor. Acredito no caminho que a felicidade trilhou e que, com muito amor, me deixou. Quem diz a uma existência que está condenada a ser infeliz? O maestro que em cada gesto obriga a dar um passo em falso… Julgo que esse senhor tem mil demónios no seu encalço, e estranho que apenas ele seja detentor de uma vida de eterno tamanho. Já não sei viver, estou demasiado costumada a sofrer. Apenas sei as tristes melodias que o maestro me ensinou, mas a minha alma nunca as cantou. Acreditei num bonito dia, com muitos laços a unir-nos à alegria. Em breve, estará diante de nós, mostrando que nada mais teremos de atroz.

Gostava de nada saber, ser um livro onde pudesses escrever. Ensina-me a amar, pois em tudo deixei de acreditar. Esse tímido sorriso liberta-me, volto a ver felicidade e esperança. Sorrio, fecho os olhos e sou de novo uma feliz criança.

domingo, março 04, 2007

Um dia, o velho mocho partiu pela noite dos seres tristes e, na cerrada escuridão, disse: “Cedo será dia e terás a tua alegria, mas tarde o sentirá o teu coração… Limpa as tuas lágrimas, a menina não te acha bonita a chorar. Vem com as borboletas brincar, elas sabem como o teu nome se diz, conhecem o caminho para seres feliz. Tantas morreram aos teus pés para as suas asas te poderem entregar… Agora podes sonhar; sorri, pois finalmente chegou o profetizado tempo em que a chuva cairá sobre ti e acabará da tristeza o seu longo momento.”
Sr. Mocho, não o esperava aqui.

sábado, março 03, 2007

Amiga...
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Ó Morte, eles não entendem. Eu não gostava de ti até saber que me odiavas. Agora, o meu amor por ti é confesso e ostento-o para todos verem. Coisa atenciosa, levas todos menos a mim, que toda a gente saiba que apenas o meu sofrer irei perder. Não preciso da Morte e ela não é louca: de mim também não precisa. Em vez do meu corpo, planta flores para a Primavera que pedi. Não nunca esqueci: não parto apenas porque julgam a minha alma à Morte encomendada. Essa gente está completamente enganada, perdem-se a julgar, jamais a profetizar. Bem vos digo, a Morte odeia-me e tão depressa o fim não me vai dar. Como poderia eu não a amar?!... É ela que me planta frondosos campos, cheios de flores que não ouvem mais prantos.

Morte, gosto de ti assim submissa, pois em me levares tens muita preguiça. Odeia-me tanto quanto te amo; sei bem que não posso ser eterna, mas pelo teu nome eu não chamo.

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Flores de Pedro Mendes ( a Primavera não escapa).

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Adormeço sem que pela minha vida sinta qualquer apreço. Eu sei, o Sol vai hoje a enterrar: a luz desapareceu e os pássaros não param de cantar. Sr. Rouxinol, se pudesse matava-o a si e a todos os seus amigos, já não os posso mais ouvir, pois a todo o tempo vos sei de mim a rir. Sim, condeno o Sol e os passarinhos a morrerem, mais do que a não existirem. Até foi mau presságio a alegria, pois sei bem o que choro neste amargo dia. Acreditem, só perdemos o que para nós existe. Então, melhor acabar com tudo neste mundo, assim não perdemos, bem lá no fundo. Sr. Rouxinol, pare de rir de mim e dê-me o tão desejado fim.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Morte, Minha Amiga
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A Morte que venha ter comigo, eu ensino-lhe umas verdades sobre a Vida. Nada mais me resta para perder, por que haveria de recear morrer? Deixa-me brincar contigo da mesma forma que tu me desenhas uma vida que dorme. Não tenho medo algum, pois já gritaste o meu nome muito mais alto e idos estão os tempos em que não tinha futuro nenhum. Vem brincar comigo, Morte, tu tens o mau nome e eu tenho esta triste sorte. Aposto a minha vida, tu não ma levas. A minha alma é detentora do corpo, algo que nem nas tuas mãos ficaria morto.

Não darei mais do meu ser, pois este dar foi sempre perder. Tudo ficará para mim, breve adivinho um fim e eu preciso de contar todos os meus trevos, coisa ruim. Os que se julgam eternos têm-te muito medo e pouco respeito. Não trago por ti qualquer despeito, somos aliadas nesta amarga vida que nos tem amaldiçoadas. Não, Morte, não vás ter com essa gente que treme só de ouvir o teu nome, mas no fim mostra-lhes qual é o comum lugar dos mortais, aquele mesmo dos que sofreram demais. Já não tenho medo, vem brincar até eu, por fim, me libertar.

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quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Meu amor, todos nós esperamos pacientemente um caminho para a foz. Quero libertar o rio, e neste leito que acolhe as minhas lágrimas, vejo cada vez mais perto a minha alegria e sorrio. Desenho flores nas suas margens e pinto-as de diversas cores. Todas elas sabem o teu nome e estão certas de que, longe de ti, não há pensamento algum que não me transtorne. Pudessem elas guiar-me, serem sábias estrelas e poderem para junto de ti levar-me. Vejo diamantes no brilho deste plangente rio. O meu coração sente um amor muito maior que um momento, muito mais quente que um fogo. Por ti sou eterna, por ti morro. Por ti, busco liberdade, pois acredita, amor, eu amo-te de verdade.

domingo, fevereiro 18, 2007

Ponte
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Esta noite contei desejos e preces, pois julguei, minha Vida, que tu me ias morrer. Fiquei acordada e, junto à solidão, acabei por sentir o dia nascer. Olhámos o meu relógio e vimo-lo vazio de horas. Nele, apenas uma melodia que chora esquecida de mim. Para quando o fim? Sei que ele me olha, mas onde não sei. Ah, aquela liberdade que nunca me proclamei… Toda a gente está feliz, mas a mim essa palavra ninguém diz. Tenho lágrimas e sangue em vez da doce felicidade. Não desisto da vida, não agora. De viver tenho eu muita vontade. Julgam-me louca, mas deviam saber que uma grande lágrima, para afogar toda esta dor, é muito pouco. Se não acabei até agora, poderia achar-me detentora de algum bem eterno, mas não desejo uma longa vida, pois também não quero mais Inferno. Sobre as flores da existência está um veneno, não existe beleza nem certeza de que a ventura nasce em nós. O rio morreu na foz, um sentimento atroz: assim é qualquer um que sinta. Um bom coroação que até no lugar do amor encontra apenas dor. Se ele soubesse o quanto desejo o seu calor…

Que se esvai ao longe no horizonte? Afirmo que não será a minha vida. A esperança é, em mim, sentida e penso que se ergue uma ponte.

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Pastel by Elise Savage.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Não sei nem quero saber das malditas almas que se riem de mim, pois a alegria promete não ter, dentro deste ser, um fim. Que belo!, toda eu um sorriso, a amar o que quiser, contemplando a última trégua de um amável destino. Beija-me, Vida, agora ou nunca, quero sentir por ti uma paixão profunda!... As alminhas, divertidas, riem perante o meu futuro, mas nem vêem que ele também me sorri e que nele perduro. Tanto mal que me desejam, mas quero que todos eles vejam que não permanecerei amaldiçoada. A vida tem muita ironia e aqueles que agora riem nem sabem que são gente condenada.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Pierrot, Para Que Serve O Amor?
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Pierrot, as estrelas cadentes voltam ao céu. Espera por mim para juntos descobrirmos do lado negro da tua Lua o seu poderoso véu. Não encontro amor mais triste, esta dor insiste em ter longe quem está perto do coração. Abraça-me sempre esta solidão, beija-me com aqueles frios lábios, acaricia-me com as mãos que apenas para fazer sofrer são sábias. Pierrot, o amor não vale de nada, não respiramos com ele, não temos o nosso alívio nele. Mas eu amo-te e sinto-te no meu peito maior do que o mundo. No mar das minhas lágrimas acredita que, com o peso do meu amor, estou bem lá no fundo. É a isto que chamam beleza? Não pode ser, tenho a certeza. Se isto é lindo, então, preferia ter o meu corpo bailando no revoltoso cabo do mar até ele estar findo. Este sentimento é bonito somente para quem, do resto, tudo tem. Fala-me da tua doce Lua, despe-a até a sua luz conhecer dia e ficar nua. Assim quero que ela me toque, que me sinta e que saiba amar-me de uma forma jamais sucinta.

As estrelas cadentes não morrem: voltam ao firmamento. Pierrot, espera por este coração que te ama sempre, a cada momento.
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Desenho de Schömberg.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Ó Vida, pára de me bater, pois eu estou ferida. Sei que isto é do teu sofrimento vingança porque quanto ao seu fim tenho certezas mais do que esperança. Ninguém sabe, apenas eu sei…. O que eu sofro pelos beijos que nunca lhe dei… Este amor sim, traz dor no seu coração. Nunca eu lhe pude segurar a mão, beijá-lo com prazer e ensinar-lhe todo o meu saber. O futuro é o lugar, este sofrer, finalmente, promete não mais permanecer. Julguei que nunca poderia voltar a sonhar, a menos que fosse com o dia de ontem, mas vejo em mim um brilhante amanhã, dias que quero que muito contem. Apenas te irei querer amar. Os nossos lábios juntos e sim, um beijo eterno te irei dar.
A todos os que têm medo de, um dia, vir a sofrer: saibam apenas que a vida não é nem nunca será somente um prazer. Eu prossigo com a minha viagem, pois sei que por esta dor estou apenas de passagem.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Lá Maior
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Sabia, sem saber, que este caminho não era eterno. Caí muita vez neste lugar que tomo como Inferno, mas para sempre digo adeus a este sofrimento. Saberei qual o significado da palavra curar, pois nunca eu deixarei de acreditar. Faltam poucos passos, e será o mar de lágrimas que eu chorei a apagar o rasto do caminho que trilhei. Quero dar-te aqueles abraços e, no fim, nunca te perder de mim. Quero viver!, pois afinal sei da força do meu ser. Por que me procuram na casa dos que já morreram se, alegremente, estou com aqueles que, um dia, renasceram?... A vida vai sempre em constante mudança e, nisso, tenho muita esperança.

Não preciso mais do Sol nem do Dó. Acabarão os hinos em Lá menor, pois o que conto é muito maior. Ainda não consegui perceber o que aquelas pessoas tentam ser. Querem o valor supremo e quedam no nada, mas, ainda assim, são gente aclamada. Espero que lembrem a minha história e saibam que é com força e coragem que se alcança a glória. Esse dolente caminho era meu até que alguém a sua mão me estendeu. Acreditem que não é preciso muito neste mundo: apenas alguém que nos queira bem a fundo.

Eu acredito que irei vencer e restará na minha lembrança somente a imagem daquela que desejou não mais ser.
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Foto de Pedro Mendes (creio neste trilho).

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

A Morte lá vai, contente e vagarosa. Diz-me, eu sou forte, que existência verá o seu fim? O meu sofrimento, aquele que me abraça a mim?.... Durante tanto tempo pensei que me viesses buscar, mas afinal também procuras a dor das coisas boas para a acabar. Devem-te mais respeito, pois da vida apenas têm o proveito. No entanto, estão ali a brincar com o teu nome, Morte, uns pobres doidos que nem sabem que, no final, tu lhes calhas em sorte.
Eu acredito na mudança, coisa maldita, pois nunca te disseram que a seguir à tempestade vem a bonança?...

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Prenúncio de Liberdade
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Entendem? Não. Alguém foi passear com a minha alegria e esqueceu-se de, com ela, voltar. O meu sorriso está em todas as faces menos na minha e sei que não o encontro sozinha: a todos clamo ajuda, mas ainda este sofrimento perdura. Quero um duelo com esse senhor sem face, pois nunca houve hora em que ele me abandonasse. Acredito, e quando digo que irei vencer, não sou ingénua e louca, como se fosse tomada pela fúria de perder. Este lugar é a masmorra que, em breve, me irá libertar e julgo que tanta convicção jamais seria fruto de uma imaginação. Caminho, muitas vezes, sem chão algum, suspensa na dor vejo que não tenho destino nenhum. A menos que o construa… Não, senhor sem face, esta vida não será tua!...

O mundo é de quem o faz e, a mim, muito me apraz ser dona de um mundo que, apesar de toda a dor, jamais enlouqueceu: o meu.

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Foto de Pedro Mendes (o chão será a liberdade).

Quero renascer da certeza que te amo, pois apenas por ti eu chamo. Tão grande que é a vontade de contigo viver todas as alegrias que, a todo o tempo, receio perder a eternidade em que sorririas. Pudesses tu salvar-me nem que fosse apenas por uma noite de sonho e saberias quanto o meu rosto se mostraria risonho. Acredita: acontecerá u m dia, perder-nos-emos nos confins da alegria.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Para Sempre Nunca Mais
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Parece que o Tempo se ri de mim, naquela sua cantiga. Mas não será ele a ditar um triste fim a esta vida. Ele devia saber que sempre e nunca não se deviam dizer. Porque o que se acha eterno pode acabar amanhã e o que se julga efémero pode nem conhecer uma palavra vã. Eu não conheço tempo nem momento para gritar ao mundo que as verdades não o são e que o mal repousa bem longe do meu coração. Triste caminho que me acolheu, mas eu sempre soube que este não era o meu. No meu há beleza, há liberdade, e não amarras e maldade. Já conheci demasiadas lágrimas, conheço do meu sangue a cor e as mágoas. Confesso que já não lhe tive qualquer amor; desesperei mas continuei. Não vejo arco-íris, mas espero um tesouro no fim. O próprio sofrimento me diz que não tarda a hora de ser feliz.

Há um para sempre que quero perder e um nunca mais que não irei viver. Desespero, mas tento dar calma à minha alma e, pacientemente, espero.

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Desenho de Salvador Dali.

sábado, janeiro 27, 2007

Como no meu sonho, encontra-me no florido jardim. Porque para essa fantasia não tenho a realidade longe de mim. O futuro apenas reserva alegria... Saberei qual o cheiro, qual o sabor da felicidade, pois podes crer: este é o fim do infortúnio, de toda a contrariedade.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Àqueles Que Amo
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Encomendei sete sóis e nove luas, pois não quero que esta escuridão e tristeza se sintam da luz nuas. Parasse eu de cair e todo o esplendor iria sentir. Mas, por enquanto, moro no Inferno com toda a dor que me nega da vida o amor. Silêncio! Não digo nada, sofro e choro perto da demência. Aqueles que estão comigo saberão o quanto os amo, o quanto eu os aclamo?... Saberão eles também que vou deixar de cair, em breve? O pior deste fim acabar-nos não deve. Sei, melhor do que ninguém, quanto ao ser custa, mas que culpa teremos de todo o mal que padecemos?... Vejo tanta gente com um imerecido sorriso, mas de mal nada lhes digo. Prefiro nada dizer, nem sequer querer saber.

Mas eu encomendei sete sóis e nove luas, pois eu acredito que, Tempo, estas horas deixarão de ser tuas.

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Pintura de Van Gogh.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Adeus, Diabo.
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Sei das cunhas que vos deu o Diabo, uma bela vida em troca da mentira e da maldade. Continuo abraçada à verdade, mas por estes sofridos trilhos não acabo. Vejo que a luz existe e irei alcançá-la, pois o mal não mais me acompanhará e o Diabo nunca mais o meu nome dirá. A criatura vai ficar de lábios selados e sei: a minha vida curarei.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Desejo a Liberdade
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É noite cerrada e o rouxinol, sozinho, chora. Quão injusta pode ser uma vida? Vem, eu mostro-te, pois também eu ando perdida. Desconheço deste labirinto a saída, mas sei que as nossas lágrimas não podem guiar os nossos passos até ao ambicionado lugar. Não busco o Paraíso, apenas algo que nos meus lábios desenhe um sorriso. Sei bem, rouxinol, custa tanto estar neste mar de mágoa à deriva, buscar no escuro a luz quando se é cego. Decidi: ao destino me entrego, vou onde ele me levar, pois acredito que não existe pior lugar. Vamos, apenas temos uma imperfeita vida a perder e ela, assim apenas nos faz doer. Não importa, não importa. Pois apenas temos uma existência que segue uma sina torta. Por vezes, o desespero é tanto que desejo morrer. Mas não eu quero viver! Apenas ambiciono deixar de, em vida, desfalecer.

Rouxinol, eras a beleza da eternidade, mas até ao que é belo morre a liberdade. Estamos perdidos, sim, mas o nosso livro não termina assim. Mais umas quantas páginas, mais umas tristes lágrimas e teremos, para o nosso sofrimento, o FIM.

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Pintura de Manuel Soza.

Sonhei que tragava o teu sabor, perdida no teu calor. Era a madrugada até uma diferente manhã. Beijavas as minhas mãos que tornavam mundos do nada. Fantasia, dá lume a esta alegria. E, amor, se isto é ilusão, por favor, acorda o meu coração...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

O Meu Mundo na Tua Mão
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Nada mais me conforta que contigo sonhar. Sei que é fantasia, mas que me importa? Dá-me a mão, liberta-me da minha imaginação. Procura comigo a alegria, leva-me até um novo dia. Quero ir buscar o sol que se pôs, resgatar o rio que se perdeu no mar, pois eu apenas te quero amar. Nascerão asas às minhas tristes borboletas, eu acredito, e contigo voarão até ao mais belo infinito. Não partas sem elas, pois as minhas borboletas não vêem luz senão aquela que vinda de ti as seduz. Dá-lhes a mão, abençoa o seu coração. Não sou musa para a poesia, mas tu cantas os meus sentimentos como nunca ninguém faria. Serei uma livre dama vivendo, assim, dançando nessas palavras, enfim. Estende-me o teu braço e vem comigo, com a outra mão abre-me um caminho para uma diferente sina, um caminho que não destina a com o sofrimento morrer. Diz que queres ser feliz. A felicidade? Creio que fica a dois passos da adversidade, mas eu nunca vi. Possa eu dar dois passos e jamais a dor será amarra para este amor.

Dá-me a mão, amor, estende-me um caminho sem a costumada dor, até chegar bem lá ao fundo do teu coração. É lá que eu te quero tocar, pois a alma é a única coisa que sei amar.

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Imagem de Salvador Dali.

sábado, janeiro 13, 2007

De cada vez que penso nos meus beijos nos lábios de outra… Tanto que o tempo custa a passar e sei que apenas o esquecimento teima em não tardar. Lembra-te de mim amor, lembra-te de mim!... Sou quem te quer bem, quem chama o teu doce nome, aqui longe, enquanto a tua alma dorme. Dá-me um eterno sonho, tira-me este olhar tristonho. Acredito que não mais irei quedar por amar, o tempo promete-me alegria como eu jamais esperaria. Lembra-te de mim e esquece a falta de lembrança, por fim. Lindo amor, penso que já não me acho sem ti...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Menina
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Tenho saudades da menina que disse que eu era bonita. Naquela correria, ela embalou o meu sonho, melhor que alguém jamais faria. Que será dela?... Ela nem imagina que toda a beleza nada pode contra o infortúnio e a tristeza. Chora agora? Ah, se eu a pudesse salvar do futuro, sem mais demora… A vida desiludiu-me, cobriu-me a face de dolorosas lágrimas. Não quero o mesmo para essa menina, não quero uma existência que destina a não ser, que a alma faz doer.

Menina, apanha os sonhos que caíram no chão e põe-los de novo dentro do meu coração. Vou voar como o teu atento olhar, ser pássaro com asas a sonhar. Nascerão floridas Primaveras em mim, pois sim, eu acredito que este é o fim. Quero colher uma flor que proteja essa menina, bem grande como um chapéu que de tudo abriga. Gostava tanto de encontrar esse sorriso e contar-te a minha história, como com a minha fé eu voltei a encontrar a glória. Quero que saibas, menina, tu és a minha mais doce memória!...

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Foto de Pedro Mendes (nao choraremos mais assim).

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Quero ouvir chuva!... Afogo-me neste Inverno de lágrimas, sufoco num Inferno que me castiga em chamas. Porquê?... Se eu fosse como são, nunca eu me perderia em tristeza infundada, nunca eu traria a minha alegria ignorada. Abriria ao mundo o meu coração e sorriria segurando na minha a tua mão. Diz-me, eles são pessoas em quê?... Olham e nem sequer sabem ver, que realidade amara! Ah, pudesse a alma ser a nossa cara!...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Primeiro Texto de Esperança
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O negro dos meus dias desvanece-se em esperança. Nunca pensei que a luz existisse, nunca pensei que a dama de branco se vestisse. Acredito, não sei, acredito. Abro os braços ao infinito e adormeço, pois sei que um dia acordarei bem, acarinhada pelo doce olhar de alguém...

Desta vez não cairei. No alto da dolente montanha, a minha liberdade proclamarei.
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Foto de Pedro Mendes.

sábado, dezembro 23, 2006

Dama de Negro
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Pinto as rosas com o vermelho do meu coração. Oh dama de negro, tanto sangue que ele chora! Dá-lhe a mão que ele implora!... Terno viver, parece que nunca mais acabarei de morrer, a dama de negro passeia-me nos abismos da morte e nada há que a minha alma de cisne conforte. Todos os beijos é ela que mos dá; não, eu não quero tornar lá. Isso não é amor, apenas é dor… A dama de negro é imortal e nunca mais ela me lança ao abismo sem que ouça dos meus dias qualquer eufemismo. Sim, prefiro morrer; pois de que me serve uma existência inacabada, sempre com sofrimento chorada?... Oh dama de negro, que bonito eufemismo para uma morte depois de tanta dor! Não sei como ainda me resta coração, depois de ver que os ventos da bonança jamais me encontrarão. Talvez… era bom que agora o fim fosse de vez. A minha alma de cisne não mais aguenta,, estou cansada de dançar com a dama e este espírito este peso não sustenta.

Pinto as rosas de vermelho por não conhecer outra cor. Assim, não me é bom o amor, anjos sem asas não podem voar e amar!... Dama de negro, estou farta de ver os meus dias repletos de carmim. Larga-me de vez ou dá-me o fim.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Acabarei esta noite em violentas lágrimas... Chama que me apaga, o meu coração bate e já nem sabe porquê, chora e desconhece o quê. Olho os teus lábios e, meu Deus!, como eles ficariam bem a pousar nos meus... Mas a todo o momento passo pela minha alegria e, tristemente, lhe digo adeus.

sábado, dezembro 16, 2006

Tela em Chamas
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Céu em chamas prostrado diante de mim, por que dizes que este é o fim?... Nunca esta chuva me queimou tanto, nunca os meus olhos se encheram de tão desesperado pranto... O homem do leme decerto que irá partir, todos me abandonaram buscando a salvação e ele é o único que falta ir. Ah meu coração, pelo menos que ele te desse a mão e não nos deixasse sós... mas em nós todo o mar é de lágrimas, todo o céu chora com desmedido ardor e todo o corpo existe para que o espírito sinta dor.

Tão conhecida tela, tão conhecido pintor, começou mais uma triste madrugada e eis--me aqui a declamar o meu amor. Ah meu coração, tão bom que era se esse teu sentimento não fosse em vão... Mas o teu céu é de chamas e apagas as que te queimam com as tuas próprias lágrimas. É tão triste estar desta forma perdida, caminhar sem saber se é amanhã que se apagará a minha ferida. Estranha aproximação do Inferno, não sei por que aqui continuo se o que reside no meu coração é o mais terno! Quem pensar que a morte é a pior sorte, é porque nunca esmoreceu em vida e nunca andou, assim, sofrida. Espero apenas que o tempo passe e me permita ter uma vida com muitas alegrias vividas...
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Pintura de Pedro Mendes.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Terno preto e branco da minha vida, acabas-me em violentas chamas... Esta noite não se quer dar à poesia, apenas te quer amar, sôfrega de alegria. Perderei o bosque, lançarei feitiços à bruxa, ressuscitarei a morte e, com sorte, encontrar-te-ei no fim pacientemente esperando por mim. A vida é um castigo e, neste temivel pesadelo, nem sequer te tenho comigo. Quero o bosque perdido, a bruxa enfeitiçada. a morte bem viva pois a perder-me que seja apenas no teu encanto, ao sabor do teu doce olhar e para sempre nos deixa a eternidade levar.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Rubi
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E a rosa lá repousa, triste e esquecida como toda a memória de uma vida. Uma doce lágrima sobre ela pousa, porém o terno sopro que nela vivia partiu e não soube voltar. Julgo que apenas queria amar, mas o seu coração brilhante deu a luz dos seus diamantes e apenas um nome sob o pó desse sinuoso caminho ficou. Que memória trazes da sépia que o teu coração amou? Pouco é o sabor dessa ambrósia perante esta amarga dor. Lugares vazios, rosas secando ao agreste vento do meu perdido tempo. Assim a minha rua se tornou. Regresso a casa, procurando no chão os quebrados diamantes do meu coração... parece-me encontrar todos eles. Tomo-os nas minhas mãos, receosos e enfraquecidos. Contudo, ouço que desse apaixonado hino não estão esquecidos e cantam-me sem voz o sonho nos confins da minha alma perdido.

Mas a rosa lá repousa cativa, desconheço para ela liberdade que a possa tornar de novo viva. Talvez o tempo lhe devolva essa alegria, lhe torne a noite em dia…
Rosa de sangue, rosa de chamas, encerras em ti uma paixão e não a declamas?... Cale-se o silêncio e ouça-se o nome de sépia que a consome. As minhas lágrimas pousam sobre as pétalas um ar melancólico e triste, da minha paixão bucólica e da desventura que persiste. Sonhei que acariciava a sua doce face, o seu sorriso na minha mão!... Choro a rosa, pois ela não me chora a mim: cruel, sente o que um anjo sem asas não pod
e sentir.
A minha austera rosa põe-me a dormir na minha cama enquanto o meu coração, desassossegado, toda a noite por ele chama.

domingo, dezembro 03, 2006

Não sei... acho que foi no pôr-do-sol que me perdeste. Triste sina que tanto tempo demora a amanhecer. Será tarde?... Parece sempre cedo para deixar de sofrer... Amanheçam-me as lágrimas de noite triste embebidass, na minha paixão esquecidas...

terça-feira, novembro 28, 2006

Cinzas De Uma Vida
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Salva-me uma noite de morrer sufocada em cinza. Louco pranto, fosse este o primeiro amanhecer de esperança e a última noite a acabar sem bonança. Neste Inverno triste, já as lágrimas foram suficientes para me devolver a Primavera que nunca me viste. Chova sobre a cinza dos meus pensamentos, canso-me de me ouvir sinceros lamentos. Que importa que o poeta finja, quando jamais digo o que não sinto?... Sincero choro, sincero canto dos tempos em que o tinha; agora esta vida não mais caminha, suspensa em confesso desencanto. Consomem-me os pensamentos, estes infelizes desalentos que têm aspirado o meu tempo e cuspido-o enquanto pó. Quero que a minha vida não me obrigue mais a permanecer só, a desistir quando apenas desejava sentir.

Salvem-me uma noite de morrer em cinza, a noite acaba sem bonança, mas que sorria na minha face uma leve esperança! Vão-me consumindo os tormentos, mas sei bem que quando acordar ainda arderá o impaciente cigarro da vida, com um fumo lento.
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Desenho de Pedro Mendes (eu sei que primeiro se pedia autorização)...

quinta-feira, novembro 23, 2006

O Fim?...

domingo, novembro 19, 2006

Glória
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Ser tanto e, no fim, nada ser. Meu Deus, guardar a relíquia de valor mais terno nos confins do Inferno!... Quedou tudo, eu sei, quedou tudo… Na minha voz, trago apenas um grito mudo, pedindo o desterro da alma para o lugar onde toda a dor acalma. Fim do mundo, lá bem no fundo, com um sorriso triste e a lembrança que ainda persiste. Estranho, tão velhas que me parecem as memórias dos tempos em que chamava os meus feitos de “glórias”. Cruel desilusão quando eu procurava que o meu nome fosse digno de juntar ao da Perfeição. Quedou tudo, eu sei, nas palmas das minhas mãos o tempo traçou o caminho que mo diz. O tempo parou para um solene lamento de todo o seu sofrimento, e numa hora vaga assim me desenhou: irremediavelmente infeliz.

Pudesse eu subir a uma imponente árvore e contemplar, bem de perto, lá no seu alto, o Céu. Sei as preciosidades que beberam as minhas raízes, mas, no infortúnio, sinto-me como qualquer culpado réu. Ah, meu destino, pudesse eu voar com um fulgor fino, em volta daqueles que me sorriem com amor. “Dama-Borboleta”, seria; de sonhador olhar, aspirando os desígnios do Alto, sem qualquer receio de quedar, pois como aquela árvore eu ergueria a minha fé e, alegremente, morreria de pé.

“God, put down Your gun, can’t You see we’re dead?...” – Tilly & The Wall.
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Desenho de Pedro Mendes (a Arte e o seu valor agradece-se sempre – Muito obrigada!).

sábado, novembro 11, 2006

Comtemplo... a vaga passagem do tempo. Adeus sentido a uma vida que foi perdida sem que alguma vez tenha sido compreendida. Chão que piso, onde te tenho? Que pés sustentas tu? Os dos que não caminham? Para quê?... Eu iria muito mais além, se chão tivesse e lágrimas o meu coração não chorasse...

sexta-feira, novembro 10, 2006

Rouxinol Preto
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Amantes que não podem voar, fujam do amor de cada vez que o vosso coração pressentir que o irão encontrar. Pobre rouxinol preto, tanto que ele me avisou da dor que eu poderia conhecer, da força que poderia perder... Eu dormia sem sonhos que dele não fossem, não por escolha: somente pelo inebriamento do amor. O tempo tinha horas, tinha dias, tinha o valor que ele bem lhe conhecia. Agora o tempo é pó e leva-o o vento. Bem sei, rouxinol, a tua música terminava num ferido desalento, tanto sangue derramado sobre o meu, nas noites que se desfizeram em lágrimas e em ecos repetidos de tristes prantos.

Conheço-a bem: amigos, ela não é ninguém e, na desconfiança da miséria, parece que custa dar o que quer que seja a quem nada tem. Ela possui apenas um coração inútil que à desgraça do ser a arrasta, e um rouxinol preto que lhe grita e implora a música da alegria, mas ela olha nos vidros a chuva e as glórias perdidas e chora, e chora...
Não que seja paixão, antes a fria carícia da saudade da sua ternura. O rouxinol preto a avisou que o amor era doçura que lhe traria à sua vida negras brumas, tão negras quanto as suas plumas. Mas ela, embevecida nos encantos, nunca o ouviu, e sabe agora dos seus enganos.

O amor foi a mais linda cama onde sonhou e a mais triste cova onde se deitou. Amantes de asas quebradas, as s
audades de tocar o céu e de ser amada são por mim partilhadas.
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Painting by Manuel Sosa.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Irmã tempestade, tantas lágrimas e nunca ninguém nos vale, tanta agonia e continuamos a acordar para o mesmo dia!...

sábado, outubro 21, 2006

Soneto
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Anjo despido de vida, por que andas tão perdida?... Dêem-me a métrica da vida, a minha alma não cabe dentro de mim. Sou sofrida, encerrada num soneto de dor, tão curto que nem chego a encontrar o amor. Desfaleci em tempo de guerra, perdi a força e sei que as lágrimas não são válidas armas. Talvez o amor me elevasse das chamas, mas apenas sei que a mim ninguém me ama.

Dêem-me a métrica da vida, a minha alma não cabe dentro de mim. Sonetos, oh sonetos sem fim, libertem-me das amarras da dor! Dispam-me do meu corpo, não me obriguem mais a escrever torto nas entrelinhas do desencanto!... Com esta voz já não canto paixões, apenas me oiço temíveis prantos de desenganado amor. Podia ser tudo e nada sou... Porque não me ensinam a métrica da vida? Terei de continuar com a alma e o coração assim contidos? Tenho os passos perdidos na escuridão e ninguém me dá a mão. As palavras correm já sem tempo e com estes versos tardios não me contento. O amor me despiu o corpo, oh sonetos, dispam-me agora a alma! Percam-me e esqueçam-me, tal como aquele que das roupas me soube deslindar. Soneto da minha vida, a alma não precisa de corpo, permitam de mim me libertar!

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terça-feira, outubro 10, 2006

Maldição de Isolda
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Estranho como a tristeza me nasce nas entranhas num lamento sem fim. Sou se não um triste amor, cegos tormentos perante qualquer estrela que na minha noite perpétua apareça, que por mim zele até que eu adormeça. Voltei as costas ao mais puro sentimento, desaprendi o que me ensinaste sobre a luz miraculosa do amor. Para mim, só o renascer do ser me poderá devolver essa sabedoria. Encerrei-me sozinha deste lado da agonia, cobri-me com as floridas cortinas da desbotada alegria, preenchi o meu peito com as malogradas sombras do que sinto. No meu coração não moro eu nem ninguém, apenas mora a dor.

No meu mundo de negro amor, conta-se que todos os que escrevem sobre os males da paixão, morrem com as suas mãos no peito com um profundo e penoso desgosto no seu coração. Diz-se que os escritores se transfiguram, que se despem de si e vestem a alma de Tristão. Falam de um veneno contido na tinta com que escrevem, de magias sem dó que os enlouquecem.

Sempre escrevi a tinta invisível, tantas palavras que passavam a ti despercebidas... Os poemas e prosas eram tantas, que toda a tinta secou, mas em mim nasciam lágrimas que escreviam, que ternamente choravam o teu falecido amor. Durante a perpétua noite, as palavras cresciam na intensidade, tão doloridas que me faziam crer que escrevia com a secreta tinta que mata os infelizes escribas. Também eles, sem receio, ousam eternizar a lágrima que mancha a folha. Alquimias trocadas, talvez, dão aos que esboçam as letras, a morte que evocam. Os feitiços correm como feras na tinta envenenada, como um sangue que mata. Eu não escrevo: choro. Eternizo as lágrimas molhando com elas o papel, e sou a única que resiste à maldição de amar.

Pois que outro caminho me estendes para além do das lágrimas que a minha face fazem brilhar?... Sem memória, sem qualquer história, ponho as minhas mãos no peito e lembro que o meu nome tem mais doces letras que os de Isolda. A noite do meu ser permanece perpétua, choro e continuo sem te esquecer. A tragédia da solidão dá-me a sua pequena mão, enquanto os outros escritores tombam sobre as suas próprias amarguras e desilusão.

Com as mãos no peito, sou Isolda coberta em lágrimas, uma linda flor já sem cor. Amor, foste a mais triste maldição que manchou o meu coração!...
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domingo, outubro 08, 2006

Premonições
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Doce ventura, és tu quem me olha com tanta ternura?... Leva-me à outra margem da tristeza, numa nuvem clara com coração alado como o de todas as almas meigas. Que voe sobre o infortúnio sem o levar, que cante ao mar de desilusão que agora é feito de alegres lágrimas. Destrona-me do reino de perdas que construí, o maior sem glória de que há memória. Sorri para mim, por favor, sorri! Tenho vivido tanto e tão pouco, por tanta coisa passo e nada de bom levo. Na verdade, o único bem que possuía, também perdi... recordo a voz dotada de magia que, sem encanto, desenhou o fim. Pobre que sou!...

Os céus que cruzo sao os mesmos dos de todas as Sexta-Feiras 13. Muitas bruxas tentam impedir-me de chegar à outra margem, tornam os belos caminhos por que passo escuros. Doce ventura, não acredito que tanto sofrimento caiba numa vida só, mas bem sei que o futuro sempre se sela em silêncio. Ousemos tentar a esperança por uma vez que seja em toda a nossa vida.
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Photo by my friend Carolina (Obrigada, menina! O recado do texto também é para ti).
Artwork by Mary Of Silence.

domingo, outubro 01, 2006

Espanta-me ainda existir, amargo dia.
Foi ontem, sabia sonhar... Agora, choro uma alma endoidecida, espero-a de volta a mim, mas sei que ela está perdida. Narcisos dos vossos jardins, não comtemplam também que a vossa vida é uma preciosidade?... Enchem-na de lamentos e vaidades, esquecem que o tempo não torna.
A quem esqueceu, eu lembro a amargura deste dia.
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Na foto: palavras de Florbela Espanca.

terça-feira, setembro 19, 2006

Morreste-me
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Morreste-me, Alegria, levada nas asas de um romance, enquanto eu docemente dormia. Havia um sonho vago, um amor triste, uma vida plena de tragédia. Toda a perfeição era apenas dramatizada, tudo cairia quando as primeiras tempestades pronunciassem o meu nome. Grito assustada ao relento, sem contar com o mais pequeno alento. Morreste-me, Encanto, o destino assim te desenhou o fim. Sangue frio corria sobre mim das feridas do que sem sopro estava já. Com quentes lágrimas te tentei restituir à vida, mas o cruel destino nem me concedeu um último beijo de despedida.
Choro a tristeza na qual mergulhei, nada mais me faz respirar. Um solitário e triste fim de cisne em Veneza, sem máscara a ocultar a pesada lágrima do desencanto do romantismo e da vida Os meus dias, dou-os a quem quiser ter mais um, pois não anseio por mais nenhum.

Morreste-me, Vida, os teus lamentos são de verdadeiros sofrimentos que nunca me contaram ternos eufemismos. Mentisses, Vida, seria mais forte no engano, de olhos fechados para uma realidade acutilante, do meu próprio destino despida. De que vale um caminho vazio de alegria, que depois de tanto sofrimento, não leva a lado algum?... Levem os meus dias até não restar mais nenhum.
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Pastel by Elise Savage.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Borboleta Que Dorme
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E pousou as suas asas sobre uma pedra tumular e não mais voou. O que estaria por detrás dos seus olhos?... Ninguém sabia, ninguém a reconhecia. Aqueles sonhos de borboleta levaram-na a um jardim violeta, muitas pétalas choravam as flores, numa desistência de amar a cor. O vento, sempre atento, elevava algumas no ar, tentando entregar-lhes um novo sopro de vida. Em vão, já som algum lhes batia no seu coração. Dia triste, aquele em que me viste a tentar ser, mais que tudo, apenas um pedaço de nada com sonhos que delicadamente voavam com grande beleza.

Apanhava pétalas de violetas e isso fazia-me feliz, perdida em estranha magia esperançosa, o bem que espargia em todo o meu redor, mas nunca em mim. Cansei-me de ser forte, a força exigia-me muito mais do que eu podia entregar. Peguei em duas pétalas e, assim, me tornei numa borboleta. Sonhava muito e, assim, me tornei num ser desiludido. Assim me deitei, triste e sem magia, sem o vento que vida me quereria. Acabei por adormecer sobre mim, num belo dia em que as flores pararam de chorar a sua cor. Perdida num sono mais profundo que os oceanos, não pude dar conta de que tudo em minha volta me sorria com alegria. Tarde demais, esmagada pelo tempo, eu resto enquanto recordação. Os meus sonhos de borboleta... colados ao chão, sem nenhuma ambição.

Triste, sim, pois tu não viste que fora dos meus sonhos nada vi?...
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Drawing by Cliff Finity.

domingo, setembro 10, 2006

Alma de Lamento
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Sou, de quem escreve, a mais triste, a mais fatal, aquela que mata com palavras como quem julga os mortais. Divina estrada para a perdição da alma, as palavras que esboço quando nada mais me acalma. Parti sozinha, no meu barco cabe o mundo e ninguém. Outrora, cabia eu também, agora vou sozinha de todos e de mim. Apenas procuro um fim. Fui lendo e rasgando as páginas, sou a mais amargurada dos infelizes que escrevem, pois não consigo voltar a tocar com os meus olhos nenhuma das palavras que a infelicidade e a solidão ao meu espírito devem. Tenho a tortuosa sensação de que perdi, chamo-me infortúnio e condeno-me a ler um rio de lágrimas. Desaguo sempre em mim, tenho um rio de cera negra revolto num espírito que já não me parece pertencer aqui. Se, pelo menos, pudesse voltar ao que senti...

Quando chegar ao fim não vou voltar a ler. Estas palavras não morrem, matam! Vim tentar viver, mas em mim me afogo, enquanto a perdida ajuda a todos rogo. Mas fechei-me, sim, numa conchinha muito pequenina, pois tudo o que me toca me dói. Até o céu azul me magoa, pois ele não é meu em dia algum. É, antes, de tanta gente que até o renuncia, tão cegos nas suas contemplações menores. Se nada disto fosse verdade, nunca mais eu choraria, nunca mais eu me perderia nestas divagações em torno de lamentos. Mas, por enquanto, não vejo se não tormentos, um rio de cera gelada que me aponta infortúnios como que a rir, sem me deixar ir em frente para onde estaria mais feliz e amada por mim mesma.

Depois de uma noite de horrores, acordo no mesmo lugar. Não me há-de faltar se não um rio de dor a desaguar na minha triste alma, sempre escrita como quem apaga, sempre uma beleza desafortunada que ninguém afaga.
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Painting by Salvador Dali.

sábado, setembro 09, 2006

O Malogrado Texto Que Tentou Salvar Uma Noite
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Tinha marcado esta noite para chorar, um doloroso encontro com as lágrimas que me amam demasiado para me cederem um sorriso e libertar. Sou delas cativa do passado na prisão do pressente. Pela janela só e triste, vejo que as sombras se esfumam ao longe, e trazem-me, bem frias, as velhas emoções que senti. Bem mortas pelo tempo, apenas uma breve memória que tortura o coração. Chorei espelhos e espelhos de lágrimas e, no entanto, acho que nunca me vi. Pouco importa, se a única seria num mundo cego. Pego em mim e atiro à parede, já não me quero. Já não me espero feliz, de volta ao mundo de cor de onde desapareci. Amanhece sempre a preto e branco, maldito fotógrafo que assim o impôs, que fotografa sombra em vez de luz, em todas as imagens que me aponta. Lá fora, lá fora... sei lá eu as mil maravilhas de quem tem a verdadeira riqueza...

Pego nas minhas cinzas e atiro-as ao mar, a mais bonita imagem de sempre que uma pessoa amargurada pode encontrar, uma ligeira impressão de findar como uma lágrima beijada. As partículas que restam do meu ser seriam levadas aos confins de um mundo que nunca conheci por inteiro. Completa alegria, assim, teria. Não dormiria nem de noite, nem de dia só para ver os tesouros que encontraria...

Sou reclusa de mim, parece que só me perdi dele e da ventura, nunca do infortúnio que caiu sobre mim. Até as vagas no mar são feitas de sangue que acabou por morrer, de muitos monstros que assustam a mais forte das almas. Mas as ondas feias não me aceitam, dizem que eu as sujo, que até em cinza sou imperfeita. Sou obrigada a vaguear num mundo atroz sozinha, sem alma que a meu lado me declame poesia de gente feliz, sem mãos que me emendem e que me façam não querer mais abrir os livros na última página, em busca da palavra que desejo para mim: FIM.

Marquei encontro com as lágrimas nesta amarga madrugada, tentei evitá-as com este texto e não consegui. Em cada palavra, escondem-se lágrimas oferecidas por uma tristeza que me ama demasiado para me deixar conhecer e fugir livre com a felicidade.
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Painting by Salvador Dali.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Mendiga Iludida
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Venho de afogar mágoas em ilusões, sem água, sem sonho, apenas no que de mais terreno a vida me pode dar. Recordo o nome dele? Finjo para mim mesma que não. Quero lá saber, tomo o remédio do tempo em doses sempre demasiado longas e, no entanto, doente me tenho: não sei esquecer por mais tempo que me dê. Recordo o meu nome? Não, talvez não seja importante de todo. A mendiga procura apenas um sopro de vida, uma sensação, mesmo que essa seja alheia ao coração.

As desilusões sempre me serviram para morrer; e a alegria, para me enganar dessa morte. Eterna futilidade, pois para que viverei eu se não para acabar a um canto, ferida e fria?... Não lamento a falta de tesouros no meu tão selado cofre, que faria este desperdício de vida com alguma suprema beleza a seu lado? Dêem os anéis a mais valiosas mãos, não às minhas, cansadas e frágeis como as folhas de Outono. Rubra de ira como elas eu sou, por ver tão grande existência negada. Ó triste caminho, qual a minha alegria ao ver que, afinal, o sentido de continuar é, por e simplesmente, o de abraçar o fim e acabar?... Triste. Mas a mendiga ainda pretende uma ou duas sensações da vida. Que sejam alheias ao coração, que não exista amor em nenhuma pedra que pisa, pois se é para acabar sofrida, que seja com muitos sonhos, ainda que iludida.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Ajuda para o fim
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Nasci assim, vestida de luto como se aquele início fosse um fim. No pedaço de Paraíso que me foi confinado, os anjos choram e clamam ajuda, caindo das nuvens com tristeza. Têm faces enegrecidas de tanto lavarem os espíritos de quem não se emenda, asas cansadas de tanto tentarem elevar o que é demasiado pesado. Um tormento em letras douradas, sou bem mas mal me têm. Mal me amam, mal me dão direito a viver.

Triste, tanto. Cansada, demasiado. Deitei o passado no lixo juntamente com todas as coisas bonitas que por mim passaram, não quero ser uma memória. Só queria ser uma história, muito diferente da lida, com um final feliz. Mas as letras da alegria, uma a uma, eu tenho perdido. Estou no início e só desejo o fim, vestida de luto pois não me aceito assim. Que querem de mim?... Tenho a face enegrecida e há muito que caí. Peço-te ajuda.

domingo, agosto 20, 2006

Dia não
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Solidão, nasceu uma fonte nos meus olhos ao amanhecer. Sabia que dia não tinha e o amor não me quis aparecer. Muita bruma sobre as mágoas, muita infelicidade em meu redor. Solidão, nem tu me fazes companhia. Eras quem eu tanto temia, a noite eterna da alegria. Bato nas lágrimas com desespero e nunca elas se arrependem. Compreende, todas elas me prendem a ele e a esta malograda realidade. Lava as minhas lágrimas, apaga-lhes a tristeza e esboça-lhes um sorriso. Um alegre dia, por fim, teria. A fonte chora enquanto dorme e já nem sabe porquê, esquece-se que da esperança tem muita fome. Acabou tanto bem para ela, acabou as lágrimas alegres para mim... Bato na minha face e nas lágrimas irremissíveis, arrependo-me, sou culpada. Os sentimentos não eram a estrela, o que estava no seu peito está agora no céu, apagado e enterrado.

Solidão, mais um dia sem alegrias e o meu destino será incerto. Caminho num deserto e só tenho lágrimas para beber. Afogada nas tristezas do dia, desejo o momento em que não irei mais ser.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Dança dos Tristes
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Por que fazes isto?... Ando perdida, parada com a âncora em ti e não desisto. Chamo "Alguém, alguém!", mas todas as almas não são de ninguém e a minha já é a tua também. Este choro era um sorriso, agora, trazido às lágrimas cruéis e afogadas no desespero. Encontro aberrações que impõem respeito: no mar navegam desilusões e muitos corações meio mortos de amor. O meu quer saltar com temor, devo contestar aquilo que acho bem? Salta! Esquece-te de mim quando a maré estiver alta. Não me digas quem sou, nem quem amo. Quero esquecer-me do nome que chamo. Louca, talvez; mas feliz seria. Muito mais fria do que as ondas, muito mais alegre que os comuns perdidos.

Todos saltam junto com o coração, mas eu não queria perder-me, só queria um pedaço de liberdade, voar com vaidade como as gaivotas sobre o mar. Mas triste estou, com um coração que contra ti não sabe ser revolto. Deixei-o voltar por eu não saber de ti me afastar.
Abraçada a memórias, sou a transfiguração da tristeza em alto mar, náufraga em dia de tempestade para quem ousou amar.

Saudade dos tempos em que a palavra apenas era "amor"...
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Painting by Salvador Dali.