Chuva Sobre Cinzas
E houve um dia em que tudo parou. Olharam a chuva como a redenção, como o renascer das suas vidas. Antes, tudo havia sido cinzas, morte... É tempo de viver. Sacode as cinzas, apaga o fogo que ainda arde nos teus olhos. Pega nas tuas armas e luta a meu lado. Sorri! Chove sobre as cinzas!... Sofia Neves, Mary Of Silence.
Acerca de mim
Tudo o que não sou. Um pedaço de nada que procura (ser) algo. Uma flor branca enegrecida pelo tempo, um jardim de Inverno, uma rosa em Dezembro. Espelho quebrado, diz-me quem eu sou, que realidade é a minha. Pois não sei quem sou, nem onde estou. Apenas sei quem fui e o lugar soalheiro que deixei para trás...
Domingo, Novembro 18, 2007
Domingo, Novembro 11, 2007
Sobre ArderSexta-feira, Novembro 09, 2007
Quarta-feira, Outubro 31, 2007
Choro AmorO amor nunca me deu nada, sempre foi uma esmola que me fazia sentir menos condenada. Cruel atrocidade, sabia que nunca eu poderia ser amada. Chorava e nunca nenhuma dor ali acabava. Morria eu e estou certa de que mais nada morreu. Não, o amor nunca me deu nada, só eu sei o que perdi nessa estrada. Chorei amor e apenas recebi dor. Ousadia é o que chamo a querer-te, persistência de te amar e de todo o meu ser te entregar.
Terça-feira, Maio 22, 2007
Terça-feira, Maio 15, 2007
Tenho saudades de quem nunca vi, amor, eu tenho saudades de ti. Esperam-nos soalheiros dias de muita alegria, e confia em mim: este é, de toda a tristeza, o fim.
Quarta-feira, Maio 09, 2007
Terça-feira, Maio 08, 2007
Era mesmo num sonho luminoso que me erguia e respirava um ar voluptuoso. Agora é fantasia, mas será verdade, um dia. Não tardará, a triste bailarina dos meus pesadelos tornará. E ela dança em nome de uma doce mudança.
Quarta-feira, Maio 02, 2007
Domingo, Abril 29, 2007
Mas já disse às bruxas que, por teimosia, não morro. Tenho força para muito mais, aguentarei até esta dor e as feias bruxas decidirem ficar no cais.
Domingo, Abril 22, 2007
Terça-feira, Abril 17, 2007
Melro Sr. Melro, ensine-me a canção e a alegria. Sei que me pode ensinar isso tudo, apenas não sei por que se veste de luto. Também eu me visto assim e não queria mais que alegria em mim. Invejo-o, Sr. Melro, mas sei que a alegria virá e a minha vida terna será.
Sexta-feira, Abril 13, 2007
Nunca tão em baixo, sinto que estes ventos me torturam. Pergunto quando e parece que a resposta é nunca… Acredito nas palavras, embora saiba que muito pode ser o que elas turvam. Creio em tudo e nem sei porquê, talvez porque sou incapaz de conceber tamanha malvadez.
Acredito no jardim sem fim, no lugar soalheiro onde ele mora, mas esta dor é maior que tudo. Enche-me o coração de lágrimas e, na tempestade, ouço o clamor que chama pelo meu amor. A minha vida está ferida, mas enquanto a tiver jamais estará vencida.
Domingo, Abril 08, 2007
Sexta-feira, Abril 06, 2007
O pássaro da manhã já se levantou, contente e rindo como sempre. Talvez seja a hora de me deitar, pois adivinho que nunca mais se irá ele calar. Passarinho, procura bem no teu ninho o meu filho lindo. Escondeste-o lá? A vida nem sempre é clara, mas sei a quem é que a minha sorri e perante quem ela pára.
Sábado, Março 31, 2007
Sábado, Março 24, 2007
O meu gato olha o amor como o perfume louco por que vale a pena morrer e tudo perder. De manhã, ele acorda e pergunta-me para que servem os doces sentimentos, e eu vejo a minha vida e respondo: “Meu gato, esses sentimentos servem para sofreres e de ti te esqueceres. Servem para outras meninas irem brincar com as borboletas do teu lugar. No fundo, não servem para nada, olha e vê como sou dos mais tristes seres do mundo. Não queiras o amor, ele apenas te trará temor.”Diante dos seus olhos, desfaz-se o encanto e o meu gato é somente pranto.
Quinta-feira, Março 22, 2007
Esse perfume da poesia.
Canto, esquecendo a dor.
Meu amor, penso em ti todo o dia.
Ó Morta, tanta vida que corre em ti, a tua esperança eu nunca perdi. Guardo esse tesouro, nele brilha o bem vindouro.
Domingo, Março 18, 2007
Sábado, Março 17, 2007
Espero...Amor, leva-me pela mão naquele caminho que adivinho bem pertinho, aquele que com bonitas palavras nos liberta o coração. Diz-me muitos amores-perfeitos, algo que me torne a vida e o ser escorreitos. Planta em mim muitas doces felicidades e ruma comigo até ao dia em que te responderei LIBERDADE.
Quinta-feira, Março 15, 2007
É certo, ninguém se sentiu como me senti, ninguém se perdeu onde me perdi. Se algum dia acharem que estão perto, eu responderei que essa dor foi semelhante à de uma desilusão de amor. Acreditem em mim: eu ainda choro, mas recomeçarei a partir daqui.
Sábado, Março 10, 2007
Terça-feira, Março 06, 2007
Gostava de nada saber, ser um livro onde pudesses escrever. Ensina-me a amar, pois em tudo deixei de acreditar. Esse tímido sorriso liberta-me, volto a ver felicidade e esperança. Sorrio, fecho os olhos e sou de novo uma feliz criança.
Domingo, Março 04, 2007
Sr. Mocho, não o esperava aqui.
Sábado, Março 03, 2007
Ó Morte, eles não entendem. Eu não gostava de ti até saber que me odiavas. Agora, o meu amor por ti é confesso e ostento-o para todos verem. Coisa atenciosa, levas todos menos a mim, que toda a gente saiba que apenas o meu sofrer irei perder. Não preciso da Morte e ela não é louca: de mim também não precisa. Em vez do meu corpo, planta flores para a Primavera que pedi. Não nunca esqueci: não parto apenas porque julgam a minha alma à Morte encomendada. Essa gente está completamente enganada, perdem-se a julgar, jamais a profetizar. Bem vos digo, a Morte odeia-me e tão depressa o fim não me vai dar. Como poderia eu não a amar?!... É ela que me planta frondosos campos, cheios de flores que não ouvem mais prantos.
Morte, gosto de ti assim submissa, pois em me levares tens muita preguiça. Odeia-me tanto quanto te amo; sei bem que não posso ser eterna, mas pelo teu nome eu não chamo.
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Flores de Pedro Mendes ( a Primavera não escapa).
Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Não darei mais do meu ser, pois este dar foi sempre perder. Tudo ficará para mim, breve adivinho um fim e eu preciso de contar todos os meus trevos, coisa ruim. Os que se julgam eternos têm-te muito medo e pouco respeito. Não trago por ti qualquer despeito, somos aliadas nesta amarga vida que nos tem amaldiçoadas. Não, Morte, não vás ter com essa gente que treme só de ouvir o teu nome, mas no fim mostra-lhes qual é o comum lugar dos mortais, aquele mesmo dos que sofreram demais. Já não tenho medo, vem brincar até eu, por fim, me libertar.
Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
Domingo, Fevereiro 18, 2007
Que se esvai ao longe no horizonte? Afirmo que não será a minha vida. A esperança é, em mim, sentida e penso que se ergue uma ponte.
Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007
Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007
Pierrot, Para Que Serve O Amor?As estrelas cadentes não morrem: voltam ao firmamento. Pierrot, espera por este coração que te ama sempre, a cada momento.
Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
A todos os que têm medo de, um dia, vir a sofrer: saibam apenas que a vida não é nem nunca será somente um prazer. Eu prossigo com a minha viagem, pois sei que por esta dor estou apenas de passagem.
Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Não preciso mais do Sol nem do Dó. Acabarão os hinos em Lá menor, pois o que conto é muito maior. Ainda não consegui perceber o que aquelas pessoas tentam ser. Querem o valor supremo e quedam no nada, mas, ainda assim, são gente aclamada. Espero que lembrem a minha história e saibam que é com força e coragem que se alcança a glória. Esse dolente caminho era meu até que alguém a sua mão me estendeu. Acreditem que não é preciso muito neste mundo: apenas alguém que nos queira bem a fundo.
Eu acredito que irei vencer e restará na minha lembrança somente a imagem daquela que desejou não mais ser.
Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Eu acredito na mudança, coisa maldita, pois nunca te disseram que a seguir à tempestade vem a bonança?...
Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
O mundo é de quem o faz e, a mim, muito me apraz ser dona de um mundo que, apesar de toda a dor, jamais enlouqueceu: o meu.
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Há um para sempre que quero perder e um nunca mais que não irei viver. Desespero, mas tento dar calma à minha alma e, pacientemente, espero.
Sábado, Janeiro 27, 2007
Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
Àqueles Que Amo Mas eu encomendei sete sóis e nove luas, pois eu acredito que, Tempo, estas horas deixarão de ser tuas.
Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
Terça-feira, Janeiro 16, 2007
É noite cerrada e o rouxinol, sozinho, chora. Quão injusta pode ser uma vida? Vem, eu mostro-te, pois também eu ando perdida. Desconheço deste labirinto a saída, mas sei que as nossas lágrimas não podem guiar os nossos passos até ao ambicionado lugar. Não busco o Paraíso, apenas algo que nos meus lábios desenhe um sorriso. Sei bem, rouxinol, custa tanto estar neste mar de mágoa à deriva, buscar no escuro a luz quando se é cego. Decidi: ao destino me entrego, vou onde ele me levar, pois acredito que não existe pior lugar. Vamos, apenas temos uma imperfeita vida a perder e ela, assim apenas nos faz doer. Não importa, não importa. Pois apenas temos uma existência que segue uma sina torta. Por vezes, o desespero é tanto que desejo morrer. Mas não eu quero viver! Apenas ambiciono deixar de, em vida, desfalecer.
Rouxinol, eras a beleza da eternidade, mas até ao que é belo morre a liberdade. Estamos perdidos, sim, mas o nosso livro não termina assim. Mais umas quantas páginas, mais umas tristes lágrimas e teremos, para o nosso sofrimento, o FIM.
Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Dá-me a mão, amor, estende-me um caminho sem a costumada dor, até chegar bem lá ao fundo do teu coração. É lá que eu te quero tocar, pois a alma é a única coisa que sei amar.
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Sábado, Janeiro 13, 2007
Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Menina, apanha os sonhos que caíram no chão e põe-los de novo dentro do meu coração. Vou voar como o teu atento olhar, ser pássaro com asas a sonhar. Nascerão floridas Primaveras em mim, pois sim, eu acredito que este é o fim. Quero colher uma flor que proteja essa menina, bem grande como um chapéu que de tudo abriga. Gostava tanto de encontrar esse sorriso e contar-te a minha história, como com a minha fé eu voltei a encontrar a glória. Quero que saibas, menina, tu és a minha mais doce memória!...
Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
Desta vez não cairei. No alto da dolente montanha, a minha liberdade proclamarei.
Sábado, Dezembro 23, 2006
Dama de NegroPinto as rosas com o vermelho do meu coração. Oh dama de negro, tanto sangue que ele chora! Dá-lhe a mão que ele implora!... Terno viver, parece que nunca mais acabarei de morrer, a dama de negro passeia-me nos abismos da morte e nada há que a minha alma de cisne conforte. Todos os beijos é ela que mos dá; não, eu não quero tornar lá. Isso não é amor, apenas é dor… A dama de negro é imortal e nunca mais ela me lança ao abismo sem que ouça dos meus dias qualquer eufemismo. Sim, prefiro morrer; pois de que me serve uma existência inacabada, sempre com sofrimento chorada?... Oh dama de negro, que bonito eufemismo para uma morte depois de tanta dor! Não sei como ainda me resta coração, depois de ver que os ventos da bonança jamais me encontrarão. Talvez… era bom que agora o fim fosse de vez. A minha alma de cisne não mais aguenta,, estou cansada de dançar com a dama e este espírito este peso não sustenta.
Pinto as rosas de vermelho por não conhecer outra cor. Assim, não me é bom o amor, anjos sem asas não podem voar e amar!... Dama de negro, estou farta de ver os meus dias repletos de carmim. Larga-me de vez ou dá-me o fim.
Quinta-feira, Dezembro 21, 2006
Sábado, Dezembro 16, 2006
Tão conhecida tela, tão conhecido pintor, começou mais uma triste madrugada e eis--me aqui a declamar o meu amor. Ah meu coração, tão bom que era se esse teu sentimento não fosse em vão... Mas o teu céu é de chamas e apagas as que te queimam com as tuas próprias lágrimas. É tão triste estar desta forma perdida, caminhar sem saber se é amanhã que se apagará a minha ferida. Estranha aproximação do Inferno, não sei por que aqui continuo se o que reside no meu coração é o mais terno! Quem pensar que a morte é a pior sorte, é porque nunca esmoreceu em vida e nunca andou, assim, sofrida. Espero apenas que o tempo passe e me permita ter uma vida com muitas alegrias vividas...
Terça-feira, Dezembro 12, 2006
Sexta-feira, Dezembro 08, 2006
Mas a rosa lá repousa cativa, desconheço para ela liberdade que a possa tornar de novo viva. Talvez o tempo lhe devolva essa alegria, lhe torne a noite em dia…
Rosa de sangue, rosa de chamas, encerras em ti uma paixão e não a declamas?... Cale-se o silêncio e ouça-se o nome de sépia que a consome. As minhas lágrimas pousam sobre as pétalas um ar melancólico e triste, da minha paixão bucólica e da desventura que persiste. Sonhei que acariciava a sua doce face, o seu sorriso na minha mão!... Choro a rosa, pois ela não me chora a mim: cruel, sente o que um anjo sem asas não pode sentir.
Domingo, Dezembro 03, 2006
Terça-feira, Novembro 28, 2006
Salvem-me uma noite de morrer em cinza, a noite acaba sem bonança, mas que sorria na minha face uma leve esperança! Vão-me consumindo os tormentos, mas sei bem que quando acordar ainda arderá o impaciente cigarro da vida, com um fumo lento.
Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Domingo, Novembro 19, 2006
Pudesse eu subir a uma imponente árvore e contemplar, bem de perto, lá no seu alto, o Céu. Sei as preciosidades que beberam as minhas raízes, mas, no infortúnio, sinto-me como qualquer culpado réu. Ah, meu destino, pudesse eu voar com um fulgor fino, em volta daqueles que me sorriem com amor. “Dama-Borboleta”, seria; de sonhador olhar, aspirando os desígnios do Alto, sem qualquer receio de quedar, pois como aquela árvore eu ergueria a minha fé e, alegremente, morreria de pé.
“God, put down Your gun, can’t You see we’re dead?...” – Tilly & The Wall.
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Desenho de Pedro Mendes (a Arte e o seu valor agradece-se sempre – Muito obrigada!).
Sábado, Novembro 11, 2006
Sexta-feira, Novembro 10, 2006
Rouxinol PretoAmantes que não podem voar, fujam do amor de cada vez que o vosso coração pressentir que o irão encontrar. Pobre rouxinol preto, tanto que ele me avisou da dor que eu poderia conhecer, da força que poderia perder... Eu dormia sem sonhos que dele não fossem, não por escolha: somente pelo inebriamento do amor. O tempo tinha horas, tinha dias, tinha o valor que ele bem lhe conhecia. Agora o tempo é pó e leva-o o vento. Bem sei, rouxinol, a tua música terminava num ferido desalento, tanto sangue derramado sobre o meu, nas noites que se desfizeram em lágrimas e em ecos repetidos de tristes prantos.
Conheço-a bem: amigos, ela não é ninguém e, na desconfiança da miséria, parece que custa dar o que quer que seja a quem nada tem. Ela possui apenas um coração inútil que à desgraça do ser a arrasta, e um rouxinol preto que lhe grita e implora a música da alegria, mas ela olha nos vidros a chuva e as glórias perdidas e chora, e chora...
Não que seja paixão, antes a fria carícia da saudade da sua ternura. O rouxinol preto a avisou que o amor era doçura que lhe traria à sua vida negras brumas, tão negras quanto as suas plumas. Mas ela, embevecida nos encantos, nunca o ouviu, e sabe agora dos seus enganos.
O amor foi a mais linda cama onde sonhou e a mais triste cova onde se deitou. Amantes de asas quebradas, as saudades de tocar o céu e de ser amada são por mim partilhadas.
Painting by Manuel Sosa.
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Sábado, Outubro 21, 2006
SonetoDêem-me a métrica da vida, a minha alma não cabe dentro de mim. Sonetos, oh sonetos sem fim, libertem-me das amarras da dor! Dispam-me do meu corpo, não me obriguem mais a escrever torto nas entrelinhas do desencanto!... Com esta voz já não canto paixões, apenas me oiço temíveis prantos de desenganado amor. Podia ser tudo e nada sou... Porque não me ensinam a métrica da vida? Terei de continuar com a alma e o coração assim contidos? Tenho os passos perdidos na escuridão e ninguém me dá a mão. As palavras correm já sem tempo e com estes versos tardios não me contento. O amor me despiu o corpo, oh sonetos, dispam-me agora a alma! Percam-me e esqueçam-me, tal como aquele que das roupas me soube deslindar. Soneto da minha vida, a alma não precisa de corpo, permitam de mim me libertar!
Terça-feira, Outubro 10, 2006
No meu mundo de negro amor, conta-se que todos os que escrevem sobre os males da paixão, morrem com as suas mãos no peito com um profundo e penoso desgosto no seu coração. Diz-se que os escritores se transfiguram, que se despem de si e vestem a alma de Tristão. Falam de um veneno contido na tinta com que escrevem, de magias sem dó que os enlouquecem.
Sempre escrevi a tinta invisível, tantas palavras que passavam a ti despercebidas... Os poemas e prosas eram tantas, que toda a tinta secou, mas em mim nasciam lágrimas que escreviam, que ternamente choravam o teu falecido amor. Durante a perpétua noite, as palavras cresciam na intensidade, tão doloridas que me faziam crer que escrevia com a secreta tinta que mata os infelizes escribas. Também eles, sem receio, ousam eternizar a lágrima que mancha a folha. Alquimias trocadas, talvez, dão aos que esboçam as letras, a morte que evocam. Os feitiços correm como feras na tinta envenenada, como um sangue que mata. Eu não escrevo: choro. Eternizo as lágrimas molhando com elas o papel, e sou a única que resiste à maldição de amar.
Pois que outro caminho me estendes para além do das lágrimas que a minha face fazem brilhar?... Sem memória, sem qualquer história, ponho as minhas mãos no peito e lembro que o meu nome tem mais doces letras que os de Isolda. A noite do meu ser permanece perpétua, choro e continuo sem te esquecer. A tragédia da solidão dá-me a sua pequena mão, enquanto os outros escritores tombam sobre as suas próprias amarguras e desilusão.
Com as mãos no peito, sou Isolda coberta em lágrimas, uma linda flor já sem cor. Amor, foste a mais triste maldição que manchou o meu coração!...
Domingo, Outubro 08, 2006
Premonições.
Doce ventura, és tu quem me olha com tanta ternura?... Leva-me à outra margem da tristeza, numa nuvem clara com coração alado como o de todas as almas meigas. Que voe sobre o infortúnio sem o levar, que cante ao mar de desilusão que agora é feito de alegres lágrimas. Destrona-me do reino de perdas que construí, o maior sem glória de que há memória. Sorri para mim, por favor, sorri! Tenho vivido tanto e tão pouco, por tanta coisa passo e nada de bom levo. Na verdade, o único bem que possuía, também perdi... recordo a voz dotada de magia que, sem encanto, desenhou o fim. Pobre que sou!...
Os céus que cruzo sao os mesmos dos de todas as Sexta-Feiras 13. Muitas bruxas tentam impedir-me de chegar à outra margem, tornam os belos caminhos por que passo escuros. Doce ventura, não acredito que tanto sofrimento caiba numa vida só, mas bem sei que o futuro sempre se sela em silêncio. Ousemos tentar a esperança por uma vez que seja em toda a nossa vida.
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Photo by my friend Carolina (Obrigada, menina! O recado do texto também é para ti).
Artwork by Mary Of Silence.
Domingo, Outubro 01, 2006
Terça-feira, Setembro 19, 2006
Morreste-me Morreste-me, Alegria, levada nas asas de um romance, enquanto eu docemente dormia. Havia um sonho vago, um amor triste, uma vida plena de tragédia. Toda a perfeição era apenas dramatizada, tudo cairia quando as primeiras tempestades pronunciassem o meu nome. Grito assustada ao relento, sem contar com o mais pequeno alento. Morreste-me, Encanto, o destino assim te desenhou o fim. Sangue frio corria sobre mim das feridas do que sem sopro estava já. Com quentes lágrimas te tentei restituir à vida, mas o cruel destino nem me concedeu um último beijo de despedida.
Choro a tristeza na qual mergulhei, nada mais me faz respirar. Um solitário e triste fim de cisne em Veneza, sem máscara a ocultar a pesada lágrima do desencanto do romantismo e da vida Os meus dias, dou-os a quem quiser ter mais um, pois não anseio por mais nenhum.
Morreste-me, Vida, os teus lamentos são de verdadeiros sofrimentos que nunca me contaram ternos eufemismos. Mentisses, Vida, seria mais forte no engano, de olhos fechados para uma realidade acutilante, do meu próprio destino despida. De que vale um caminho vazio de alegria, que depois de tanto sofrimento, não leva a lado algum?... Levem os meus dias até não restar mais nenhum.
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
Apanhava pétalas de violetas e isso fazia-me feliz, perdida em estranha magia esperançosa, o bem que espargia em todo o meu redor, mas nunca em mim. Cansei-me de ser forte, a força exigia-me muito mais do que eu podia entregar. Peguei em duas pétalas e, assim, me tornei numa borboleta. Sonhava muito e, assim, me tornei num ser desiludido. Assim me deitei, triste e sem magia, sem o vento que vida me quereria. Acabei por adormecer sobre mim, num belo dia em que as flores pararam de chorar a sua cor. Perdida num sono mais profundo que os oceanos, não pude dar conta de que tudo em minha volta me sorria com alegria. Tarde demais, esmagada pelo tempo, eu resto enquanto recordação. Os meus sonhos de borboleta... colados ao chão, sem nenhuma ambição.
Triste, sim, pois tu não viste que fora dos meus sonhos nada vi?...
Drawing by Cliff Finity.
Domingo, Setembro 10, 2006
Quando chegar ao fim não vou voltar a ler. Estas palavras não morrem, matam! Vim tentar viver, mas em mim me afogo, enquanto a perdida ajuda a todos rogo. Mas fechei-me, sim, numa conchinha muito pequenina, pois tudo o que me toca me dói. Até o céu azul me magoa, pois ele não é meu em dia algum. É, antes, de tanta gente que até o renuncia, tão cegos nas suas contemplações menores. Se nada disto fosse verdade, nunca mais eu choraria, nunca mais eu me perderia nestas divagações em torno de lamentos. Mas, por enquanto, não vejo se não tormentos, um rio de cera gelada que me aponta infortúnios como que a rir, sem me deixar ir em frente para onde estaria mais feliz e amada por mim mesma.
Depois de uma noite de horrores, acordo no mesmo lugar. Não me há-de faltar se não um rio de dor a desaguar na minha triste alma, sempre escrita como quem apaga, sempre uma beleza desafortunada que ninguém afaga.
Sábado, Setembro 09, 2006
O Malogrado Texto Que Tentou Salvar Uma Noite Pego nas minhas cinzas e atiro-as ao mar, a mais bonita imagem de sempre que uma pessoa amargurada pode encontrar, uma ligeira impressão de findar como uma lágrima beijada. As partículas que restam do meu ser seriam levadas aos confins de um mundo que nunca conheci por inteiro. Completa alegria, assim, teria. Não dormiria nem de noite, nem de dia só para ver os tesouros que encontraria...
Sou reclusa de mim, parece que só me perdi dele e da ventura, nunca do infortúnio que caiu sobre mim. Até as vagas no mar são feitas de sangue que acabou por morrer, de muitos monstros que assustam a mais forte das almas. Mas as ondas feias não me aceitam, dizem que eu as sujo, que até em cinza sou imperfeita. Sou obrigada a vaguear num mundo atroz sozinha, sem alma que a meu lado me declame poesia de gente feliz, sem mãos que me emendem e que me façam não querer mais abrir os livros na última página, em busca da palavra que desejo para mim: FIM.
Marquei encontro com as lágrimas nesta amarga madrugada, tentei evitá-as com este texto e não consegui. Em cada palavra, escondem-se lágrimas oferecidas por uma tristeza que me ama demasiado para me deixar conhecer e fugir livre com a felicidade.
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Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Mendiga Iludida As desilusões sempre me serviram para morrer; e a alegria, para me enganar dessa morte. Eterna futilidade, pois para que viverei eu se não para acabar a um canto, ferida e fria?... Não lamento a falta de tesouros no meu tão selado cofre, que faria este desperdício de vida com alguma suprema beleza a seu lado? Dêem os anéis a mais valiosas mãos, não às minhas, cansadas e frágeis como as folhas de Outono. Rubra de ira como elas eu sou, por ver tão grande existência negada. Ó triste caminho, qual a minha alegria ao ver que, afinal, o sentido de continuar é, por e simplesmente, o de abraçar o fim e acabar?... Triste. Mas a mendiga ainda pretende uma ou duas sensações da vida. Que sejam alheias ao coração, que não exista amor em nenhuma pedra que pisa, pois se é para acabar sofrida, que seja com muitos sonhos, ainda que iludida.
Quarta-feira, Agosto 30, 2006
Triste, tanto. Cansada, demasiado. Deitei o passado no lixo juntamente com todas as coisas bonitas que por mim passaram, não quero ser uma memória. Só queria ser uma história, muito diferente da lida, com um final feliz. Mas as letras da alegria, uma a uma, eu tenho perdido. Estou no início e só desejo o fim, vestida de luto pois não me aceito assim. Que querem de mim?... Tenho a face enegrecida e há muito que caí. Peço-te ajuda.
Domingo, Agosto 20, 2006
Dia não.
Solidão, nasceu uma fonte nos meus olhos ao amanhecer. Sabia que dia não tinha e o amor não me quis aparecer. Muita bruma sobre as mágoas, muita infelicidade em meu redor. Solidão, nem tu me fazes companhia. Eras quem eu tanto temia, a noite eterna da alegria. Bato nas lágrimas com desespero e nunca elas se arrependem. Compreende, todas elas me prendem a ele e a esta malograda realidade. Lava as minhas lágrimas, apaga-lhes a tristeza e esboça-lhes um sorriso. Um alegre dia, por fim, teria. A fonte chora enquanto dorme e já nem sabe porquê, esquece-se que da esperança tem muita fome. Acabou tanto bem para ela, acabou as lágrimas alegres para mim... Bato na minha face e nas lágrimas irremissíveis, arrependo-me, sou culpada. Os sentimentos não eram a estrela, o que estava no seu peito está agora no céu, apagado e enterrado.
Solidão, mais um dia sem alegrias e o meu destino será incerto. Caminho num deserto e só tenho lágrimas para beber. Afogada nas tristezas do dia, desejo o momento em que não irei mais ser.
Sexta-feira, Agosto 18, 2006
Dança dos Tristes Todos saltam junto com o coração, mas eu não queria perder-me, só queria um pedaço de liberdade, voar com vaidade como as gaivotas sobre o mar. Mas triste estou, com um coração que contra ti não sabe ser revolto. Deixei-o voltar por eu não saber de ti me afastar.
Abraçada a memórias, sou a transfiguração da tristeza em alto mar, náufraga em dia de tempestade para quem ousou amar.
Saudade dos tempos em que a palavra apenas era "amor"...
Quarta-feira, Agosto 16, 2006
És Verão sem sombra no meu peito, a fogueira que arde sem eu ver. Azar, a vida prega-me cruéis partidas e eu garanto-te: será a ultima que causa no meu coração. Venho de renascer e morrer, de me levantar e cair. No chão, olha os destroços dos meus sonhos. Apanha-os se quiseres, lembra-te que um desses pedaços de éter desprezados és tu.
Hino menor.
Com as lágrimas que chorei esta madrugada, fiz um hino para todos os Homens tristes ouvirem. Não é alegre, mas sorri com melancolia. Não é demasiado triste, mas chora como eu neste dia. Parece uma nuvem no Inverno, caminha devagar e atrapalha-se no refrão, pois eu não sei quais as notas que tocam num coração. Sobe, sobe, sobe para erguer a tristeza e transformá-la em dia, mas julgo que hoje não amanheceu. Subi, subi, subi, agarrada ao hino que compus para os Homens tristes, mas não encontrei Sol nem Dó. Andei perdida e só, não tinha Sol para evaporar as minhas lágrimas, não tinha Dó do coração de ninguém. Tentei resolver o resto do hino em Lá menor, mas sei que tudo num coração deve ser mais alto e maior. Não encontrando luz lá em cima, caí agarrada ao meu coração repleto de dons menores. O que tenho não chegou nem cheguei eu ao ambicionado.
Fiz este hino, porque me foi implorado pelas lágrimas que chorei esta madrugada. Sem Sol nem Dó, pois não tenho o teu amor; com notas menores, pois assim me sinto perante ti. Faz-me um barco de papel que resista às minhas lágrimas, dá-me algodão amargo para limpar a chuva da face do meu hino de notas menores.
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Choro tanto os livros, dispo tanto os sorrisos, ponho-os tão a nu que, confesso, sou incapaz de os ver. Continuo a fazer contas, por que é que a teoria mais simples da vida complica tanto a fórmula para amar?... Dou volta e meia ao mundo e, nas rochas, acabo por encalhar. Desconfio que nunca me vá emendar, serei para sempre uma alquimista na triste pista da permissão de te amar.
Domingo, Agosto 13, 2006
.Não quero dormir, pretendo viver bem no íntimo do teu coração. Ouve o meu que apenas chora o teu nome, o teu perfume... Sufoca-me de amor, não me importo. Sufoca-me até já não dar por mim a respirar, até eu, por fim, acabar. Mais uma linha para me dares o beijo em que adormeço, a carícia em que me esqueço que todo o meu amor ainda permanece acordado.
Sábado, Agosto 12, 2006
A encruzilhada tem a dor como único destino e não me vale vivalma. Já não sei amar, apenas sei entregar-me com desespero, com medo que o que me entrega para perder me julgue perdida. Sinto-me assim, vazia mas com um mundo para dar. Choro esta prosa e escrevo-a com a faca no papel, a vermelho. Louca, perdida com uma fome de ti desmedida. O meu amor, a minha prosa são para comer, sentimentos intensos também podem enternecer!...
Olho a encruzilhada do amor triste: tantos caminhos para um mesmo destino. Pego no silêncio e firo as árvores, nelas escrevo o que me pôs nos caminhos que levam à dor: "Não saber amar, a alguém todo o meu ser querer entregar".
Segunda-feira, Agosto 07, 2006
Não sou nada. O meu relógio está vazio de horas, perdido no tempo. Sabia que haveria meia-noite para o meu conto de fadas, mas não queria ouvir a dor musicada pelos ponteiros. Estou de novo na pobreza do coração e, pelo caminho, a minha alma tropeçou ao descer os degraus. Não vi, sou cega no amor e na esperança. Não sou nada, enfim. Apenas alguém que espera pelo fim do tempo que se perde. Olhar triste, sorriso que vive nas sombras vagas das minhas lágrimas… Mal me vejo no espelho, no meio deste nevoeiro de existir, neste desejo de não sentir. Abracei os ponteiros e corro arrastada por eles.
Relógio sem horas, perdes o tempo de quem?... “De quem não o tem”…
Toda a minha dor é orquestrada pelos ponteiros cruéis que a tudo uma meia-noite me ditam. Para que serve a beleza? Nem um beijo me traz… Sei que não vale olhar para trás, a minha sombra espelhada na minha cara diz quem sou. Não sou nada.
Terça-feira, Agosto 01, 2006
Arquitecturas do passadoO meu sorriso era demasiado grande para o conseguires segurar no alto Tão feliz, tão verdadeiro, tão pesado nas tuas mãos... Não havia arquitectura que lhe valesse, os alicerces eram apenas de sonho e o sonho voa como os beijos que me sopraste da palma da tua mão. O sorriso também estava lá, mas tu não o viste. Caiu no chão, enquanto os beijos me tocavam.
Um fim é sempre um fim, pede lágrimas. A fatalidade diz que é para todo o sempre e o que o meu espírito sente é o esmorecer do único bem que uma vida dolente possuía. Perdi a conta aos dias em que aquele sorriso me aquecia, e os outros recuso contá-los. A felicidade só vale a pena se não esconder tristeza... Se a bailarina soubesse que se levantava para cair jamais se teria erguido, acredita. Como temia em idos tempos em que seguravas o meu sorriso, ela chora agora a um canto dos meus sonhos... eles já nem sequer o são. Tirei-lhe os sapatos para que ela aprenda a não ir a lado algum.
Se as minhas lágrimas fossem sangue... O amor foi tanto e agora o que trago no coração nada é. Passo pelo meu sorriso e digo-lhe adeus, conto-lhe que a arquitectura da alegria é a que mais se magoa.
Fim.
Segunda-feira, Julho 31, 2006
Nas memórias da infância, tenho dois meninos que brincavam com a dor: a Tristeza e o Amor. Lembro-me do tom e da canção que cantavam, ainda a tenho no coração. Nunca tive um céu azul, andei sempre com os meninos pela mão. Um acabava no outro, se um me inventava um romance o outro terminava-o com um final triste. Não sabiam brincar sem me fazerem cair e magoar. Tentei ensiná-los, mas eles nunca hão-de aprender. Achavam graça aos monstros e punham-nos em cima da minha cama para brincarem com eles. Quando se iam embora, esqueciam-se sempre de os pôr a dormir debaixo da cama. Então, ficavam ali comigo, num abraço sem sentido.
Chorava dia e noite, com medo e olhava nos olhos a minha infância perdida, sem azul naquele céu. Não existem pintores, não os tenho. Tenho só dois meninos dos quais cuido da melhor forma que posso, e vou até ao fundo do cabo para afogar as suas tormentas. Dêem-me um sorriso perpétuo em azul, pois os meus céus choram a negro a tristeza com que brinco.
Sexta-feira, Julho 28, 2006
. Nas mãos não tenho valor algum para dar. Preferia dormir e não ser... NADA, NINGUÉM, podes crer. Cansada de doer, de ser rejeitada por uma felicidade que nunca conheci. Bati tanto à sua porta, com as mãos que nada valem. Dessa casa NADA, NINGUÉM para me abraçar e acarinhar. Havia uma bruxa na árvore, bonecas no chão, sapatos de bailarina meio enterrados na memória, de pé como se um fantasma quisesse pôr alguém a dançar. Limpei-os das ideias onde estavam afundados e calcei-os. Dancei e dancei, tão feliz que até a bruxa me parecia bem. Lembrei-me então, maldita memória, que no fundo não tinha NADA, NINGUÉM, que apenas dançava com uma lembrança escrita algures na minha pequena história de embalar. Descalcei-me e segui os morcegos que se riam assim: "Fada, vem dormir onde o dia não nasce e fica bem perto de mim". Perguntei-lhes se alguém me queria bem naquela noite eterna, reponderam-me "NADA, NINGUÉM aqui te deseja bem".
Acordei num pesadelo, neste lamento da meia-noite. Serei uma fada, enfim, amargurada e com uma mão cheia de NADA, esticada desde os confins do sonho triste, esperando que alguém diferente de NINGUÉM me alivie o peso de coisa alguma ter e de NADA ser.
Quinta-feira, Julho 27, 2006
Não dou nada por mim: nem uma moeda pela metade, nem uma guitarra que tome ópio para conseguir cantar. O músico sabe do que estou a falar. A madeira flutua e não afunda os tristes, o sonho voa acima das cabeças e cai arrastando os que antes eram felizes. Não sei, fui. Dei e perdi. Coisas tristemente feias, ensinem-me a morrer como uma flor. Sou já sem cor, mas prendem-me ainda à vida demasiadas veias. Demasiados ramos, demasiado amor... Renunciei a beleza que ilude para abraçar sentimentos que não conhecem e que jamais conhecerão o sonho.
Não sabes das minhas contas com o Diabo, das dívidas que eu tenho para com a criatura que me acolhe, por eu te querer tanto bem. Estou aqui para aprender a ver mal em amar, para descobrir que em cada céu azul se esconde um réu castigado por severas tempestades.
Sexta-feira, Julho 14, 2006
Gosto de saber como as árvores vão indo, se tão fortes raízes irão permitir-lhes um abraço. Pois nos meus sonhos, ninguém vive em paralelo, ninguém carece de tempo para sentir e seguir o que o coração lhe diz. Gostava de ver a solidão morrer faminta àquela mesa ou sufocar engasgada com um amor sofrido. Sempre foi o que ela me deu a comer quando eu preferia morrer à fome...
Imagino e não sinto que viva, o futuro já me revelou demasiado no passado e agora sou a primeira a fechá-lo em copas. Deito-me e experimento a ilusão uma vez mais. Num chão vermelho toda a erva daninha parece um cravo carregado de liberdade. Sei que encontrarei um sem procurar. Serei eu a florescê-lo...
Tenho sono e não consigo adormecer, tenho um sonho e não consigo acordar.
Quinta-feira, Junho 29, 2006
Amor, eu não sou ninguém, mas acredita que tens ALGUÉM que te quer todo o bem, ALGUÉM que te ama, ALGUÉM que te chama, ALGUÉM QUE TE SORRI, apesar de todas as feridas que tem em si.
Sábado, Junho 24, 2006
Talvez não...Talvez não escreva mais sobre pássaros, talvez devolva à Natureza os corpos das borboletas que resolveram comigo ficar. Renuncio um amor. Como sou capaz?... A borboleta está triste, diz que não mais pegará no seu corpo, que já não quer voar.
Homem de palha, para que queres um coração?... Acorda da tua vida, o conto de fadas já passou e não te deixou o ambicionado coração. Roubou-te, antes, todo o Sol para o teu girassol. Olha para mim, ingénuo homem, eu estou perdida porque sei o que é ter um coração.
Sexta-feira, Maio 26, 2006

Uma corda à volta do pescoço dessa menina, um pontapé na cadeira, com muito gosto. A Saudade, dou-lhe um colar e um pedestal inglórios. Tenho-a no coração sem a amar, é a cortina que esconde o homem em contraluz e que dele me afasta. Ela soluça como o relógio, conta o tempo solitário de quem ama. Ausente.
Quero a rapariga dependurada, com o seu longo cabelo encaracolado ao vento. Vejo-nos embrenhados naquela tristeza disfarçada de beleza. Corta o teu cabelo, rapariga, deixa nascer o Sol, permite que o calor desponte entre dois corpos. Preciso dele muito mais perto…
Passo o prumo entre a corda e o candeeiro, a morte tem de ser perfeita. Salva-te o canto de um rouxinol cristalino que lembra que a saudade e a memória é vida, que existes para preencher um vazio e dizer que tudo isso é amor. Quando desapareces, amor, fica a certeza de que o nosso sentimento é maior, de uma estrela passamos a ser uma constelação. Tens a tesoura nas tuas mãos, corta um pedaço de cabelo à Saudade e liberta o pássaro, deixa-o voar livre nos teus sonhos, na tua doce lembrança. Corta-lhe outro pedaço de cabelo, o mais enrolado, e dá-nos asas para voar. Somos um só pássaro agora, abraça-me para eu puder voar. Tens a minha asa perdida, a peça do puzzle desaparecida. Iremos longe, lá bem no alto, seremos nós a cantar para o teu amigo vestido de plumas, com um sentimento brando e asas feitas com o cabelo da Saudade.
Sábado, Maio 13, 2006
Apertam-te o corpete de princesa, respiras de tempos a tempos sofregamente. Vendam-te os olhos, todo o chão treme e nada te ampara. Amordaçam-te, não falas nunca e o que dizes não entendem. Passas por louca, vazia de saber. Nunca pensei que podia morrer de um desgosto de amor, nunca tirei a consciência dos meus pensamentos. A tristeza de não ser louca, de nunca ter tido ingenuidade por um segundo na vida. Dói menos cair no chão que cair na realidade quando ela, austeramente, diz que não. Apertam-te o corpete uma vez mais, não será “realeza” o sinónimo para o que sentes. Uma forma do verbo morrer que a segunda pessoa nunca te conseguiria contar.Resta um sorriso com o nome de alguém que compreende o teu silêncio e entende que que as tuas palavras não são ausência...
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Painting by Salvador Dali.
Segunda-feira, Maio 01, 2006
O meu sangue é a ambrósia para o vampiro da minha rua. Por ele são os suspiros nas noites que mantenho vivas até a Lua morrer. Por entre beijos e dentadas, amo-o com a intensidade do Sol que não podemos ver. Trocamos olhares, procuramos formas de ludibriar o relógio e levá-lo dizer as horas no esquecimento. Um minuto mais é fatal, tornamos chamas e pó. Mas tu sabes, a efemeridade dá a tudo muito mais valor. Uma gargalhada e rimo-nos da eternidade e da mortalidade. Mais um pouco de vinho e tudo parecer-nos-á a mesma coisa, vais ver… Nesta sala tens os brancos mais claros e os negros mais escuros. Delicioso contraste, amor, sou açúcar que espera pela tua perversidade. Alguma vez te enganei, amor?... Sou magia negra num corpo branco. Dança comigo em frente aos espelhos que não vão saber se parecemos mal. Não nos vêem…Em criança brinquei com as tuas bonecas de voodoo, piquei-me muitas vezes… Mal sabia que aquela boneca era eu. Tracei a minha própria sina a brincar com o destino. Tracei-te a ti e a um amor maior que o Universo. Eras o que mais queria, esse teu amor docemente feroz… Brindamos com o sangue um do outro, celebramos duas vidas unidas antes que o Sol desponte. A madrugada gosta das tuas malícias, amor…
Terça-feira, Abril 25, 2006
Por que pensamos tanto no passado?... Não me agrada viver de labirintos que tive de tornar escorreitos. Daquele outro sorriso, dos leõezinhos demasiado pequenos para serem ferozes e saberem lutar. Deita-te na relva e pensa no futuro. Que dizem as estrelas, ainda te parecem mal coladas a esse teu universo? Apenas a saudade me desilude. Não confias no amor?... Penso em ti e esqueço que não tenho casa, vivo na indigência e acho-me rica. O passado passa por mim e eu, simplesmente, digo-lhe adeus. A janela quer um novo quadro. Soalheiro, com um sorriso verdadeiro. Leões que sabem reconfortar passarinhos que choram, lágrimas que corações doces não ignoram. Amor, é saudade o que lamentam no parapeito de uma janela que, para receber o teu amor, eu abro de par em par. Contam-me segredos ao ouvido, dizem-me que ouviram falar do beija-flor. Dizem que nem os leões o podem defender de tanta dor.
Em cada palavra proferida, amor, digo SAUDADE...
Quinta-feira, Abril 13, 2006
Se os meus olhos pudessem ver um quadro de tinta real quando ele me diz que existe… Mas nesses momentos a minha visão cinematográfica da lugar a um estranho medo. Medo de abrir os olhos e ver que o sonho acabou e foste embora com ele. Tenho ciúmes e passo o dia a pensar. Espero pelo tempo em que o sonho te devolve a mim. Será que lês estas palavras como as sinto?... Tudo o que faço gira em teu torno… cada palavra, cada movimento, cada pensamento que tenho em silêncio. Se os meus olhos pudessem ver a dimensão do que é real quando me dizes que estás perto, então sim, teria a certeza de quem sou. Não precisaria de absolutamente mais nada… Mas o que eu vejo é medo, tristeza e muita solidão. Nem preciso de abrir os olhos para as ver. Até os meus olhos que me deixam ver imagens de beleza única, se tornam inúteis. Não preciso deles para te ver e sentir o medo, a tristeza e a solidão. Aos sonhos não se tiram fotografias, só se pintam tristes retratos. Quem tem talento pinta-o numa folha. Eu apenas te pintei no meu coração. Se os meus olhos pudessem abraçar a cor quando me dizes que o meu mundo pode descansar tranquilo, longe de todos os anseios que me tomam: nunca mais iria escrever palavras de receio como estas. Seria só eu e tu a observar o infinito do tempo. Apagava a luz do quarto e saía para a praia, para apanhar conchas e ver o mar. Os meus olhos só te vêem a ti, amor… e ao medo, à tristeza e à solidão do corpo. Então corro, corro para a praia, mas na esperança de me transformar em espuma de uma onda azul. Feliz, sem temor. _____________________
Bem sabes, amor, que recuso partir em sonhos sem levar pedrinhas no regaço para marcar o caminho de regresso a casa. Amo-te, porém as quedas sabem assomar nesta magoada lembrança. As quedas de tão altos sonhos foram demasiadas, por outros protagonistas ilustradas. Diz-me, amor, que não haverá mais dor. Sorri-me.
Sábado, Abril 08, 2006
Planta-me nos teus jardins de Verão... Nos meus, aquele sopro não respira, as flores não desabrocham, os passarinhos não cantam... Preciso de ti para me trazeres a Primavera. Ainda vês os jardins cobertos de gelo, amor?... O tímido Sol que nos olha ainda não nos traz aquele calor, traz-nos sim as lágrimas daquela dor. Essa distância, essa saudade... Temos campos contíguos separados por muralhas, pelas injustiças de um mundo imperfeito. Apagaria esses traços, faria um laço bem apertado entre os nossos corações se não vivesse tão cruel realidade. O ponto com nó da vida que me veste quase me esquece do sorriso que me pediste para usar. Contigo, amor, este sorriso seria perpétuo... mas, e as muralhas? Tantas e sucessivas batalhas...Encontra-me no ninho dos pássaros que não sabem voar, nunca os seus olhos puderam ver mais além... Sempre aquém do que pretendiam. Tão belos a voarem em inocentes brincadeiras. Mas, no outro dia, encontrei um cuja vida morrera. No chão, junto ao seu frio corpo, disse-lhe adeus e apontei-lhe a estrela onde deveria ficar: a mais bela. O nosso amor irá viver, um dia com a sua desaparecida beleza?... Queria-te para sempre junto a mim, como uma pedra preciosa que não perderia nunca.
Amor, encontra-me a mim e ao beija-flor, debaixo da árvore sem cuidado que deixa cair todas as suas folhas... Debaixo da fria bruma, os meus quentes braços esperam-te para que a muralha quede em vez de mim. Espero-te para trazermos a Primavera, para despertá-la com a nossa paixão. Depois diremos ao nosso beija-flor que pode partir, que a liberdade, por fim, nos agraciou.
Quinta-feira, Março 30, 2006
Segura bem o teu barco, amor, pois a vida é mesmo assim: uma furiosa tempestade. Roubaram-me os piratas quando te queria a ti. Roubou-me o meu destino antes que a morte me roubasse a mim. Cansada de fazer dançar a incerteza, de cantar presa ao mastro, lancei o meu corpo ao mar. Nada mais me interessava para além da liberdade, da melodia delicada feita hino, da bailarina a dançar fora da caixinha de música... As ondas eram lágrimas. Tantas que eu chorei que acabei por naufragar no meu próprio corpo. Via um mar de rosas, na inconsciente esperança que suspirava por ti. Resgataste a minha alma numa noite em que já não me lembrava de mim. O corpo ainda permanece por encontrar. Ajuda-me a procurar esse bem que não me veste a alma, pois sem ele não te posso aconchegar, não te posso abraçar... Segura bem o teu barco, amor, pois nele navego contigo.
Sábado, Março 18, 2006
ISTO É SOBRE SONHOS DESFEITOSIsto é sobre um lugar onde as flores crescem num silencioso lamento. Um lugar onde um frio vento sopra e as árvores tremem como se tivessem medo de cair. Tudo o que está debaixo dos nossos pés está, na verdade, acima das nossas cabeças. Isto é sobre a beleza esquecida de uma estrela negra, de tudo o que não conseguimos ver. Estas flores que ouvimos a chorar, têm a voz daquilo que já partiu.
Cada pétala que irás ver cair, será uma lágrima a dizer “Tenho saudades de tudo o que não pude fazer, de todos os que não vi, de cada palavra que não pude dizer”. Construí um Reino repleto de perdas...
Chamei à vida sonho, ela chamou-me desilusão. Chamei-te brilho, tu chamaste-me escuridão. Então, chama-me tristeza... eu chamei-te com um sorriso.
Negas-me tudo o que mais quero...
Sexta-feira, Março 10, 2006
Noite caladaDizem que a fala vem colada à língua como qualquer outra capacidade inata. Mas não é difícil tentar o silêncio, nunca é... Vergonha, medo do que se dá a sentir. As piores mordaças que calam um ser são as que ele impõe a si mesmo. Um infame declame da poesia que é obrigada ao silêncio, que não pode ser ouvida, mas que pode abraçar e ser beijada. Estas palavras não falam, mas chamam-te: o teu nome claramente soletrado, como se fosse o mais belo poema de amor. E está certo de que ele o é no meu coração, um filho bastardo de uma deusa que não podia cantar. De cada vez que ela tentava entoar o teu belo nome, a sua voz passeava com a saudade, era levada e deixada na companhia do temor da solidão. Passeias pela praia... até um búzio sabe dizer-te mais palavras que esta voz desaparecida nos confins da prisão da liberdade. Amarrada e calada.
Com tristeza, amor, o meu desejo de bons sonhos ser-te-á dado pela estrela que conhece o meu amor por ti.
Quinta-feira, Março 09, 2006
Nascem Primaveras frondosas, flores presas nos meus lábios que anseiam pelo teu beijo para se libertarem nos idílicos campos da Paixão. Sempre as frases que começam por um suspirado “quem nos dera”. Falamos de um amor preso na saudade, de trilhos muito mais longos que a distância que nos afasta. Temos labirintos, choros sucintos de quem ama o que não pode tocar. Aqui, apenas nos pode dar quem nos falta: o tempo do odiado relógio, não o dos nossos valiosos corações. Curiosa batalha, travada dos dois lados da muralha. Triunfo do mal sobre o bem?... Quem me dera que pudéssemos ser os vilões, então. Mas o bem pode conhecer a glória… Uma questão de tempo, daquele que se conta no inimigo relógio. Será o vilão desta história a trazer-nos o triunfo, a dá-lo nas nossas mãos. Quem nos dera que esse dia fosse hoje, pensar e ter o que surge como fruto da nossa imaginação… uma imagem, um som, um simples desejo. Quem nos dera derreter o tempo nas nossas mãos e moldá-lo como barro na forma um do outro. Fechar os olhos, sorrir e, logo ali, ficarmos finalmente juntos com o mais apaixonado truque de magia.
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Painting by Salvador Dali ("A Persistência da Memória").
Quarta-feira, Março 08, 2006
Não serei a luz que ilumina a tua estrela, sou apenas um espelho capaz de reflectir todo o teu brilho. Olhas para mim e julgas-me brilhante, mas apenas devolvo o que vejo quando te observo. Nunca quero dormir, pois quando me deito a luz apaga-se. Ausentas-te e adormeces a tua estrela. Tenho tanto gelo em mim, preciso do teu calor e do teu brilho. Noite e dia, amor. Se me deitar, a estrela continuará no meu altar?... Não quero ver-te longe de mim, pois o calor, assim, perde-se pelo caminho. E eu não tenho forças para o ir procurar... não saberia sequer se o iria encontrar. Já te disse tanto com os meus lábios selados, já reflecti os teus céus estrelados. Nunca peguei na tua mão, nunca te guiei no escuro. Vivo na minha sombra, procurando ter a tua luz um pouco mais perto. O meu coração encontra força no seu calor e quer viver apenas para contemplar a sua beleza. A penumbra do que guardo no peito não se deixa colorir... Demasiada saudade, amor. Sinto-te sentado a meu lado, mas onde está a tua mão, o teu abraço, aquele beijo apaixonado? Onde?... Os teus beija-flores não sabem beijar, os meus não podem voar. Impossível trazer a montanha, amor. Impossível empurrar os ponteiros até eles doerem e desistirem de nos afastar. Quero uma meia-noite encantada sem sapatinhos de cristal para que possamos ter mais um minuto, mais uma hora... dias e dias em que nos perderíamos nos encantos da paixão. Príncipes e princesas felizes, sem a dor do passado e do presente, descansando numa grandiosa e quente estrela chamada AMOR. Era tudo o que o meu coração mais queria.
Sábado, Março 04, 2006
Dou a minha casa terrena pelo mar, as negras sinfonias por um simples búzio conhecedor das melodias com cheiro a maresia. O louco maestro tinha medo que os seus movimentos gelassem no frio. Nunca conheceu a praia, os lamentos do mar. Nunca fui uma grande artista… Cantei sempre fora do meu tempo, fora do meu tom... Corri mais depressa que o relógio e agora tropeço na minha própria sombra. Como o mar que se enrola e nunca chega mais longe, eu vivo presa no relógio que nunca me dá a desejada permissão para quebrar o vidro e voar. Gostava de poder beijar-te como o mar beija a areia. Fiel, ser-te-ia. Mas cativa do relógio, ainda espero esse dia. Tanta beleza nesta melodia.Esperança.
Sábado, Fevereiro 25, 2006
Porque uma flor arrancada será sempre um crime, um atentado à liberdade da beleza. Porque uma flor ostentada nas mãos de uma mulher é um manifesto da vaidade, do narcisismo pueril... Porque uma flor é o desígnio do amor que deseja, luxúria maldosa sobre um corpo. Porque uma flor encerra sentimentos que quer só para si, toma-os na seiva e seca-os com o tempo que torna poeira. Tosse, flor. Devolve todo o amor que roubaste. Cospe-o sobre mim, esse pó mágico que transforma as minhas noites em dia. Furtado, aprisionado, terreno. Por mim condenado, este crime que me provoca dolente saudade. Pretendo todas as flores cativas até ao mundo acordar defunto. Simples, amor, quero todos os jardins intactos e verdes. Não quero ver mais ninguém a oferecer uma única flor. Ciúme, uma ligeira inveja que me ruboriza a face. Um crime, amor, PORQUE NUNCA PUDESTE OFERECER-ME UMA FLOR.Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
As pancadinhas de Moliére… Tão mal entendidas, apenas um homem apaixonado que implorava sossego ao seu coração. Teve de ser a sua amante eterna a revelar a verdadeira história. Não queremos silêncio, sempre música para nos levar a um sítio desconhecido para a solidão: O CORAÇÃO.
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
Perdidos numa ilha deserta, ainda recordamos os nossos nomes. Corremos na areia lado a lado, contemplamos este Paraíso que tardou em chegar até nós. Não foi fácil encontrar esta cor, este som, estas imagens… julguei-as perdidas onde não iria poder encontrá-las. Mas aqui estão, comigo e contigo. Repousamos na areia, observamos uma paz que se estende aos nossos espíritos… O laranja do pôr-do-sol puxa a noite. O som é o das ondas do mar para nos lembrar, durante o sono celeste, que há amar e amar, há ir e voltar. Perdidos na ilha, não no sono, acordo com alegria e, logo nesse instante sei que vejo a tua cara, vejo o teu coração…
Um novo dia, amor.
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
Algo mais que o sonho, algo mais que um tocar e acordar. Beijar, acariciar, nunca mais chorar… Os desígnios de um desejo sofrido, desamparado pela realidade. Os aromas que aproximam da demência dois corações desesperados, aprisionados nas teias da paixão. Não estou preparada para este abraço da saudade, nunca um coração aguentou tão forte aflição. Seria a primeira a passar por este caminho e a conseguir voltar. Não quero o amor assim, até o bem se torna ruim… Até o que alimenta a vida lhe tira o ar. O AMOR, o início e o fim. Estranha paixão, esta que vive à margem da realidade, fisicamente na solidão. Sabemos o que sentimos, sabemos o que proferimos… sabemos o que nos separa. Mil e uma facas em mim e nenhuma que arranque este mal e mate a distância. O teu amor continua a ter, em mim, contornos de receio, de anseio pelas tuas mãos sobre os meus pensamentos e sentimentos.Esta noite… Conseguirá ela adormecer sem olhar para trás ou ficaremos a espreitar um pesadelo que connosco queira ficar?... Almas desassossegadas, corações revoltados contra algo que não vemos.
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Que espada de algodão me atravessa a alma?.. De olhos vendados, experimento um fulgor que não me deixa ver. Cega para o mal que me rodeia, tenho uma ingenuidade tardia, própria de quem nasce por entre as rochas e morre na foz. Um caminho de valorização de uma alma que julguei perdida por sentimentos de rígida expressão. Cheguei a não sentir dor, a não saber chorar pelo que sentia. Agora, sei que também se chora de alegria, que a esperança é o alimento da vida, aquilo que a leva até à foz e não a deixa morrer na areia… Deitada na água reparei que não é o universo que segura a estrela. É ela que o sustenta com beleza, a referência para beijos invocados com intenso amor. Escolhi uma que sabia que nunca iria cair, coloquei-lhe debaixo dos pés o tapete dos trapezistas. Um circo de acrobacias e malabarismos que não soube aprender. O espectáculo de um sorriso na face de alguém, na minha face. Como que por magia, surgiu com uma carícia tua. Não receias que a rapariga te arraste, sem força que a segure a ela própria?... Quero oferecer-te toda a luz deste mundo…
Ofereço-te um guarda-chuva que te proteja e equilibre nesta fina corda. Algo que, sobre a tua cabeça, te lembre do amor que te tenho e que te segure, com doçura, ao céu da alegria que vivo.
Corro contigo neste rio, terás o meu amor até chegares à tua foz… Mas até a foz, amor, é uma simples ponte de passagem para a outra margem. O meu amor por ti viverá para sempre na imortalidade.
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
This is NOT about living. This is about surviving.Parece sempre mais claro quando nos olhamos ao espelho. É difícil encarar um espelho e olharmo-nos nos olhos com um sorriso. Ali tudo surge diante de nós, a capacidade de ver vai para além do que é habitual. Torna-se fácil saber o que reside por detrás dos nossos olhos, o sentimento que se tem em relação a nós próprios.
Em toda a minha vida, procurei aceitar-me e gostar da minha pessoa. Quando finalmente o consegui, tudo mudou repentinamente...As mãos talentosas não mais mostraram o seu saber, as palavras deixaram de fazer sentido, o sorriso e o brilho nos olhos desapareceu... Que batalha foi esta?... Ganhar para perder logo de seguida é a coisa mais cruel que conheço. Era fácil pegar naquilo que se foi e atirar ao espelho... sim, a força ainda chegava para isso. Mas se partir aquilo que sou em mil estilhaços, torna-se mais difícil recompor a sombra que quero deixar de ser...”Porque ainda sei o quanto vales, porque olho para ti e não te aceito, vou lutar para recuperar aquela pessoa que foste. Aquela que eu amava.”
Não é dever de ninguém não desmoralizar. É dever, sim, lutar enquanto há força para tal.
Se têm condições para o fazer, por favor, CELEBREM A VIDA! O dia de hoje é a única coisa que uma pessoa pode ter a certeza que possui... Lembrem-se sempre disto.
01-10-05
Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006
Morava em casa de gente letrada, de quem segura livros debaixo do braço e fala em tom de ameaça. Destoando da constante sabedoria, existe uma louca que chorava enquanto, lá fora, a neve caía. Julgava que alguém de lágrimas muito frias tentava enxugar a sua tristeza com algodão. Que alegria seria nunca ter nevado, ela não compreendia nada que não fosse pertencente ao coração. Sabia da malícia de todas aquelas pessoas que brincavam com a mágoa de um pobre infeliz… O quarto era a sua casa, um jardim permanente, o lugar de todos os sonhos. Dormia com as borboletas adormecidas, salvava passarinhos azuis de ficarem presos no escuro. Todos os dias, mandava beijos por eles, um favor em forma de agradecimento perante a redenção que ela lhes concedera às suas vidas. Abre a porta dos sonhos e de encontro ao seu amor partiam. “Procurem o homem de nome frio, como o meu.”, diz… Pensa no amante, no seu sorriso de Primavera, nele colhe flores que lhe dão cor aos intermináveis dias.
Saudade é o que dá nome ao que ela sente, mas no seu pensamento, o seu amante está sempre presente. O beija-flor volta carregado de carícias. Sorri, pensando no mais importante conhecimento: o amor.
Ensinaste-lhe a compreensão, o sentido por que vale a pena continuar a viver… Ela olha a neve e lembra-se do teu nome. Chora com saudades tuas, tem pena que os outros brinquem com a nossa dolência. Pois ela sabe, meu amor, que o coração é uma rosa vermelha de sangue, molestada pelos cravos que esta distância faz nascer.
Tenho o beija-flor coberto de saudosas lágrimas. Levar-tas-á para regar as flores mais belas de todo o Universo, que guardas no teu terno coração. Num gracioso chilrear irá cantar-te o seu amor por ti.
Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
Desenrolam-se cenários trágicos neste ecrã, apocalipses trazidos para uma casa. E amanhã o mundo acabava, nenhuma dor restava. O medo. Medo de amar, de sonhar, de adormecer e acordar. Medo da distância e do teu esquecimento. Por ti, o mundo não acaba, um sorriso renasce no meu íntimo. Que este amor que lhe deu vida, não seja a sua própria morte. És sincero contigo mesmo?... Por vezes, um sonho mente. Sempre o receio do que os teus olhos irão achar...
Temo a queda do surrealismo e a crueza do realismo, as duas faces da mesma moeda pobre que nada pode comprar. Sinto-me cansada de ver o tempo arrastar-se, a vertigem de segurar o peso da ampulheta no coração… cairei?... Eu sei que nos teus braços seria muito mais forte.
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Painting by Magritte.
Quinta-feira, Janeiro 26, 2006
HistóriaMona Lisa nada escondia: chorava baixinho lágrimas que decidiram não pintar. Ficou uma figura que parece sorrir; na verdade, um dia de chuva sem gotas de água. Mona Lisa estava triste, mas pediu para não molharem a tela, para mostrar o sorriso que iria aparecer depois do Sol nascer…
Miguel Ângelo, sustentava um talento que não conseguia controlar… Revolto, pintava no chão da capela a beleza ferida de um mundo destruído. Fazia, para ele, sentido deitar um Deus por terra, torná-lo mais um fugitivo, torturá-lo por omitidas ajudas, imerecidas sentenças de vida e de morte. Pediam-lhe para pintar Céus, mas ele apenas conhecia sentimentos terrenos, cores escuras, blasfémias contidas numa Bíblia sem Deus. Para ele, não existia Céu ou Inferno, apenas aquele momento infame e chão que pisava…
Herdei o meu sorriso de Mona Lisa e Miguel tudo me ensinou – ainda espero o nascer do Sol, alguém que descubra o meu sorriso. A cal azul ainda não aquietou em mim, desço à escuridão, às trevas, sem nisto acreditar. Acabei no corpo de Joana D’Arc, e consegui sobreviver à fogueira, mas o desentendimento desmedido ainda me queima… Tornei das frias cinzas, chovo sobre elas como se fosse uma nuvem rasteira. Cinzenta e ferida, procurando o nascer do Sol e o azul.
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Os dias são intermináveis, abraçá-lo-ei antes de o seu sentimento partir? Bem sei, se ele for, parte sem mim. Mais uma bailarina limparia as suas lágrimas, por um espectáculo em que ela nem sequer dançou. Teme perder os aplausos com que sonha, guarda os monstros debaixo da cama, tantos que ela já nem os consegue nomear… Durante a noite, desassossegam-lhe as ideias e escurecem-lhe os sonhos até restarem apenas pesadelos. Ossos sem carne, espírito sem corpo, beleza sem amor por si mesma… Despojos no chão sobre os quais ainda fazemos poesia. Queremos o sonho e a carícia da realidade. Mas, e a verdade?... Esta esperança não me deixa desfalecer, mas ainda este medo de te perder salta com todos os outros monstros sobre a mina cama…
A beleza é a tua. A minha, apenas o eufemismo de um corpo.
Quarta-feira, Janeiro 18, 2006
Rostos ainda por descobrir, uma dor feita pela imaterialização dos corpos. Quantos dias até podermos observar a sina traçada nas nossas mãos, quantos violinos em destroços, cansados de tocar o nosso tempo?... Doçura subtilmente insurrecta naquelas cordas quebradas. Amantes que não se beijam, mas que o desejam. Tenho as mais cruéis amarras a prenderem-me, as invisíveis cordas do violino magoado, imperceptíveis a um simples olhar. Ainda assim, acarinho aquela estrela perdida que a ti tudo vai contar. Que ela nunca saiba guardar nada para si… Brinca inocentemente com os costumes de Magritte, pinta-nos a nós e ao nosso beijo de éter, escreve palavras contrárias ao sentimento dos nossos corações.Vejo mais um violino quebrado sobre um quadro. Sempre esta confusão nos sons que o tempo entoa. As suas notas doem-me mas, lá no fundo, dizem-me para parar de chorar, que descobrirei a tua graciosa face um dia… Libertarei a estrela mensageira, numa noite em que o silêncio fale, em que todos os gestos digam palavras.
Lá do alto, a estrela envia mais um postal ilustrado. Ela sabe que isto não é um romance, se é que me entendes… Apenas outra verdade de Magritte.
Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Vejo um corpo privar uma pessoa de amar. Como se ele não fosse suficientemente forte para erguer o triunfo do amor sobre todo o mal que não escolheu levar consigo… Toda a alma vive à margem do que a contém, mas ela é invisível para os olhos que a tocam. Um sorriso… dir-te-ia ele algo? Despe-te das palavras, um dia, e tenta compreender. Olha para um corpo estático e vê-o dançar. Uma vida em paralelo, aquela de quem não quis acreditar, de quem receava amar e perder. Concedo-ta, uma vez mais nas mãos de quem a poderia moldar, dar uma nova forma menos sinuosa, virtuosas mãos seriam… Com giz que escreva sobre a ardósia, caminhos de luz que levem a escuridão a conhecer a alegria do Sol.
Perdi a estrela da manhã, Vénus deixou-me sozinha, zangada com o amor. Nomeio incertezas, desejo numa maçã tragada. Amor perdido, bem que passa por mim e não é agarrado… Depois será tarde, o Sol já se terá deitado. Leio contos de fadas pela madrugada dentro, seguro estrelas cadentes para ti… Toco ecrãs de tela, tenho esperança que as personagens secundárias assomem de dentro da luz, dizendo que esperam os que enredam a principal história… Seremos nós?... A manhã está quase a chegar para nos acordar. Vagueias pela sala enquanto todos dormem, que tens uma cidade a teus pés, vidas para proteger… Sustentas universos com o teu olhar, a beleza dos detalhes que apenas tu vês.
Toco a tela apagada, uma vez mais. Ainda a sinto quente, sinais de vida que por aqui passou numa constante intermitência. Os momentos em branco, o pó da ampulheta que caiu e desapareceu, todos eles ausentam a luz deste meu filme tão longínquo quanto as velhas películas que guardas no teu coração.
Apenas vejo de olhos fechados. Uma rapariga convida alguém a dançar à chuva, sem câmaras, sem música… Loucos parecemos, cantando sem voz o que não ouvimos. Vivo a alegria quando chegas, mas não te toco com receio de te magoar. Também sentes a minha dor… duas almas que sempre viveram lado a lado, sem o notarem. Poderá um filme findar sem ter alguma vez começado? Os meus ideais são irreais, nasceram do surrealismo e erguem castelos com alicerces feitos de impossibilidade, fortalezas que tremem com o timbre da tua voz. Fecho os olhos para ver… Continua a chover sobre nós, somos abençoados… O arco-íris nos teus olhos, acredita no Sol num dia de chuva. És a luz que beija as minhas lágrimas e transforma toda a tristeza em cor... Quero aquela rapariga dançando à chuva para sempre, a tua esperança é a minha esperança…
Terça-feira, Janeiro 10, 2006
Guardo o tesouro da tua felicidade, uma chave nos meus lábios que se soltaria com um beijo… Ladrilhei ruas inteiras para chegares até mim, mas longe me tens procurado, em diferentes galáxias, sonhos púrpura… O rei faz-te uma vénia, oferece-te o manto e uma carta de geografias avessas aos caminhos de cristal que construí. Procuras-me onde não estou. Por diferentes ruas, tentas a tua felicidade, mas a chave que te abre o coração para esse bem reside em mim. Mereces tudo o que brilha neste mundo, procura bem lá no fundo as estrelas que, no relembrado passado te ofereci… Segue o claro brilho, a mão que em sonhos te guia.Danço sozinha, torno sobre mim mesma num vagaroso lamento. Vejo luz e cor, escadas que sobem e nunca descem... Subo ao sótão, procuro magias no pó da saudade. Não tenho campos idílicos nesta sala de ambientes sépia, mas tenho um malmequer que bem te quer. Cresce dentro da minha alma, espera que o colhas a ele e à felicidade que guardo. Vou até à varanda, deixei crescer a minha trança para por ela subires. Uma princesa triste, um cavaleiro a meio caminho do seu palácio… Uma chave bem guardada, felicidade ambicionada. Poderá ser o amor uma verdade, com algodão para forrar o chão de todas as desilusões? Perfeita geometria do sonho que teremos acordados…
Dois corações desencontrados esperam um abraço de tudo o que os seus sonhos vêem, o verdadeiro concílio dos deuses em Terra…
Domingo, Janeiro 08, 2006
Matar o tempo…Pendurei-me na torre do relógio velho, com um frasco de veneno e um ponto final nos meus intentos. Queria que ele bebesse e abrandasse o passo. Enquanto a embriaguês sôfrega lhe silenciasse as horas do seu mundo cósmico, eu colocaria um grande e pesado ponto final no caminho dos ponteiros. Mero acidente de percurso, uma pedra revolta que deslizou do cometa errante… Teriam alguma hipótese de me culparem? Seria um crime sem provas, o mais perfeito de sempre.
Ironia do destino: a História fez-se com o decorrer do tempo, mas naquele malogrado momento passariam todos os futuros dias a poeira perdida e espalhada do alto daquela torre.
O ponto final pesava e magoava-me as mãos. Uma coruja pronunciava a canção do sinistro, num voo malévolo sobre as minhas ideias, corvos querendo ajudar-me com penas negras… Todos estão certos que o tempo está errado, que soe a Razão! A antiguidade morreria de velha, jovens para sempre, vivos até o nunca morrer!...
Mas aqui estou eu pendurada… pendurada na torre do velho relógio, tão perto da Lua que queima. E mato o tempo, sim… apenas o meu! O crime mais perfeito de toda a História, uma intenção perdida no… TEMPO!
Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
Persistem as memórias, numa lenta cadência… Persiste o amor, essa doce dolência. Não se perdeu nem no tempo nem na distância, entrou e fechou mais uma porta, chegou e inscreveu-se em mim por trilhos de medo, numa caligrafia torta. Posso condená-lo a uma morte precoce?... Avisei-me tanto… Fria como o Sol, penso em momentos perdidos, em pássaros no topo de flores, chorando a morte de um outro que eu devolvi à terra. Crescerá ali uma flor, num lindo chilrear, as suas melodias nunca me irão abandonar. Fechei os olhos como ele, mas já te via até enquanto dormia… Arranco as minhas entranhas pedaço por pedaço, na tentativa de chegar até ti. Em vez disso, encontro melodias cantadas pelo defunto colibri, sons que me enlouquecem, melodias que de mim me esquecem. Aponto-te o dedo como a razão para o desmoronar de tantas valiosas coisas em mim, um enfermo corpo e uma distorcida mente.
Os pássaros enterram-se na terra, procuram a companhia do outro. Entre o Céu e a morte, uma estranha guerra. Perco-me nestas linhas tortas. Entre mim e o amor, um fado por ti cantado.
Domingo, Janeiro 01, 2006
Um barco no desertoSomos os perdidos nesta terra ausente dos mapas dos navegadores. Repetimos a palavra “nunca”, para sempre. Continuamos a tentar o que já falhou, fazemos aquilo em que não acreditamos… Somos quem a vida levou a desacreditar do amor; e em relação a ela, apenas uma palavra: desencanto. Prometeram-me muito mais do que isto… Mas se isto é o prometido, tenho uma alegria que dói, um afecto que me acaricia com espadas acutilantes e um talento que cria obras de arte inacabadas
Esta solidão não nos une. A revolta faz esquecer quem nos quer bem… Passamos a tudo odiar, até o pouco que temos. Não dou mais que um passo: receio cair no mar. Continuamos frente a frente, à espera que o outro decida partir numas asas iguais às que levaram Ìcaro a conhecer o Sol, e a depois, perder-se… Repetimos a palavra “nunca”, sem ceder. Olhamo-nos nos olhos sem cair nos braços um do outro. Queremos o amor e a liberdade. “De que serve uma coisa sem a outra?”, perguntas… Vale de pouco, é verdade. É como ter barco, num deserto. Sem mar não pode navegar… Mas o barco pode servir-nos de casa, este sentimento.
Quem tudo perdeu, não ambiciona mais que o barco.
Mas tu não o entendes e continuas a repetir a palavra “nunca”, para sempre…
Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
Why is the sky so high?Por que está o Céu tão alto?... Quero tocar as nuvens, respirar o azul. Essa revolta pacífica lembra-me a minha casa, lembra-me os dias que já não tenho e os risos que já não ouço. Costumava correr livre como as tuas brisas, encolhia os ombros e ria-me do dia de amanhã. “Amanhã é apenas uma palavra”, dizia…
Continuo nesta ilusão de erguer o braço para te tocar. Amaldiçoo a distância que nos separa e esta sensação de me escapares por entre os dedos. Tento uma cadeira, mas essa subida logo se torna numa queda… Parto num barco igual àquele que naufragou ao largo da Esperança, mas esse barco apenas navega nos meus sonhos. E os sonhos, não mais sei deles…
Hei-de fazer de ti a minha casa. Quando menos esperares, serás tu a estender-me um caminho de nuvens, repleto de estrelas…
Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
MusicalAcordei num musical, tinha maestros e orquestras, meninas a cantarem só para mim. Rodopiávamos nos braços um do outro, dávamos corpo à tragédia de um romance moderno, qual filme noir repleto de rouges... Voava sobre os meus pés, espargia neve de algodão onde pressentia tristeza. A criatividade de uns, os amargos sonhos de outros. Como será estar do outro lado, abraçar o homem em contraluz?... Agarrarei eu as luzes alguma vez?... Elas afagam-me somente, outra desilusão sobre um palco de madeira, plateias vazias, cortinas fechadas a pedirem o fim… Respirávamos ainda os sonhos malditos que nos faziam esquecer do findo momento em que declamávamos palavras bonitas. Não eram sentidas como farsa, eram promessas de carne, osso e alma. Apenas não o confidenciava, uma vida contada e dada a saber a cadeiras vazias. Não era uma excelente actriz: secreta amante. Em todo o tempo, fui acrescentando sorrisos e carícias ao guião, simbólico segurar de mão para te levar aos jardins das minhas plangentes ideias… Apaixonei-me pelo actor principal, aquele que, afinal, eu honrava. Aquele que, afinal, me beijava sem amor, sem o fulgor de um oculto romance… A distância e o tempo seriam dádivas perante esta dor…
Ainda a música… Os violinos dedilhados contavam o tempo do teu ser, constante parecer de uma eternidade inacabada. Mais um beijo de fachada, mais uma facada, a condenada imagem de um amor em câmara lenta...
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Drawing by the incredible artist Nuno Jorge (thank you so much!)
Sábado, Dezembro 24, 2005
A janelaAs janelas são uma extensão da claustrofobia em que o meu corpo está detido. O meu vestido de medo não me deixa caminhar nem amar. Demasiado justo para conseguir esboçar um movimento. Tenho o coração apertado e molestado. Sangra por mim e por ti, pelo romance que não foi. A luz chega até mim, não chego eu até ela… Contorço-me na beleza inútil de um vestido vermelho de sangue…
Já não levito sobre o meu corpo. As asas são apenas mais um peso que não conseguem erguer a alma. Tenho o corpo colado ao frio do chão, e a minha esssência perdida um pouco por tudo o que conheci. Pergunto-me: todos os que me amaram, lembrar-se-ão eles de mim? Pois não vejo mais para além de uma casa vazia. Ninguém para me dar a mão, ninguém para fazer este corpo respirar... A realidade é crua. Fere e tortura uma alma longe de vazia, num corpo cuja força dança perto de um precipício. Lá em baixo as rochas, aquele não mais voltar.
Nos meus sonhos, já estou presa à realidade.
Tenho a alma como uma vã qualidade.
Já não escrevo poesia,
Conto a solidão a que foram condenados os meus dias.
Conto portas e janelas fechadas
Num mundo onde a liberdade e a alegria me foram negadas.
Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
Nunca ponham o coração nas mãos de ninguém… Por confiança impensada, sou, agora, uma dama de gelo, incapaz de um sentimento que me faça sorrir mesmo na mais bela Primavera quente. Assisto à morte de um corpo que ardeu de dentro para fora, tenho um espírito enorme que não dou a ninguém, sentimentos inflamados que guardo e reprimo… Vi muitas caras inebriadas de fascínios mil, mas senti que nenhumas mãos souberam o cuidado que um coração reclama quando é segurado. Nem os dedos frágeis de um artista se apercebem da delicadeza que sustentam. Até eles deixam cair cristais afastam a sensibilidade, maltratam os seus próprios ideais…
Todos os sentimentos que me deram são desta forma devolvidos: nunca amar é a minha única certeza; nunca mais a violência de abrir as mãos, deixar cair um coração…
Terça-feira, Dezembro 20, 2005
SótãoContinua aqui, no meu imaginário, um sótão no topo do mundo. Tem telhas de vidro, constante clarabóia… Aqui passa um rio alpinista que diz conhecer o Danúbio. Afogava-me em ti, se tivesses cisnes, aquelas criaturas de beleza triste que afagam as águas com movimentos vagarosos e solenes. A beleza neles e em mim, não faz sentido. É uma verdade que mente, mera ilusão. A beleza é a eterna musa cantada pela poesia porque adora ludibriar os sentidos. Adora fingir que existe e que o seu perfume é real… mas nem ela nos apaga os traços de dor e tristeza.
Um sótão no topo do mundo… Perto das estrelas que me iluminam. Uma vida pela tragédia da solidão e não a isolei. Ela continua a apoderar-se de tanta gente… Ouvi dizer que a maioria das pessoas nunca encontra o amor. Escondido nas teias da solidão, deixa-se somente ver e desejar. Maldito e fugidio sentimento… Por ti, não sou senão um cisne com maior força, de olhos no tecto de vidro. O telescópio aproxima-me a imagem, mas nunca o teu perfume…
Uma vida pela tragédia da solidão, exilada num sótão no topo do mundo.
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Drawing by Mary Of Silence.
Sábado, Dezembro 17, 2005
(Contraluz)Por vezes, penso que estás apenas atrás da cortina. Por vezes, penso que a tua longinquidade se resume à barreira que esta impõe. Atrás de um simples pano, vive o inconformado artista presente em ti… Atrás da cortina semitransparente, em frente à luz quente, deixando ver unicamente contornos. Através dela, chega a silhueta de um homem solitário que se vai exprimindo da melhor maneira que consegue, mas que trava uma luta constante contra os espontâneos gestos lentos e pesados. Sei que me tentas oferecer desenhos. Surgem do nada, precisamente do seio da sombra, moldados pelas tuas mãos. São desenhos feitos de sombra que eu tanto admiro, uma original forma de comunicação.
É uma verdade surpreendente, mas inegável: uma cortina separa quase tão imponentemente quanto um muro. Todos os dias, aproximo-me dela para procurar a verdadeira pessoa que um pano mágico oculta parcialmente. Nem sequer consigo perceber a expressão do teu rosto. Alegria, tristeza ou apenas uma enorme indiferença? Aproximo-me até te sentir do outro lado do pano, mas continuo sem perceber o teu sentimento. As tuas mãos tremem ao tocar a poderosa cortina. Será o despertar da tua imaginação? Sei que devo ser para ti uma sombra também.
A rígida cortina não permite um abraço. Então, eu faço-a deslizar pelo varão, em busca de ti. É nesse momento que sou encadeada pela luz intensa de um projector semelhante aos das películas dos filmes. Já não há sombras, apenas aquela luz. Repito este acto inúmeras vezes, mas percebo agora que o teu espectáculo acontece quando a cortina oculta o palco. Tu és o actor que nunca mostra a sua face, que representa quando os outros se enfiam nos camarins, e sempre para uma solitária audiência: apenas eu, uma autêntica sombra. É como se negasses a própria essência do espectáculo. Para ti, ele é algo íntimo. É como falar com a nossa própria imagem reflectida no espelho.
Gostava que o pano caísse de uma vez por todas e te revelasse. Enquanto isso não acontece, escrevo cartas que passo por baixo da cortina. Vejo que pegas nelas e que, pelo menos, as olhas. Não consigo notar mais nada porque, depois disso, a luz quente que se reflecte atrás de ti fica ainda mais intensa. É como se as minhas palavras a alimentassem. É verdade?
Temo que sejas apenas uma ilusão e que essa luz seja o reflexo da intensidade do complexo sonho que observo todos os dias. É verdade o que penso? Já que pareces vencido pelo silêncio, faz-me gestos, tenta falar através deles. A única coisa de que preciso é um sinal. Um sinal de que não estou a alimentar a minha demência, mas sim uma verdade indiscutível.
Agora que a luz se apagou, vou ficar a ouvir o som dos teus movimentos.
Such a powerful marvel to my ears…
Terça-feira, Dezembro 13, 2005
História agresteOuço risos, perdidos algures num secreto baú da minha memória. Permaneceu fechado, o armário dos meus sapatos. Não andavam por mim, convictos de que nada mais havia para caminhar… Ouço passos leves, quase angélicos. Também eu caminhei sobre a água do rio que chorei… Sozinha, sem ninguém a meu lado para as enxugar ou para fazer deslizar os seus dedos pelo meu cabelo negro. A vida girou como um carrossel, os meus sapatos vermelhos não dançam com a melodia. Invejo a graciosidade da bailarina que tenho na caixinha de música. Esqueço os passos do meu anjo. Encontro os raios de luz que me ofereceste numa tarde de Outono. Os teus cabelos loiros, um olhar claro – quase diamante. Um silêncio que não nos incomodava observava-nos… Sabíamos o que dizíamos naqueles momentos. Arrependes-te do que me confiaste?...
Encontrei o colar de pérolas que segurei nas mãos para lhes dar valor… As aguarelas e o triste carvão dizem-me quem já fui… Uma flor negra, anjo que caiu de uma nuvem esquecida. O meu anjo não me teve nunca nas suas ideias. Pensava, antes, na doce ambrósia e nos jardins de magnólias. Eram mais bonitas, as cores das outras flores, mas ele podia ter segurado os meus ramos…
Pensam que me alegram e trazem-me intenções que em nada me instigam, vasos sem flores, pedaços de alma sem essência… Sei o que é a perfeição e não encontro aqui nenhuma marca dela… A perfeição era minha irmã, mas roubei-lhe a imagem do negativo. A perfeição é tão frágil e altiva, recusa dar a mão a uma irmã…
Fecho-me no armário dos sapatos escarlates e peço-lhes para da imperfeição agreste me tirarem…
Domingo, Dezembro 11, 2005
O labirinto fechadoTenho, agora, o pior Purgatório, em vida. É tempo de melancolias maiores, daquelas que não se dizem de sorriso nos lábios nem se pintam a aguarela. Dantes, observava o deitar do Sol e sentia o convite das brisas para brincar. Agora, observo as mesmas paredes, sempre iguais, e risco as páginas da vida, confusamente. Escrevo a tinta invisível. As folhas permanecem em branco, tempo que foge de mim e me deixa reclusa.
Quanto aguenta um corpo? Mais que este fraco coração cansado de sentir. Lembro-me dos tempos em que irrompias pela escuridão e espargias luz clara e remidora. Vinha de ti, tinhas luz própria como os astros… Salvavas-me da incompreensão e deste museu da Inquisição em que a minha casa se tornou. Querem que eu seja a escrava que sofre todos os tormentos do mundo e que nada tem direito a dizer. Sabem a tortura por que passo e desprezam ou simples ignorância? Não quero acreditar no narcisismo do que é vil, mas toda esta gente tem os seus tormentos em tronos de ouro. Adoram-nos e querem o reconhecimento de cada ser pensante. Não, o mundo não pode viver cada parte por si.
Apenas tu me podes salvar, mas até a tua presença me falta. Giro mais depressa que este planeta, na esperança de te encontrar. Tenho visto: nestes lugares ninguém conhece a simpatia, mortificam-se, privam-se da alegria. Antes quero morrer a tentar do que a proferir lamentos… Desce até mim como um foragido da morada divina, leva-me contigo e faz-me sentir, para todo o sempre, compreendida.
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Drawing by Nuno Jorge (THE artist!).
Please, click the image to see it in full size.
Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Espelhos turvosGrito com o que vejo. Uma figura amargada e cansada de acordar para um dia igual ao de ontem. Vivo rodeada de espelhos turvos que apagam o que não quero ver. Uma beleza suja de terra, a minha. Uma graciosidade suja de éter, a tua... Mereces que te traga à Terra?... Que arranque os lírios e procure na terra húmida as pérolas enegrecidas pela profundeza que alcançaram? Tentei esquecer, mas nunca os lírios ocultaram o teu presente... Brilhavam e abriam-se declamando as pérolas.
Não agarro éter, mas sonho acordada com um dia melhor que o de ontem. Sonho com sentimentos cristalinos e uma imagem límpida desta realidade perecida. Uma homenagem aos forasteiros e indigentes que passam por esta rua... Também eu conheço a pobreza neste corpo, os entraves impostos por um castigo que não mereci... Um engano que calhou a mim.
Espero pérolas que me tirem desta pobreza. Concedam a este corpo verdadeiras riquezas! Espero éter que não fuja com os sonhos, que me traga a desejada manhã alva.
Domingo, Dezembro 04, 2005
Dias de Guerra (parte II)Procuro uma razão, um sentido e um caminho por onde seguir. Desapareceste nos trilhos de nevoeiro, numa imagem bucólica que lembro com saudade. Quando regressaste, trouxeste as glórias profanadas dessas terras vazias de qualidades humanas.
Deste-me a conhecer a luz negra de um amor que vive e mata em nome da obsessão. Transformaste os nossos laços em nós de ira, coroas-me com as ervas daninhas que te nascem no coração… A permissão já conheceu em ti melhores intenções. Não mais conheces as feições daquela doce ventura em que vivíamos. Tentas desenhar-lhe a cara, mas apenas me ocultas com a sombra daquilo que nomeias de amor.
Perdeste o espírito que sente para um trágico quadro bélico. As armas não sabem o nome de quem matam, nem o porquê daquele sangue derramado! Aceitas uma luta sem causa?... Luta antes por mim, acode o choro que me ouves clamar.
Terça-feira, Novembro 29, 2005

A arte de voar
Pégaso leva-te a esse universo que vive de madrugada.
Ai, pecadores e guerreiros lutam com uma força alada.
Vénus beijar-te-ia as mãos que Júpiter te concedeu,
Aquelas que dão asas ao sonho, às causas que Marte conheceu…
Dos Deuses trazes o talento
Que a outros serve de tão poderoso alento.
Trazes Esperança a quem te canta,
Sagrada beleza que nossos espíritos sofridos levanta.
Dedicated to N. J. (GOD BLESS YOUR SOUL!!).
Não sabes o que é falar imenso, a toda a hora, e ninguém responder… Dou palavras ao vazio, escuto o silêncio sob a forma de um sinal telefónico… Sei que não estás ausente, a um canto da sala escutas o telefone… Mas recusas atender o meu pedido de ajuda, receias a magia da minha voz da mesma forma que evitas olhar-me nos olhos quando os nossos caminhos se cruzam. Tens medo deste embaraço de emoções?... Receias a felicidade?....
Só perdemos aquilo a que podemos chamar de nosso, eu sei. Também vivi no medo de passar pela dor de perder. Esqueci a ambição e a coragem. Mas se podemos ter mais, que tenhamos então! Tiremos mais polroids a esta vida, encontremos imagens de cores mais ledas, lugares de beleza inenarrável…
Olho as paredes. Vejo a solidão, ouço os segredos e os gritos que guardam… Até elas me dizem mais que a tua voz sempre calada. Podias parar de me escutar com esse sorriso sintético e dizer algo que me movesse? O silêncio, na sua plena força, preenche-nos mais que as palavras que magoam. Preenche imponentemente. Também eu me calarei, mas sufocada pelo denso pó do teu silêncio…
Como num filme antigo, atende o telefone. Uma estranha quer dizer-te que te ama.
Sábado, Novembro 26, 2005
RazãoNão me vejo nesta nuvem caída. Tornei-me translúcida com as marés e ondas que me fustigam. Consigo ver através da transparência e da sinceridade. Nenhuma palavra foi o que dizia. Nenhum mar me levou a bom porto… Pobre de mim, a simpatia destas pessoas de máscara comove-me… Sentimentos ficcionados tenho-os tido de sobra neste teatro da vida. Não preciso de palavras que se perdem no ar, que chegam a mim, mas não me agarram… Não confio em ninguém, a vida já me desiludiu por demais. Recuso amar, não existe romance do outro lado do sonho. Não aceito o egoísmo, mas apenas acredito em mim… Ninguém tem razão, mas eu procuro-a…
Curioso mundo que nunca sabe elevar-se, por isso, esta nuvem caiu num tormento… Banhamo-nos neste lago. Fustigam-nos as ondas, na esperança de abraçarmos a verdade…
Perdemos a Razão.
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“Now the world was empty on the day they made it
And Heaven needed some place to throw all the shit.
Human hearts and pain should never be separate
They wouldn’t tear themselves apart,
Both trying to fit.
At least the dark don’t hide it…” – Magnolia Electric Co.
Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Dias de guerra (parte I)
Chegou-me às mãos um Ultimato, e dizia que a Guerra não quer ver a Paz ganhar… Morreram todos os homens de força com um desgosto no coração, que as Túlipas que amavam foram pisadas pelos seus cavalos… Mas já venci a batalha: tenho barcos de papel, prontos a navegar. Um exército de raparigas delicadas, com o regaço repleto de Crisântemos para oferecer a cada homem cujo coração a sua beleza destroçar. Já venci esta guerra, tenho no meu sorriso a mais poderosa arma. Com serenidade irei derrotar-te, sem sangue nem ódio.
Canta-me uma canção sobre liberdade. Acende uma luz à minha porta. Tira-me deste castelo e ensina-me a lutar. Ilumina as minhas velas, cada uma por um beijo.
Enterra todas as minhas rosas vermelhas. Elas morreram.
Não rebentam de novo.
O AMOR FEZ DE MIM UM SOLDADO.
A SOLIDÃO ENSINOU-ME COMO LUTAR.
...
“Guns can’t kill
What soldiers can’t see” – The Arcade Fire.
Drawing by Nuno Jorge. (Thank u SO much!)
To see it in full size click the image.
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
“I woke up this morning to an empty sky”Tanto azul e tanto negro, nas imagens que vejo de olhos fechados. Lá fora, chove. Cá dentro, troveja um coração que já conheceu mais vida. Sou uma alma, apenas isso. Uma alma perdida entre estar aqui ou mais além. Tenho uma vontade, mas estou suspensa entre a dimensão que conheces e uma outra que hás-de conhecer um dia.
Apenas quero o branco. Uma cor que não seja o azul ou o negro. Um dia que não seja chuvoso, uma realidade que não seja em paralelo. Apenas quero o que desprezas: a tua realidade. Não queiras ver a chuva lá fora e senti-la dentro de ti próprio... Agarra o Sol enquanto o vês alto, a brilhar.
Original title by Bruce Springsteen.
Terça-feira, Novembro 15, 2005

Profecias inacabadas do nosso passado (parte II)
Tenho as palavras às avessas e o coração descompassado da música de viver: trouxeram-me para o meu próprio cortejo fúnebre. Sem avisos, nesta amarga tarde de Inverno. Pediram-me silêncio de lábios selados e que mostrasse o luto que sempre ostentei em vida. Calam-me com palavras: “eras cativa da vida”… As minhas mãos podiam ainda mostrar-vos como se quebram amarras e a voz, falar mais alto que o canto dos martelos nos pregos da urna onde me querem deitar. Tomei o peso do mundo inteiro, levei-o ao colo como um tesouro meu, agora atiram-me para o meu leito de morte… Esquecem o bem, a Glória, esquecem que a essência não precisa de ar nem de corpo para viver. Não parto, nunca hei… Fito a árvore e as romãs sobre a minha cabeça, lembro que a realeza é forte.
Não sou Deus, mas não me deixo julgar por réus como eu. Tanto mal que eu fiz… POR AMOR! A malícia de um olhar que ficou em mim… mas não é o meu. Foi uma maldade que ficou presa em mim… Eu sou apenas o espelho do mundo. Sou cruel? Também tu me empurraste quando me tentava erguer… Fria?... Recorda que nunca na vida me mostraste um sorriso.
Limpo o sangue dos lábios. Não bebo mais das vontades deste mundo que julgava ser belo. Afinal, mero chão para perdidos pisarem e chamarem casa. Queimo as cordas com raiva… Sou o Sol. De brilho enegrecido por vontades terrenas, vestido. Sou um anjo de penas roubadas por quem me ensinou a voar; filha desterrada de um mundo que nunca foi o meu…
O Céu chorou por mim, antes do esperado apocalipse. As lágrimas celestes escorriam-me pela face…. A luz apagou-se do firmamento. “O Céu vai cair por tudo o que os Homens fizeram”, sussurrei.
Segunda-feira, Novembro 14, 2005
Pedia-te uma flor, se não morasses tão longe… Mas sei que quando ela me chegasse às mãos já não seria a tempo de lhe respirar qualquer réstia de vida. Seria mero pó e uma cor desbotada e amachucada. Ainda assim, uma intenção, mas não o prefiro… A nossa história conta já com muitas flores, jardins que ficaram desertos em nome de um só amor… Tenho os meus livros repletos de memórias campestres, tão cheios que todas as palavras se escondem por trás destes ramos. No papel, tenho os homens que amei, e dos que não me amaram tenho malmequeres descarnados, com uma pétala só… Nunca tinha coragem para arrancar a pétala que me ditava a minha má sorte. “Malmequer” é uma palavra difícil de dizer perante um amor…Tenho um cemitério nesta casa. Os homens que me ofereceram flores nunca resistiram durante muito tempo à força das minhas raízes… Estes romances trágicos pintaram as paredes da minha casa de negro e as flores proliferam como se vivessem uma Primavera perpétua. Abraçam-me os pés, prendem-me estes amores imperecíveis que se alimentam de beleza defunta.
Tenho comigo os velhos tecidos de cornucópias, mas eles não me aquecem, P. Nem eles, nem a luz da estrela onde moras. Os anjos que me deixaste continuam a olhar por mim… Recordo os tempos em que olhava aquelas crianças aladas com terror… demasiado jovens e puras para morrer. Falavas muito sobre a justiça divina. Onde está a minha?... Talvez também eu seja um anjo nesta Terra suja, à espera que um sino toque para receber as minhas asas.
Pedia-te um beijo, P., se não morasses tão longe… Mas do alto dessa estrela, não alcanças a minha face. Peço-te, então, que nunca deixes de iluminar este jardim. Sem a tua presença, triste. Para sempre, melancolia de Outono numa frondosa Primavera de flores mortas que ainda florescem.
Sábado, Novembro 12, 2005
Mar da InglaterraSinto-me a flutuar na água… Tenho os olhos fechados, mas consigo ver tudo em meu redor, com uma clareza que nunca tinha experimentado antes. Estou coberta de pétalas vermelhas suspensas no ar, flutuando sobre mim e toda a água, não me deixando ver o céu. Tenho um longo vestido branco que dança comigo ao sabor das ondas. Há muito que fiquei paralisada pelo frio intenso da água.
É a primeira vez que não receio o destino. Não sei para onde este ondular me leva, mas não me importo. Acredito que vou chegar a um lugar muito melhor que aquele que deixei para trás. Talvez te encontre flutuando também nestas ondas, P. Perdido no mar como uma vítima de naufrágio. Dentro de um baú fechado, esperas que alguém te descubra. Impacientemente, contas as horas num relógio que o tempo já parou. Cansado pelo tempo já parou… E tu continuas brilhando dentro da caixa de madeira, desejando que ela não quebre. A solidão faz-te apenas brilhar mais e mais, e recear o dia em que essa força, repentinamente, desaparecerá e te fará afundar. És o tesouro que não se pode perder, com demasiado valor para se perder onde ninguém o irá encontrar: no fundo do mar.
Pode ser que há deriva, oscilando lentamente, passes por mim. Então, estender-te-ei a mão, se conseguir, para juntos navegarmos até onde o mar da solidão eterna nos quiser levar. Somos os pobres condenados a viajar na sua água interminável. Mas viajaremos juntos. Teremos sempre o melódico som do silêncio e as nossas vozes sussurrantes para nos acompanhar.
Deixo-me levar no melancólico ondular das ondas e contemplo a paragem do tempo. Perdida no espaço e no tempo, observo o ondular da minha própria melancolia.
WE WILL DROWN FOREVER BLUE IN THIS COLD WATER.
Quinta-feira, Novembro 10, 2005
Profecias inacabadas do nosso passado (parte I)A beleza do que foi, daquilo que ninguém lembra. Apenas tu recordas, tem-la cativa numa palavra que se quer soltar. Guarda o segredo, cerra os lábios com força. O Céu está a cair, mas não o digas a ninguém. Rodopias em torno dos teus pensamentos: “o Céu vai cair!”… Reúne o que não queres perder, diz o que te falta dizer. Amanhã não acordarás para um novo dia, amanhã será apenas uma memória.
O arrepio e o temor de arder, a vontade de permanecer.
Nos teus olhos, para sempre uma palavra;
Nos gestos, um fogo que ainda lavra.
D evolve ao Céu o altar que lhe furtaste,
Em nome da beleza que violaste.
Não és o senhor deste mundo.
Pediste-lhe demasiada liberdade,
Que o que ele te devolve agora apenas é SAUDADE!
...
Quarta-feira, Novembro 09, 2005
How much did this girl’s smile move you?Quanto te moveu o sorriso desta rapariga?... Faltaram as palavras, eu sei, mas ela não as conseguiu dizer. Encerraste-a numa foto a preto e branco que guardas, mas para a qual não olhas. Esqueceste o sorriso dela? Ela não esqueceu o teu... Vive agarrada a ele, como a única crença que possui. Presa no contraste entre o branco e o negro, do amor e da tristeza; ela luta para que a escuridão não a tome. Quem ama, no fundo, quer continuar a amar. Apenas desejava sentir o mesmo do outro lado.
Uma vez, ela disse-te que não via as pessoas como num espelho, que a imagem que via não era a que os seus olhos lhe devolviam. Não a compreendeste, P.
As palavras diziam, na verdade:
“Despe-te das imagens primárias e encara a rapariga que vês cair. Toma-a nos braços. Se quiseres, se puderes. Experimenta o calor do Sol deste jardim de Inverno. Aqui tudo parou no tempo. O que vês não está gelado, são apenas cristais que fiz das minhas lágrimas. Não são frias, P: elas ardem-me na face. Dói-me saber que o que vês, não o é; e que o que viveste, não recordas. É por isso que não conto mais as horas e que me esqueci do meu nome. Espero uma permissão e uma identidade.
Foste a morte de um sorriso. O meu sorriso.”
Quanto te moveu esse sorriso, P.?...
Domingo, Novembro 06, 2005

Le Musée des Horreurs
Sábado, 16 de Dezembro de 2001.
Estranho lugar, esse de que me falaste. Despertaste-me a curiosidade, tive de o visitar.
À entrada não tinha nenhuma placa ou aviso, apenas uma porta entreaberta que convidaria qualquer um a entrar. No interior, facilmente percebi tratar-se de um museu, mas muito estranho. É um sítio onde os nossos medos estão expostos como se de obras de arte se tratasse. As personagens dos pesadelos, as palavras que ficaram por dizer, as perturbadoras imagens que ficam gravadas na memória... Uma espécie de viagem pelos nossos tormentos. Vi com os meus olhos uma sala repleta de aberrações em pedestais, como se fossem deuses. Vi um vulto, esse vulto era parte de ti. Uma parte desconhecida e surpreendente. Afinal, também tens um lado obscuro. Encontrei igualmente o meu. Assustei-me e fugi. Rapidamente, encontrei a luz do exterior e saí, fechando a porta com força. Como senti que não consegui perceber quais os meus medos são, tentei uma nova visita, mas a porta não mais abriu. Certas coisas não acontecem mais. Não devia ter desperdiçado a minha oportunidade para enfrentar os medos. Nessa acção pode estar a solução para eles.
Estranho lugar… Museu dos Horrores, deve ser o nome. Poderia ter sido muito útil. Confesso que, por vezes, nem sei bem o que temo...
Título original de Brigitte Fontaine.
Pintura de Edward Munich, "O Grito". (Thank you Carolina!)
Terça-feira, Novembro 01, 2005
RedNa imensidão do escuro, surge uma rosa vermelha que, subitamente, acaba em chamas. Não esqueço esta imagem que fez da minha quietude, uma agitação maior; do medo, revolta. O amor, como certeza inabalável, estremeceu. Aquele sentimento acabou ali para ele, com a rosa que lhe ardia na brandura celeste dos seus olhos? Uma lágrima deu-se a conhecer. Veio por ele, cai por ele… O amor está-me no coração, nas veias como um mal do corpo. Combatê-lo é também destruir quem o comporta. A raiva era demasiado densa, mas será que ele queria mesmo queimar a rosa e, com ela, todo o amor?... Não olhei para as mãos trémulas, pois a razão para viver era a mesma que tinha para morrer: amava-o. Continuei a fitar a rosa e o fogo que lhe evaporava a seiva, desejando que aquele fosse o fim. O FIM para o que me magoava e para a palavra que me sufocava: amor. Mas a rosa ainda arde, como se a vida brotasse de dentro de si. Espero o dia em que ela vai estar, por fim, vazia.
P.: escrevo isto porque ainda sei o teu nome.
Domingo, Outubro 30, 2005
NaufrágioQuinta-feira, 13 de Dezembro de 2001.
15:00, aula de Francês.
Espero que naufragues a meio do teu caminho. Espero que chegues onde sempre quiseste e lá fiques para sempre. Só este naufrágio te pode salvar, salvar-te do mar de amargura onde navegas há demasiado tempo. Quando chegares à paz que te prometeram, pensa naquilo que fizeste e nas palavras que deixaste por dizer. Pensa também naquilo que disseste e não foi compreendido. Não o faças para lembrar o passado, isso sempre traz as más memórias e elas possuem-nos de tal maneira que não nos deixam ver a luz que nelas próprias existe. Pensa apenas que essas coisas não vão mais acontecer. Não precisarás de dizer uma única palavra, falarás com os teus pensamentos. Bem-vindo ao Paraíso, não tenhas medo de naufragar.
Dedicado aos barcos que agora naufragam por não conhecerem nenhum porto seguro.
Sexta-feira, Outubro 28, 2005

Butterflies
As borboletas parecem procurar-me para, só então, morrerem. Encontro-as nos cantos da minha casa, encontro-as no jardim… Parecem querer entregar-me as suas asas cansadas, para que eu volte a voar. Querem levar-me mais além, a um lugar onde os movimentos acompanham o voo dos meus pensamentos. Não me querem neste sítio estático, onde as minhas ideias não têm espaço para abrir os braços ao mundo.
Aprecio a beleza e a delicadeza das borboletas, as cores que têm nas asas e que as fazem voar. Comove-me a generosidade que mostram para com a minha falta de liberdade. Procuram-me, sobretudo, borboletas laranja, para me trazer o Sol e essa luz que não vejo há demasiado tempo. Acho até que já a esqueci…
Talvez um dia as asas sejam suficientemente grandes para me levantar. Talvez, um dia, as borboletas não precisem mais de deixar as asas a meus pés…
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
Flowers...

Ocorreu-me que as flores que partem são tudo o que o silêncio não diz. Morrem por amor. Por palavas que não se conseguem dizer. Têm um pouco da alma e da vida de alguém. Têm nas pétalas que caiem, as suas lágrimas doces ou amargas... Tenho o costume de guardar as flores que recebo, dentro de livros. Recuso desfazer-me delas. Acredito que o sentimento permanece, independentemente de tudo. Todo o amor é pouco, cada pétala esconde um tesouro demasiado valioso para se perder... Escondem em si os segredos de quem as deu. As palavras que as acompanharam, o silêncio que depois pairou sobre nós. Podem ser um último presente, um 'até sempre'. Trazem consigo a voz de quem não mais pode falar... Estranho, aparentemente sem significado relevante, mas, na verdade com tanto por contar...
Quando foi a última vez que ofereceram flores?
Terça-feira, Outubro 25, 2005

E houve um dia em que tudo parou. Olharam a chuva como a redenção, como o renascer das suas vidas. Antes, tudo havia sido cinzas, morte... Dantes, acordavamos para um mundo em sucessiva destruição: um mundo de fogo, onde a única luz era a das chamas que consumiam o pouco que restava. Uma luz maior surgiu, então. Uma chuva desceu para molhar o chão deserto. O arco-íris surgiu. Senti o arrepio da Esperança. É tempo de viver. Sacode as cinzas, apaga o fogo que ainda arde nos teus olhos. Pega nas tuas armas e luta a meu lado.
Sorri! Chove sobre as cinzas!...
Quais as cinzas que ressuscitariam nas vossas vidas? Qual o vosso pedaço perdido que lembram com mais saudade?...
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
Dark Side of the Moon

A alma precisa de um corpo. Por mais que custe aceitar, o mundo é feito de actos, não de intenções. Falar com o pensamento, é impossivel à condição humana. Fica muito por dizer, perdido por entre este silêncio gritante. Fica muito por fazer e ver. As palavras sufocam, os pensamentos enlouquecem. Tudo o que não é materializado, perde-se e desaparece no ar. Fica o vazio, a frustração que consome... E se um dia acordassem para um mundo sem luz, som e movimento? Isto é sobre um labirinto parado. É sobre querer e não puder. Estar amordaçado, preso a um corpo. Falo sobre cair e não compreender. Porque há corpos que precisam de alma... E de acordar. A vida tem um lado com menos brilho. E que precisa de ser amado. Como a Lua.
































