Chuva Sobre Cinzas

E houve um dia em que tudo parou. Olharam a chuva como a redenção, como o renascer das suas vidas. Antes, tudo havia sido cinzas, morte... É tempo de viver. Sacode as cinzas, apaga o fogo que ainda arde nos teus olhos. Pega nas tuas armas e luta a meu lado. Sorri! Chove sobre as cinzas!... Sofia Neves, Mary Of Silence.

A minha fotografia
Nome: Mary Of Silence
Localização: Torres Novas, Portugal

Tudo o que não sou. Um pedaço de nada que procura (ser) algo. Uma flor branca enegrecida pelo tempo, um jardim de Inverno, uma rosa em Dezembro. Espelho quebrado, diz-me quem eu sou, que realidade é a minha. Pois não sei quem sou, nem onde estou. Apenas sei quem fui e o lugar soalheiro que deixei para trás...

Domingo, Novembro 18, 2007

Chorar por um amor não é o meu género. Sei que, de todos os bens, esse é o mais efémero. Se a palavra for "adeus", fico triste e só te peço que nunca afastes os teus passos dos meus.

Domingo, Novembro 11, 2007

Sobre Arder
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Não quero banhar-me nas minhas lágrimas, afogar-me em tristeza quando apenas busco a verdadeira beleza. Os desígnios do que é belo morreram em mim. A vida fez-me assim. Pergunto-me como consigo sorrir e nada sei. À vida encanto chamei, mas agora apenas conto desengano. Enfim, sobre a minha existência repousa uma lágrima, tanto que dela eu bebi, mas a esperança ainda não perdi. Porque quando perder estarei morta, pois recuso-me a ter uma realidade que em nada me conforta. Afogo-me em tristeza e tenho a coragem de dizer que do mar vou voltar. Tenho alguém, pacientemente, à espera do tempo em que o mal não mais me encerra. Ensina-me como os teus gatos resistiram às suas lágrimas, diz-lhes que as minhas ardem-me na face como
severas chamas.
Serei tudo aquilo que sonhei. Não responderei mais ao nome de ninguém, pois sei que sou Alguém muito mais alta que os demais. Mostra-me essa estrada por onde vais e leva-me contigo. Adivinho muito mais ledo o nosso destino.
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Pintura de Salvador Dali.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Levar-te pela mão para nunca te perder o meu coração. Choram os teus gatos com saudade, choro eu porque me falta a liberdade. Guia-me até ao tão luminoso dia, naquele momento em que apenas serei alegria. Um tempo sofrido não quer dizer que alguém tenha morrido. Não morri nem tão pouco do doce bem eu me esqueci. Morrer seria muito melhor sorte, mas, impelida pela vida, continuo a lutar para que toda a felicidade te possa mostrar. Choro como os teus gatos, mas garanto-te que esta música de viver não conhecerá mais desacatos.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Choro Amor
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O amor nunca me deu nada, sempre foi uma esmola que me fazia sentir menos condenada. Cruel atrocidade, sabia que nunca eu poderia ser amada. Chorava e nunca nenhuma dor ali acabava. Morria eu e estou certa de que mais nada morreu. Não, o amor nunca me deu nada, só eu sei o que perdi nessa estrada. Chorei amor e apenas recebi dor. Ousadia é o que chamo a querer-te, persistência de te amar e de todo o meu ser te entregar.
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Pintura de Salvador Dali.

Terça-feira, Maio 22, 2007

Desaparecida, é como eu quero ser tida. Estou triste e bem lá no fundo, mas não se surpreendam quando ascender ao topo do mundo. Que apenas é dos outros a alegria é um mero pensamento que eu tive noutro dia.

Terça-feira, Maio 15, 2007

Acabo Em Ti
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Tenho saudades de quem nunca vi . Meu amor, moras no meu peito e julgo que, antes do próprio Tempo, te conheci. Gentil lugar, ainda espero o dia em que o Sol irá brilhar. Tenho tantas flores só para te oferecer. És o meu doce e eterno jardim, aquele onde gostaria de adormecer. Voltei a ver nos meus sonhos tristes campos de malmequeres descarnados, tanto que é o receio de te perder que me sinto a morrer em dia de severos tornados. Eu sei que há muito pior dor, mas eu guardo este amor como um tesouro de quem ainda nada tem. Seremos príncipes sem desdém, pintaremos as feições da alegria e iremos saber que nada mais temos a temer. O meu mar não quer que de mim te percas, quer apenas que o teu valioso coração me continue a amar. Fui náufraga abandonada nas frias ondas da desilusão, nunca me deram a mão, tão convictos que estavam que este coração não valia nada. Meu terno amor, foste a única alma a dar-lhe o merecido valor.

Tenho saudades de quem nunca vi, amor, eu tenho saudades de ti. Esperam-nos soalheiros dias de muita alegria, e confia em mim: este é, de toda a tristeza, o fim.
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Foto de Pedro Mendes.

Quarta-feira, Maio 09, 2007

O azar chegou e decidiu comigo ficar. Fui amaldiçoada, passei a não ter direito a nada. As bruxas dormiam na minha cama e entretiam-se a apagar do meu destino a sua chama. Minhas bruxas, encontro-vos a cada esquina, mas asseguro-vos de que não atrapalharão mais a minha sina. Dormirão numa diferente cama e de condenada passarei a não ter fama. Era negócio a minha alma, mas posso dizer que estou disso salva. Não haverá morte, apenas uma leda sorte, fechando a porta da rua a todo o mal e abrindo uma janela por onde me alcançará mais do que o bem inicial

Terça-feira, Maio 08, 2007

Alegre Dança
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Sou um anjo desterrado do mundo celeste, um anjo em Terra que por este imperfeito lugar erra. Toda a gente quis que caísse, que o meu coração dormisse. Não sei porquê, se foi melhor para alguém desconheço no quê. Temida queda, a seguir levanto-me! E desta vez é para sempre, nunca mais terei de no chão deixar-me. Tanta felicidade, tanto prazer, mas garanto-vos que a vida é mesmo a doer, quanto mais o vosso valor brilhar mais disso se irão aperceber. Foi a vontade de morrer que me fez pegar nas armas e lutar para viver. Houve um dia em que a força era tão escassa quanto a alegria, mas aí eu vi o bem que esperava junto de mim. Nada é eterno, nem mesmo este Inferno. Agradeço ao músico que não tomou a perdida bailarina nos seus braços para a tentar impedir de cair. Não, o seu coração apenas queria dormir. Acredito que essa dor foi um fundamental passo para a salvação. Tanto mal por um maior bem, este gracioso destino não podia ser o de mais ninguém. Obrigada esperança, obrigada vida madrasta, este valor dos demais em muito contrasta.

Era mesmo num sonho luminoso que me erguia e respirava um ar voluptuoso. Agora é fantasia, mas será verdade, um dia. Não tardará, a triste bailarina dos meus pesadelos tornará. E ela dança em nome de uma doce mudança.

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Quarta-feira, Maio 02, 2007

Meu Deus, poderá mesmo ser?... Acabou toda a dor, mas o meu espírito permanece por o saber. Talvez seja cedo e íngremes estas linhas onde escrevo, mas sei o final da minha história e sei que o mal não deixará em mim nenhuma nódoa. Prosas do meu triste sofrimento, tendes findo o vosso momento.

Domingo, Abril 29, 2007

Bruxas da Minha Rua
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Para cada grande pessoa há, sempre bem escondidas, uma ou duas bruxas ditando que essas vidas estão perdidas. Penso que não morri apenas por teimosia, por mero capricho de quem nunca teve alegria. E acabavam-me assim, em amarga dor, com grande sofrimento para mim. Mas não será, sou pior do que tudo o que mal me possa querer, sempre fui a fada de mim mesma sem o saber. Descobri as bruxas: estão ali na minha árvore preferida, aquela a que chamei de Vida. Com elas, não poderiam os seus ramos crescer e a luz obter. Cortar o mal bem fundo, assim decidi para o que não estava bem no meu mundo. É uma espécie de visita ao escuro da qual eu já não tenho medo, já sei bem que na escuridão não existe nenhuma gentil mão. Existe quem condene, quem se julgue alto em espírito e com desmesurado desdém aos mais infelizes acene. Nunca eu poderia ser assim, esse vazio sempre esteve longe de mim. Plantem flores nas vossas almas e saibam quão belos são os jardins. Sei que esses campos são a eterna casa de ervas sem valor algum, mas as funestas coisas sempre cultivaram a mesma má semente para terem esses fins. Ninguém tem o que merece, idos estão os tempos em que essa era a minha prece. Agora, persegue-me um feroz lobo e, escondida no meu jardim, peço força na minha oração. Não sabem com que dificuldade eu corro…

Mas já disse às bruxas que, por teimosia, não morro. Tenho força para muito mais, aguentarei até esta dor e as feias bruxas decidirem ficar no cais.
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Pintura de Pedro Mendes.

Domingo, Abril 22, 2007

Alguém se esqueceu de voltar, perdido no cabo do mundo, permanece por se encontrar. Também não sabia quem era, olhava a minha vida num espelho quebrado e não achava amanhã, para ser sincera. Estou perdida, mas não me perdi. Sei por onde caminho, sei que estou a alguns passos daquele lugar lindo que nunca esqueci. Dele me despedi dizendo ”Até amanhã”. Nunca esperei, mas jamais desacreditei. Viver é complicado e esperando parece que nunca se chegará a nenhum lado, mas eu vejo o meu tesouro, esperando num tempo em que todas as lágrimas serão de ouro.

Terça-feira, Abril 17, 2007

Melro
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Sr. Melro, ensine-me a alegria até chegar o tão desejado dia. Queria uma canção bonita para lhe cantar, pois o seu coração está cansado de esperar. Sabes o que é amar quem não está no teu ninho? Tão triste que é e, por mim, ele anda sozinho. Os meus amigos nunca souberam o que é a solidão e eu e ele acabamos sempre abraçados a ela, sem qualquer razão. São reis dos seus dias e, do alto da sua felicidade, observam com desdém quem sofre e é, sem alegria muito pobre. Mas sei bem que a alegria não é riqueza, quanto muito é beleza. Não faz as almas maiores e, no fundo, mostra que essas sim são, de facto, muito pobres. Qualquer nota ouvida é um fantasma sem alma, uma mão que ninguém salva. O meu piano apenas chora ao ver que eles não são somente porque não querem ser. As minhas sinceras sinfonias não sabem o que mais fazer perante esta demora. Amo-o e ele que confie em mim: o sofrimento está no fim. Está longe do meu ninho, mas cedo ele deixará de estar sozinho.

Sr. Melro, ensine-me a canção e a alegria. Sei que me pode ensinar isso tudo, apenas não sei por que se veste de luto. Também eu me visto assim e não queria mais que alegria em mim. Invejo-o, Sr. Melro, mas sei que a alegria virá e a minha vida terna será.

Havia uma rapariga que poucas vezes viu o mar, mas que sonhava nele ser sereia e tua senhora para a vida inteira. Um amor profundo como aquele lugar. Não tinha mar, banhava-se no das suas próprias lágrimas. Assim ela te quer amar. Sonhava contigo no mar frio, submersa em tristeza e dor sem fim. Tenho-te muito longe de mim, mas para sempre quererei ser a sereia, esperando por ti na maré-cheia.

Sexta-feira, Abril 13, 2007

Dia de Tempestades
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Mandava-os a todos para o Inferno, se não estivesse lá a morar. Não, isto não pode ser pagar, pois nenhum mal fiz nesta vida que nunca quis. Não escolhi, mas há quem pense que esta realidade me fica muito bem a mim. O tempo que perco apenas é meu e ninguém se preocupa com o que não é seu… Mártir de predilecção e nunca ninguém lhe dá a mão. Vocifera dentro de mim uma agreste tempestade, dêem-me calma e um pouco de liberdade. Não quero morrer de tudo consciente, mais valeria estar completamente demente. Já dancei com a dama de negro tanta vez e nada temo, apenas receio os homens que me fazem crer na minha pequenez.

Nunca tão em baixo, sinto que estes ventos me torturam. Pergunto quando e parece que a resposta é nunca… Acredito nas palavras, embora saiba que muito pode ser o que elas turvam. Creio em tudo e nem sei porquê, talvez porque sou incapaz de conceber tamanha malvadez.

Acredito no jardim sem fim, no lugar soalheiro onde ele mora, mas esta dor é maior que tudo. Enche-me o coração de lágrimas e, na tempestade, ouço o clamor que chama pelo meu amor. A minha vida está ferida, mas enquanto a tiver jamais estará vencida.
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Foto de Pedro Mendes (Para sempre, os filhos da tempestade...).

Domingo, Abril 08, 2007

Havia um campo de pirilampos, de belos e antigos encantos. Não me pertencem agora, mas esta mão que se enche de nada promete tudo ter, dar vida ao mais completo ser. Neste campo, cada luz se acende por um desejo, aqueles por cuja concretização eu tanto anseio. Brilharei e, na minha solene dança, não cairei. Mil e um desejos acesos como beijos. Sorrirei e à luz dos pirilampos voltarei a saber dançar e cantar.

Sexta-feira, Abril 06, 2007

Ninho Por Encontrar
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Fui o castigo de mim e seria sempre eu a suportar esta cruz até ao fim. Nem mesmo aqueles loucos a quem esta realidade muito seduz…Não, essa gente nem sabe o que diz, para sempre será privilegiada e nunca sofrerá nada. Foi até hoje um castigo ser quem sou, mas a minha vida saberei curar e irei, talvez, calar essas más pessoas que não souberam senão falar. Disseram-me que será para sempre. Nunca mais esta dor, toda uma vida a meu favor. Custa crer, continuo sem ver a salvação do meu ser. O filho que nunca tive deve andar triste e perdido chora o meu coração, preciso dele comigo. Será mesmo este o caminho? Acredito, mas desespero. Já acabou o tempo da paciência, é com agrestes tormentos que espero.

O pássaro da manhã já se levantou, contente e rindo como sempre. Talvez seja a hora de me deitar, pois adivinho que nunca mais se irá ele calar. Passarinho, procura bem no teu ninho o meu filho lindo. Escondeste-o lá? A vida nem sempre é clara, mas sei a quem é que a minha sorri e perante quem ela pára.
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Pintura de Manuel Soza.

Sábado, Março 31, 2007

Não, meu amor, eu nunca quis estar infeliz. A dor parece que ainda dói mais, pois do meu coração tu nunca sais. Quero o que longe está, mas já te disse que o futuro não nos atraiçoará. Espera-nos um jardim eterno, não apenas porque ele é belo, antes porque verei o fim deste inferno. Eles nem sonham o quanto custa erguer um sorriso para quem permanece assim perdido. O encontro tarda, mas promete vir em auxílio de uma alma que pela fria fatalidade jamais se deixou ir. Não temo o dia de amanhã, pois possuo uma vida que brilhará e que nunca será vã.

Sábado, Março 24, 2007

Meu Gato, Não Ames
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Toda a noite o meu gato chorou e nunca ele se acalmou. Pelo amor dela, acendeu mil velas e julgo que, ainda assim, ele o irá ver morrer. O meu gato não se interessa por aqueles doces encantos, apenas gostava de acordar sem quedar num dolente pranto. “Será esta a magia de amar?”, pensa ele. Em toda a vida, aquele coração não soube senão dar, agora pensa nas velas e em as apagar. Já lhe disse que é tarde demais, que este sentimento é como um rio que se encaminha, sem retorno, para o cais. Coitadinho, o meu gato anda triste e sozinho. Pelos jardins, de mão dada com a solidão parte e ouve os pássaros que fazem de rir quase uma arte. Os outros gatos que o vêem nada sabem, mas no seu pensamento é sempre impossível uma viragem. Quem não lhe tem amor faz dele um altar à dor. Avisei-o de que o sofrimento traria a todos o esquecimento. As pessoas acham bela a perfeição, nem sequer interessa se nelas bate um bom coração.

O meu gato olha o amor como o perfume louco por que vale a pena morrer e tudo perder. De manhã, ele acorda e pergunta-me para que servem os doces sentimentos, e eu vejo a minha vida e respondo: “Meu gato, esses sentimentos servem para sofreres e de ti te esqueceres. Servem para outras meninas irem brincar com as borboletas do teu lugar. No fundo, não servem para nada, olha e vê como sou dos mais tristes seres do mundo. Não queiras o amor, ele apenas te trará temor.”Diante dos seus olhos, desfaz-se o encanto e o meu gato é somente pranto.
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Foto de Pedro Mendes (no que pensaria Marcelo?).

Quinta-feira, Março 22, 2007

Inebria-me com o teu amor,
Esse perfume da poesia.
Canto, esquecendo a dor.
Meu amor, penso em ti todo o dia.

Morta, Concedo-te Vida
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Ó Morta, vai dizer-lhes que estás viva, pois toda a gente está disso esquecida. Musa da poesia, minha companhia de todos os dias, és tão bela sem o ser, aquela parte de mim que não sei temer. Morta, o encanto morrer é o de voltar a nascer, sei da chuva e sei também que da minha vida vou ser mãe. Crio vida onde ela não existe e cedo deixarei de estar triste. Mas é sempre tarde para o coração, o meu amor nem imagina a minha aflição… Que sentirá quem tão longe está? Os meus beijos que, no fundo, apenas de quem ele quiser é que são, será a mim que os dará?... Vida maldita, quero-lhe tanto bem. Podia não ser nunca, mas receio que seja tarde para o fazer de mim refém.

Ó Morta, tanta vida que corre em ti, a tua esperança eu nunca perdi. Guardo esse tesouro, nele brilha o bem vindouro.
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Pintura de Salvador Dali.

Domingo, Março 18, 2007

Fazem de mim um monumento à dor e sou assim aclamada por quem nunca sofreu nada. Que eles não pensem que é bonito, este podia ser o fim de quem está aflito. Têm noção? Nunca mais me bateria o coração. Estive muito perto, julguei até que esse destino seria certo. Mas não, a vida deu-me a sua gentil mão. O sofrimento foi para mim apenas uma fria e severa escola, mas agora permitam-me não aceitar mais esmola. Dos fracos nunca se fez história nem alguma vez dessa fraqueza se viu glória.

Sábado, Março 17, 2007

Espero...
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Acordo a pensar que te perco, pois da solidão estou demasiado perto. Desespero, no meu peito vive por ti um amor sincero!... Meu amor, tão grande que é esse temor… Zanguei-me com o tempo, ele não me dá aquilo que lhe imploro a cada momento. O bem não acha em mim sorte, pensa que eu sou um final, uma forma de morte. Abandonada pelo bem, troça de mim o tempo também. Dá-me sempre mais um dia deserto de alegria. Meu Deus, até quando?... Não podem estes olhos encher-se de maior pranto.

Amor, leva-me pela mão naquele caminho que adivinho bem pertinho, aquele que com bonitas palavras nos liberta o coração. Diz-me muitos amores-perfeitos, algo que me torne a vida e o ser escorreitos. Planta em mim muitas doces felicidades e ruma comigo até ao dia em que te responderei LIBERDADE.
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Pintura de Salvador Dali.

Estou cansada de ver o Sol e de saber todas as palavras de outros que certa gente põe na sua boca. Pudesse destruir-lhes o feio anzol que tudo furta… Esta gente tem uma sabedoria diminuta, mais do que uma tristeza demasiado curta. Talvez um dia … Ma sei que a minha índole apenas consegue dar alegria.

Quinta-feira, Março 15, 2007

Os Meus Amigos
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Lindo jardim onde os pássaros levam as suas vidas apenas a rir de mim, as flores pintam-se num triste lamento e choram as suas pétalas a cada momento. Num cemitério onde tento erguer vida, todos me entoam cânticos de despedida. A ajuda é dada de boa vontade, mas apenas para cair, é verdade. Agradecer-lhes-ei tanto, naquele dia em que direi que pela minha vida sinto muito encanto. Muito mais longe já estive, mas agora grandes sinais tenho que a minha alegria me motive. As referências à morte chocam? Nada é pior que o sofrimento, pois assim nem é livre o pensamento. Na minha vida, não há cinzas que não tornem nem meninas que correr não podem. Tudo será lindo, até essa má gente, pois também eu estarei contente. Nunca pensei que mais que me morrer a vida, ela renascesse com poucas feridas. ´

É certo, ninguém se sentiu como me senti, ninguém se perdeu onde me perdi. Se algum dia acharem que estão perto, eu responderei que essa dor foi semelhante à de uma desilusão de amor. Acreditem em mim: eu ainda choro, mas recomeçarei a partir daqui.
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Imagem: pintura de Manuel Soza e artwork de Mary Of Silence.

Sábado, Março 10, 2007

Apenas tem alegrias quem é ruim e nunca essa sorte me calha a mim. Não sei como é a malvadeza, por isso, podiam conceder a esta vida mais beleza. Olho a gente da falsidade e vejo-a cantando e rindo, contentes com a sua liberdade. Têm livros cheios de palavras de outros, mas sinto-as tanto como minhas.... Parece até que não fazemos sentido sozinhas . Sem os outros não seriam nada, mas apenas eu sou assim condenada. Porquê, não sei . Julgo que tudo dei…

Terça-feira, Março 06, 2007

Amor Inocente
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Ama-me sem saber o que essa palavra quer dizer. Desenha um sincero arco-íris da minha à tua essência, quero sentir o teu coração como nos idos tempos da nossa inocência. Traz esses momentos até ao nosso dolente presente e ilumina-o de cor. Acredito no caminho que a felicidade trilhou e que, com muito amor, me deixou. Quem diz a uma existência que está condenada a ser infeliz? O maestro que em cada gesto obriga a dar um passo em falso… Julgo que esse senhor tem mil demónios no seu encalço, e estranho que apenas ele seja detentor de uma vida de eterno tamanho. Já não sei viver, estou demasiado costumada a sofrer. Apenas sei as tristes melodias que o maestro me ensinou, mas a minha alma nunca as cantou. Acreditei num bonito dia, com muitos laços a unir-nos à alegria. Em breve, estará diante de nós, mostrando que nada mais teremos de atroz.

Gostava de nada saber, ser um livro onde pudesses escrever. Ensina-me a amar, pois em tudo deixei de acreditar. Esse tímido sorriso liberta-me, volto a ver felicidade e esperança. Sorrio, fecho os olhos e sou de novo uma feliz criança.

Domingo, Março 04, 2007

Um dia, o velho mocho partiu pela noite dos seres tristes e, na cerrada escuridão, disse: “Cedo será dia e terás a tua alegria, mas tarde o sentirá o teu coração… Limpa as tuas lágrimas, a menina não te acha bonita a chorar. Vem com as borboletas brincar, elas sabem como o teu nome se diz, conhecem o caminho para seres feliz. Tantas morreram aos teus pés para as suas asas te poderem entregar… Agora podes sonhar; sorri, pois finalmente chegou o profetizado tempo em que a chuva cairá sobre ti e acabará da tristeza o seu longo momento.”
Sr. Mocho, não o esperava aqui.

Sábado, Março 03, 2007

Amiga...
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Ó Morte, eles não entendem. Eu não gostava de ti até saber que me odiavas. Agora, o meu amor por ti é confesso e ostento-o para todos verem. Coisa atenciosa, levas todos menos a mim, que toda a gente saiba que apenas o meu sofrer irei perder. Não preciso da Morte e ela não é louca: de mim também não precisa. Em vez do meu corpo, planta flores para a Primavera que pedi. Não nunca esqueci: não parto apenas porque julgam a minha alma à Morte encomendada. Essa gente está completamente enganada, perdem-se a julgar, jamais a profetizar. Bem vos digo, a Morte odeia-me e tão depressa o fim não me vai dar. Como poderia eu não a amar?!... É ela que me planta frondosos campos, cheios de flores que não ouvem mais prantos.

Morte, gosto de ti assim submissa, pois em me levares tens muita preguiça. Odeia-me tanto quanto te amo; sei bem que não posso ser eterna, mas pelo teu nome eu não chamo.

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Flores de Pedro Mendes ( a Primavera não escapa).

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Adormeço sem que pela minha vida sinta qualquer apreço. Eu sei, o Sol vai hoje a enterrar: a luz desapareceu e os pássaros não param de cantar. Sr. Rouxinol, se pudesse matava-o a si e a todos os seus amigos, já não os posso mais ouvir, pois a todo o tempo vos sei de mim a rir. Sim, condeno o Sol e os passarinhos a morrerem, mais do que a não existirem. Até foi mau presságio a alegria, pois sei bem o que choro neste amargo dia. Acreditem, só perdemos o que para nós existe. Então, melhor acabar com tudo neste mundo, assim não perdemos, bem lá no fundo. Sr. Rouxinol, pare de rir de mim e dê-me o tão desejado fim.

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Morte, Minha Amiga
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A Morte que venha ter comigo, eu ensino-lhe umas verdades sobre a Vida. Nada mais me resta para perder, por que haveria de recear morrer? Deixa-me brincar contigo da mesma forma que tu me desenhas uma vida que dorme. Não tenho medo algum, pois já gritaste o meu nome muito mais alto e idos estão os tempos em que não tinha futuro nenhum. Vem brincar comigo, Morte, tu tens o mau nome e eu tenho esta triste sorte. Aposto a minha vida, tu não ma levas. A minha alma é detentora do corpo, algo que nem nas tuas mãos ficaria morto.

Não darei mais do meu ser, pois este dar foi sempre perder. Tudo ficará para mim, breve adivinho um fim e eu preciso de contar todos os meus trevos, coisa ruim. Os que se julgam eternos têm-te muito medo e pouco respeito. Não trago por ti qualquer despeito, somos aliadas nesta amarga vida que nos tem amaldiçoadas. Não, Morte, não vás ter com essa gente que treme só de ouvir o teu nome, mas no fim mostra-lhes qual é o comum lugar dos mortais, aquele mesmo dos que sofreram demais. Já não tenho medo, vem brincar até eu, por fim, me libertar.

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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Meu amor, todos nós esperamos pacientemente um caminho para a foz. Quero libertar o rio, e neste leito que acolhe as minhas lágrimas, vejo cada vez mais perto a minha alegria e sorrio. Desenho flores nas suas margens e pinto-as de diversas cores. Todas elas sabem o teu nome e estão certas de que, longe de ti, não há pensamento algum que não me transtorne. Pudessem elas guiar-me, serem sábias estrelas e poderem para junto de ti levar-me. Vejo diamantes no brilho deste plangente rio. O meu coração sente um amor muito maior que um momento, muito mais quente que um fogo. Por ti sou eterna, por ti morro. Por ti, busco liberdade, pois acredita, amor, eu amo-te de verdade.

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Ponte
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Esta noite contei desejos e preces, pois julguei, minha Vida, que tu me ias morrer. Fiquei acordada e, junto à solidão, acabei por sentir o dia nascer. Olhámos o meu relógio e vimo-lo vazio de horas. Nele, apenas uma melodia que chora esquecida de mim. Para quando o fim? Sei que ele me olha, mas onde não sei. Ah, aquela liberdade que nunca me proclamei… Toda a gente está feliz, mas a mim essa palavra ninguém diz. Tenho lágrimas e sangue em vez da doce felicidade. Não desisto da vida, não agora. De viver tenho eu muita vontade. Julgam-me louca, mas deviam saber que uma grande lágrima, para afogar toda esta dor, é muito pouco. Se não acabei até agora, poderia achar-me detentora de algum bem eterno, mas não desejo uma longa vida, pois também não quero mais Inferno. Sobre as flores da existência está um veneno, não existe beleza nem certeza de que a ventura nasce em nós. O rio morreu na foz, um sentimento atroz: assim é qualquer um que sinta. Um bom coroação que até no lugar do amor encontra apenas dor. Se ele soubesse o quanto desejo o seu calor…

Que se esvai ao longe no horizonte? Afirmo que não será a minha vida. A esperança é, em mim, sentida e penso que se ergue uma ponte.

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Pastel by Elise Savage.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Não sei nem quero saber das malditas almas que se riem de mim, pois a alegria promete não ter, dentro deste ser, um fim. Que belo!, toda eu um sorriso, a amar o que quiser, contemplando a última trégua de um amável destino. Beija-me, Vida, agora ou nunca, quero sentir por ti uma paixão profunda!... As alminhas, divertidas, riem perante o meu futuro, mas nem vêem que ele também me sorri e que nele perduro. Tanto mal que me desejam, mas quero que todos eles vejam que não permanecerei amaldiçoada. A vida tem muita ironia e aqueles que agora riem nem sabem que são gente condenada.

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Pierrot, Para Que Serve O Amor?
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Pierrot, as estrelas cadentes voltam ao céu. Espera por mim para juntos descobrirmos do lado negro da tua Lua o seu poderoso véu. Não encontro amor mais triste, esta dor insiste em ter longe quem está perto do coração. Abraça-me sempre esta solidão, beija-me com aqueles frios lábios, acaricia-me com as mãos que apenas para fazer sofrer são sábias. Pierrot, o amor não vale de nada, não respiramos com ele, não temos o nosso alívio nele. Mas eu amo-te e sinto-te no meu peito maior do que o mundo. No mar das minhas lágrimas acredita que, com o peso do meu amor, estou bem lá no fundo. É a isto que chamam beleza? Não pode ser, tenho a certeza. Se isto é lindo, então, preferia ter o meu corpo bailando no revoltoso cabo do mar até ele estar findo. Este sentimento é bonito somente para quem, do resto, tudo tem. Fala-me da tua doce Lua, despe-a até a sua luz conhecer dia e ficar nua. Assim quero que ela me toque, que me sinta e que saiba amar-me de uma forma jamais sucinta.

As estrelas cadentes não morrem: voltam ao firmamento. Pierrot, espera por este coração que te ama sempre, a cada momento.
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Desenho de Schömberg.

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Ó Vida, pára de me bater, pois eu estou ferida. Sei que isto é do teu sofrimento vingança porque quanto ao seu fim tenho certezas mais do que esperança. Ninguém sabe, apenas eu sei…. O que eu sofro pelos beijos que nunca lhe dei… Este amor sim, traz dor no seu coração. Nunca eu lhe pude segurar a mão, beijá-lo com prazer e ensinar-lhe todo o meu saber. O futuro é o lugar, este sofrer, finalmente, promete não mais permanecer. Julguei que nunca poderia voltar a sonhar, a menos que fosse com o dia de ontem, mas vejo em mim um brilhante amanhã, dias que quero que muito contem. Apenas te irei querer amar. Os nossos lábios juntos e sim, um beijo eterno te irei dar.
A todos os que têm medo de, um dia, vir a sofrer: saibam apenas que a vida não é nem nunca será somente um prazer. Eu prossigo com a minha viagem, pois sei que por esta dor estou apenas de passagem.

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Lá Maior
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Sabia, sem saber, que este caminho não era eterno. Caí muita vez neste lugar que tomo como Inferno, mas para sempre digo adeus a este sofrimento. Saberei qual o significado da palavra curar, pois nunca eu deixarei de acreditar. Faltam poucos passos, e será o mar de lágrimas que eu chorei a apagar o rasto do caminho que trilhei. Quero dar-te aqueles abraços e, no fim, nunca te perder de mim. Quero viver!, pois afinal sei da força do meu ser. Por que me procuram na casa dos que já morreram se, alegremente, estou com aqueles que, um dia, renasceram?... A vida vai sempre em constante mudança e, nisso, tenho muita esperança.

Não preciso mais do Sol nem do Dó. Acabarão os hinos em Lá menor, pois o que conto é muito maior. Ainda não consegui perceber o que aquelas pessoas tentam ser. Querem o valor supremo e quedam no nada, mas, ainda assim, são gente aclamada. Espero que lembrem a minha história e saibam que é com força e coragem que se alcança a glória. Esse dolente caminho era meu até que alguém a sua mão me estendeu. Acreditem que não é preciso muito neste mundo: apenas alguém que nos queira bem a fundo.

Eu acredito que irei vencer e restará na minha lembrança somente a imagem daquela que desejou não mais ser.
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Foto de Pedro Mendes (creio neste trilho).

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

A Morte lá vai, contente e vagarosa. Diz-me, eu sou forte, que existência verá o seu fim? O meu sofrimento, aquele que me abraça a mim?.... Durante tanto tempo pensei que me viesses buscar, mas afinal também procuras a dor das coisas boas para a acabar. Devem-te mais respeito, pois da vida apenas têm o proveito. No entanto, estão ali a brincar com o teu nome, Morte, uns pobres doidos que nem sabem que, no final, tu lhes calhas em sorte.
Eu acredito na mudança, coisa maldita, pois nunca te disseram que a seguir à tempestade vem a bonança?...

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Prenúncio de Liberdade
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Entendem? Não. Alguém foi passear com a minha alegria e esqueceu-se de, com ela, voltar. O meu sorriso está em todas as faces menos na minha e sei que não o encontro sozinha: a todos clamo ajuda, mas ainda este sofrimento perdura. Quero um duelo com esse senhor sem face, pois nunca houve hora em que ele me abandonasse. Acredito, e quando digo que irei vencer, não sou ingénua e louca, como se fosse tomada pela fúria de perder. Este lugar é a masmorra que, em breve, me irá libertar e julgo que tanta convicção jamais seria fruto de uma imaginação. Caminho, muitas vezes, sem chão algum, suspensa na dor vejo que não tenho destino nenhum. A menos que o construa… Não, senhor sem face, esta vida não será tua!...

O mundo é de quem o faz e, a mim, muito me apraz ser dona de um mundo que, apesar de toda a dor, jamais enlouqueceu: o meu.

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Foto de Pedro Mendes (o chão será a liberdade).

Quero renascer da certeza que te amo, pois apenas por ti eu chamo. Tão grande que é a vontade de contigo viver todas as alegrias que, a todo o tempo, receio perder a eternidade em que sorririas. Pudesses tu salvar-me nem que fosse apenas por uma noite de sonho e saberias quanto o meu rosto se mostraria risonho. Acredita: acontecerá u m dia, perder-nos-emos nos confins da alegria.

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Para Sempre Nunca Mais
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Parece que o Tempo se ri de mim, naquela sua cantiga. Mas não será ele a ditar um triste fim a esta vida. Ele devia saber que sempre e nunca não se deviam dizer. Porque o que se acha eterno pode acabar amanhã e o que se julga efémero pode nem conhecer uma palavra vã. Eu não conheço tempo nem momento para gritar ao mundo que as verdades não o são e que o mal repousa bem longe do meu coração. Triste caminho que me acolheu, mas eu sempre soube que este não era o meu. No meu há beleza, há liberdade, e não amarras e maldade. Já conheci demasiadas lágrimas, conheço do meu sangue a cor e as mágoas. Confesso que já não lhe tive qualquer amor; desesperei mas continuei. Não vejo arco-íris, mas espero um tesouro no fim. O próprio sofrimento me diz que não tarda a hora de ser feliz.

Há um para sempre que quero perder e um nunca mais que não irei viver. Desespero, mas tento dar calma à minha alma e, pacientemente, espero.

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Desenho de Salvador Dali.

Sábado, Janeiro 27, 2007

Como no meu sonho, encontra-me no florido jardim. Porque para essa fantasia não tenho a realidade longe de mim. O futuro apenas reserva alegria... Saberei qual o cheiro, qual o sabor da felicidade, pois podes crer: este é o fim do infortúnio, de toda a contrariedade.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Àqueles Que Amo
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Encomendei sete sóis e nove luas, pois não quero que esta escuridão e tristeza se sintam da luz nuas. Parasse eu de cair e todo o esplendor iria sentir. Mas, por enquanto, moro no Inferno com toda a dor que me nega da vida o amor. Silêncio! Não digo nada, sofro e choro perto da demência. Aqueles que estão comigo saberão o quanto os amo, o quanto eu os aclamo?... Saberão eles também que vou deixar de cair, em breve? O pior deste fim acabar-nos não deve. Sei, melhor do que ninguém, quanto ao ser custa, mas que culpa teremos de todo o mal que padecemos?... Vejo tanta gente com um imerecido sorriso, mas de mal nada lhes digo. Prefiro nada dizer, nem sequer querer saber.

Mas eu encomendei sete sóis e nove luas, pois eu acredito que, Tempo, estas horas deixarão de ser tuas.

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Pintura de Van Gogh.

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Adeus, Diabo.
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Sei das cunhas que vos deu o Diabo, uma bela vida em troca da mentira e da maldade. Continuo abraçada à verdade, mas por estes sofridos trilhos não acabo. Vejo que a luz existe e irei alcançá-la, pois o mal não mais me acompanhará e o Diabo nunca mais o meu nome dirá. A criatura vai ficar de lábios selados e sei: a minha vida curarei.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Desejo a Liberdade
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É noite cerrada e o rouxinol, sozinho, chora. Quão injusta pode ser uma vida? Vem, eu mostro-te, pois também eu ando perdida. Desconheço deste labirinto a saída, mas sei que as nossas lágrimas não podem guiar os nossos passos até ao ambicionado lugar. Não busco o Paraíso, apenas algo que nos meus lábios desenhe um sorriso. Sei bem, rouxinol, custa tanto estar neste mar de mágoa à deriva, buscar no escuro a luz quando se é cego. Decidi: ao destino me entrego, vou onde ele me levar, pois acredito que não existe pior lugar. Vamos, apenas temos uma imperfeita vida a perder e ela, assim apenas nos faz doer. Não importa, não importa. Pois apenas temos uma existência que segue uma sina torta. Por vezes, o desespero é tanto que desejo morrer. Mas não eu quero viver! Apenas ambiciono deixar de, em vida, desfalecer.

Rouxinol, eras a beleza da eternidade, mas até ao que é belo morre a liberdade. Estamos perdidos, sim, mas o nosso livro não termina assim. Mais umas quantas páginas, mais umas tristes lágrimas e teremos, para o nosso sofrimento, o FIM.

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Pintura de Manuel Soza.

Sonhei que tragava o teu sabor, perdida no teu calor. Era a madrugada até uma diferente manhã. Beijavas as minhas mãos que tornavam mundos do nada. Fantasia, dá lume a esta alegria. E, amor, se isto é ilusão, por favor, acorda o meu coração...

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

O Meu Mundo na Tua Mão
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Nada mais me conforta que contigo sonhar. Sei que é fantasia, mas que me importa? Dá-me a mão, liberta-me da minha imaginação. Procura comigo a alegria, leva-me até um novo dia. Quero ir buscar o sol que se pôs, resgatar o rio que se perdeu no mar, pois eu apenas te quero amar. Nascerão asas às minhas tristes borboletas, eu acredito, e contigo voarão até ao mais belo infinito. Não partas sem elas, pois as minhas borboletas não vêem luz senão aquela que vinda de ti as seduz. Dá-lhes a mão, abençoa o seu coração. Não sou musa para a poesia, mas tu cantas os meus sentimentos como nunca ninguém faria. Serei uma livre dama vivendo, assim, dançando nessas palavras, enfim. Estende-me o teu braço e vem comigo, com a outra mão abre-me um caminho para uma diferente sina, um caminho que não destina a com o sofrimento morrer. Diz que queres ser feliz. A felicidade? Creio que fica a dois passos da adversidade, mas eu nunca vi. Possa eu dar dois passos e jamais a dor será amarra para este amor.

Dá-me a mão, amor, estende-me um caminho sem a costumada dor, até chegar bem lá ao fundo do teu coração. É lá que eu te quero tocar, pois a alma é a única coisa que sei amar.

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Imagem de Salvador Dali.

Sábado, Janeiro 13, 2007

De cada vez que penso nos meus beijos nos lábios de outra… Tanto que o tempo custa a passar e sei que apenas o esquecimento teima em não tardar. Lembra-te de mim amor, lembra-te de mim!... Sou quem te quer bem, quem chama o teu doce nome, aqui longe, enquanto a tua alma dorme. Dá-me um eterno sonho, tira-me este olhar tristonho. Acredito que não mais irei quedar por amar, o tempo promete-me alegria como eu jamais esperaria. Lembra-te de mim e esquece a falta de lembrança, por fim. Lindo amor, penso que já não me acho sem ti...

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Menina
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Tenho saudades da menina que disse que eu era bonita. Naquela correria, ela embalou o meu sonho, melhor que alguém jamais faria. Que será dela?... Ela nem imagina que toda a beleza nada pode contra o infortúnio e a tristeza. Chora agora? Ah, se eu a pudesse salvar do futuro, sem mais demora… A vida desiludiu-me, cobriu-me a face de dolorosas lágrimas. Não quero o mesmo para essa menina, não quero uma existência que destina a não ser, que a alma faz doer.

Menina, apanha os sonhos que caíram no chão e põe-los de novo dentro do meu coração. Vou voar como o teu atento olhar, ser pássaro com asas a sonhar. Nascerão floridas Primaveras em mim, pois sim, eu acredito que este é o fim. Quero colher uma flor que proteja essa menina, bem grande como um chapéu que de tudo abriga. Gostava tanto de encontrar esse sorriso e contar-te a minha história, como com a minha fé eu voltei a encontrar a glória. Quero que saibas, menina, tu és a minha mais doce memória!...

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Foto de Pedro Mendes (nao choraremos mais assim).

Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

Quero ouvir chuva!... Afogo-me neste Inverno de lágrimas, sufoco num Inferno que me castiga em chamas. Porquê?... Se eu fosse como são, nunca eu me perderia em tristeza infundada, nunca eu traria a minha alegria ignorada. Abriria ao mundo o meu coração e sorriria segurando na minha a tua mão. Diz-me, eles são pessoas em quê?... Olham e nem sequer sabem ver, que realidade amara! Ah, pudesse a alma ser a nossa cara!...

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Primeiro Texto de Esperança
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O negro dos meus dias desvanece-se em esperança. Nunca pensei que a luz existisse, nunca pensei que a dama de branco se vestisse. Acredito, não sei, acredito. Abro os braços ao infinito e adormeço, pois sei que um dia acordarei bem, acarinhada pelo doce olhar de alguém...

Desta vez não cairei. No alto da dolente montanha, a minha liberdade proclamarei.
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Foto de Pedro Mendes.

Sábado, Dezembro 23, 2006

Dama de Negro
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Pinto as rosas com o vermelho do meu coração. Oh dama de negro, tanto sangue que ele chora! Dá-lhe a mão que ele implora!... Terno viver, parece que nunca mais acabarei de morrer, a dama de negro passeia-me nos abismos da morte e nada há que a minha alma de cisne conforte. Todos os beijos é ela que mos dá; não, eu não quero tornar lá. Isso não é amor, apenas é dor… A dama de negro é imortal e nunca mais ela me lança ao abismo sem que ouça dos meus dias qualquer eufemismo. Sim, prefiro morrer; pois de que me serve uma existência inacabada, sempre com sofrimento chorada?... Oh dama de negro, que bonito eufemismo para uma morte depois de tanta dor! Não sei como ainda me resta coração, depois de ver que os ventos da bonança jamais me encontrarão. Talvez… era bom que agora o fim fosse de vez. A minha alma de cisne não mais aguenta,, estou cansada de dançar com a dama e este espírito este peso não sustenta.

Pinto as rosas de vermelho por não conhecer outra cor. Assim, não me é bom o amor, anjos sem asas não podem voar e amar!... Dama de negro, estou farta de ver os meus dias repletos de carmim. Larga-me de vez ou dá-me o fim.

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

Acabarei esta noite em violentas lágrimas... Chama que me apaga, o meu coração bate e já nem sabe porquê, chora e desconhece o quê. Olho os teus lábios e, meu Deus!, como eles ficariam bem a pousar nos meus... Mas a todo o momento passo pela minha alegria e, tristemente, lhe digo adeus.

Sábado, Dezembro 16, 2006

Tela em Chamas
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Céu em chamas prostrado diante de mim, por que dizes que este é o fim?... Nunca esta chuva me queimou tanto, nunca os meus olhos se encheram de tão desesperado pranto... O homem do leme decerto que irá partir, todos me abandonaram buscando a salvação e ele é o único que falta ir. Ah meu coração, pelo menos que ele te desse a mão e não nos deixasse sós... mas em nós todo o mar é de lágrimas, todo o céu chora com desmedido ardor e todo o corpo existe para que o espírito sinta dor.

Tão conhecida tela, tão conhecido pintor, começou mais uma triste madrugada e eis--me aqui a declamar o meu amor. Ah meu coração, tão bom que era se esse teu sentimento não fosse em vão... Mas o teu céu é de chamas e apagas as que te queimam com as tuas próprias lágrimas. É tão triste estar desta forma perdida, caminhar sem saber se é amanhã que se apagará a minha ferida. Estranha aproximação do Inferno, não sei por que aqui continuo se o que reside no meu coração é o mais terno! Quem pensar que a morte é a pior sorte, é porque nunca esmoreceu em vida e nunca andou, assim, sofrida. Espero apenas que o tempo passe e me permita ter uma vida com muitas alegrias vividas...
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Pintura de Pedro Mendes.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Terno preto e branco da minha vida, acabas-me em violentas chamas... Esta noite não se quer dar à poesia, apenas te quer amar, sôfrega de alegria. Perderei o bosque, lançarei feitiços à bruxa, ressuscitarei a morte e, com sorte, encontrar-te-ei no fim pacientemente esperando por mim. A vida é um castigo e, neste temivel pesadelo, nem sequer te tenho comigo. Quero o bosque perdido, a bruxa enfeitiçada. a morte bem viva pois a perder-me que seja apenas no teu encanto, ao sabor do teu doce olhar e para sempre nos deixa a eternidade levar.

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Rubi
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E a rosa lá repousa, triste e esquecida como toda a memória de uma vida. Uma doce lágrima sobre ela pousa, porém o terno sopro que nela vivia partiu e não soube voltar. Julgo que apenas queria amar, mas o seu coração brilhante deu a luz dos seus diamantes e apenas um nome sob o pó desse sinuoso caminho ficou. Que memória trazes da sépia que o teu coração amou? Pouco é o sabor dessa ambrósia perante esta amarga dor. Lugares vazios, rosas secando ao agreste vento do meu perdido tempo. Assim a minha rua se tornou. Regresso a casa, procurando no chão os quebrados diamantes do meu coração... parece-me encontrar todos eles. Tomo-os nas minhas mãos, receosos e enfraquecidos. Contudo, ouço que desse apaixonado hino não estão esquecidos e cantam-me sem voz o sonho nos confins da minha alma perdido.

Mas a rosa lá repousa cativa, desconheço para ela liberdade que a possa tornar de novo viva. Talvez o tempo lhe devolva essa alegria, lhe torne a noite em dia…
Rosa de sangue, rosa de chamas, encerras em ti uma paixão e não a declamas?... Cale-se o silêncio e ouça-se o nome de sépia que a consome. As minhas lágrimas pousam sobre as pétalas um ar melancólico e triste, da minha paixão bucólica e da desventura que persiste. Sonhei que acariciava a sua doce face, o seu sorriso na minha mão!... Choro a rosa, pois ela não me chora a mim: cruel, sente o que um anjo sem asas não pod
e sentir.
A minha austera rosa põe-me a dormir na minha cama enquanto o meu coração, desassossegado, toda a noite por ele chama.

Domingo, Dezembro 03, 2006

Não sei... acho que foi no pôr-do-sol que me perdeste. Triste sina que tanto tempo demora a amanhecer. Será tarde?... Parece sempre cedo para deixar de sofrer... Amanheçam-me as lágrimas de noite triste embebidass, na minha paixão esquecidas...

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Cinzas De Uma Vida
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Salva-me uma noite de morrer sufocada em cinza. Louco pranto, fosse este o primeiro amanhecer de esperança e a última noite a acabar sem bonança. Neste Inverno triste, já as lágrimas foram suficientes para me devolver a Primavera que nunca me viste. Chova sobre a cinza dos meus pensamentos, canso-me de me ouvir sinceros lamentos. Que importa que o poeta finja, quando jamais digo o que não sinto?... Sincero choro, sincero canto dos tempos em que o tinha; agora esta vida não mais caminha, suspensa em confesso desencanto. Consomem-me os pensamentos, estes infelizes desalentos que têm aspirado o meu tempo e cuspido-o enquanto pó. Quero que a minha vida não me obrigue mais a permanecer só, a desistir quando apenas desejava sentir.

Salvem-me uma noite de morrer em cinza, a noite acaba sem bonança, mas que sorria na minha face uma leve esperança! Vão-me consumindo os tormentos, mas sei bem que quando acordar ainda arderá o impaciente cigarro da vida, com um fumo lento.
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Desenho de Pedro Mendes (eu sei que primeiro se pedia autorização)...

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

O Fim?...

Domingo, Novembro 19, 2006

Glória
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Ser tanto e, no fim, nada ser. Meu Deus, guardar a relíquia de valor mais terno nos confins do Inferno!... Quedou tudo, eu sei, quedou tudo… Na minha voz, trago apenas um grito mudo, pedindo o desterro da alma para o lugar onde toda a dor acalma. Fim do mundo, lá bem no fundo, com um sorriso triste e a lembrança que ainda persiste. Estranho, tão velhas que me parecem as memórias dos tempos em que chamava os meus feitos de “glórias”. Cruel desilusão quando eu procurava que o meu nome fosse digno de juntar ao da Perfeição. Quedou tudo, eu sei, nas palmas das minhas mãos o tempo traçou o caminho que mo diz. O tempo parou para um solene lamento de todo o seu sofrimento, e numa hora vaga assim me desenhou: irremediavelmente infeliz.

Pudesse eu subir a uma imponente árvore e contemplar, bem de perto, lá no seu alto, o Céu. Sei as preciosidades que beberam as minhas raízes, mas, no infortúnio, sinto-me como qualquer culpado réu. Ah, meu destino, pudesse eu voar com um fulgor fino, em volta daqueles que me sorriem com amor. “Dama-Borboleta”, seria; de sonhador olhar, aspirando os desígnios do Alto, sem qualquer receio de quedar, pois como aquela árvore eu ergueria a minha fé e, alegremente, morreria de pé.

“God, put down Your gun, can’t You see we’re dead?...” – Tilly & The Wall.
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Desenho de Pedro Mendes (a Arte e o seu valor agradece-se sempre – Muito obrigada!).

Sábado, Novembro 11, 2006

Comtemplo... a vaga passagem do tempo. Adeus sentido a uma vida que foi perdida sem que alguma vez tenha sido compreendida. Chão que piso, onde te tenho? Que pés sustentas tu? Os dos que não caminham? Para quê?... Eu iria muito mais além, se chão tivesse e lágrimas o meu coração não chorasse...

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Rouxinol Preto
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Amantes que não podem voar, fujam do amor de cada vez que o vosso coração pressentir que o irão encontrar. Pobre rouxinol preto, tanto que ele me avisou da dor que eu poderia conhecer, da força que poderia perder... Eu dormia sem sonhos que dele não fossem, não por escolha: somente pelo inebriamento do amor. O tempo tinha horas, tinha dias, tinha o valor que ele bem lhe conhecia. Agora o tempo é pó e leva-o o vento. Bem sei, rouxinol, a tua música terminava num ferido desalento, tanto sangue derramado sobre o meu, nas noites que se desfizeram em lágrimas e em ecos repetidos de tristes prantos.

Conheço-a bem: amigos, ela não é ninguém e, na desconfiança da miséria, parece que custa dar o que quer que seja a quem nada tem. Ela possui apenas um coração inútil que à desgraça do ser a arrasta, e um rouxinol preto que lhe grita e implora a música da alegria, mas ela olha nos vidros a chuva e as glórias perdidas e chora, e chora...
Não que seja paixão, antes a fria carícia da saudade da sua ternura. O rouxinol preto a avisou que o amor era doçura que lhe traria à sua vida negras brumas, tão negras quanto as suas plumas. Mas ela, embevecida nos encantos, nunca o ouviu, e sabe agora dos seus enganos.

O amor foi a mais linda cama onde sonhou e a mais triste cova onde se deitou. Amantes de asas quebradas, as s
audades de tocar o céu e de ser amada são por mim partilhadas.
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Painting by Manuel Sosa.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Irmã tempestade, tantas lágrimas e nunca ninguém nos vale, tanta agonia e continuamos a acordar para o mesmo dia!...

Sábado, Outubro 21, 2006

Soneto
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Anjo despido de vida, por que andas tão perdida?... Dêem-me a métrica da vida, a minha alma não cabe dentro de mim. Sou sofrida, encerrada num soneto de dor, tão curto que nem chego a encontrar o amor. Desfaleci em tempo de guerra, perdi a força e sei que as lágrimas não são válidas armas. Talvez o amor me elevasse das chamas, mas apenas sei que a mim ninguém me ama.

Dêem-me a métrica da vida, a minha alma não cabe dentro de mim. Sonetos, oh sonetos sem fim, libertem-me das amarras da dor! Dispam-me do meu corpo, não me obriguem mais a escrever torto nas entrelinhas do desencanto!... Com esta voz já não canto paixões, apenas me oiço temíveis prantos de desenganado amor. Podia ser tudo e nada sou... Porque não me ensinam a métrica da vida? Terei de continuar com a alma e o coração assim contidos? Tenho os passos perdidos na escuridão e ninguém me dá a mão. As palavras correm já sem tempo e com estes versos tardios não me contento. O amor me despiu o corpo, oh sonetos, dispam-me agora a alma! Percam-me e esqueçam-me, tal como aquele que das roupas me soube deslindar. Soneto da minha vida, a alma não precisa de corpo, permitam de mim me libertar!

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Terça-feira, Outubro 10, 2006

Maldição de Isolda
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Estranho como a tristeza me nasce nas entranhas num lamento sem fim. Sou se não um triste amor, cegos tormentos perante qualquer estrela que na minha noite perpétua apareça, que por mim zele até que eu adormeça. Voltei as costas ao mais puro sentimento, desaprendi o que me ensinaste sobre a luz miraculosa do amor. Para mim, só o renascer do ser me poderá devolver essa sabedoria. Encerrei-me sozinha deste lado da agonia, cobri-me com as floridas cortinas da desbotada alegria, preenchi o meu peito com as malogradas sombras do que sinto. No meu coração não moro eu nem ninguém, apenas mora a dor.

No meu mundo de negro amor, conta-se que todos os que escrevem sobre os males da paixão, morrem com as suas mãos no peito com um profundo e penoso desgosto no seu coração. Diz-se que os escritores se transfiguram, que se despem de si e vestem a alma de Tristão. Falam de um veneno contido na tinta com que escrevem, de magias sem dó que os enlouquecem.

Sempre escrevi a tinta invisível, tantas palavras que passavam a ti despercebidas... Os poemas e prosas eram tantas, que toda a tinta secou, mas em mim nasciam lágrimas que escreviam, que ternamente choravam o teu falecido amor. Durante a perpétua noite, as palavras cresciam na intensidade, tão doloridas que me faziam crer que escrevia com a secreta tinta que mata os infelizes escribas. Também eles, sem receio, ousam eternizar a lágrima que mancha a folha. Alquimias trocadas, talvez, dão aos que esboçam as letras, a morte que evocam. Os feitiços correm como feras na tinta envenenada, como um sangue que mata. Eu não escrevo: choro. Eternizo as lágrimas molhando com elas o papel, e sou a única que resiste à maldição de amar.

Pois que outro caminho me estendes para além do das lágrimas que a minha face fazem brilhar?... Sem memória, sem qualquer história, ponho as minhas mãos no peito e lembro que o meu nome tem mais doces letras que os de Isolda. A noite do meu ser permanece perpétua, choro e continuo sem te esquecer. A tragédia da solidão dá-me a sua pequena mão, enquanto os outros escritores tombam sobre as suas próprias amarguras e desilusão.

Com as mãos no peito, sou Isolda coberta em lágrimas, uma linda flor já sem cor. Amor, foste a mais triste maldição que manchou o meu coração!...
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Domingo, Outubro 08, 2006

Premonições
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Doce ventura, és tu quem me olha com tanta ternura?... Leva-me à outra margem da tristeza, numa nuvem clara com coração alado como o de todas as almas meigas. Que voe sobre o infortúnio sem o levar, que cante ao mar de desilusão que agora é feito de alegres lágrimas. Destrona-me do reino de perdas que construí, o maior sem glória de que há memória. Sorri para mim, por favor, sorri! Tenho vivido tanto e tão pouco, por tanta coisa passo e nada de bom levo. Na verdade, o único bem que possuía, também perdi... recordo a voz dotada de magia que, sem encanto, desenhou o fim. Pobre que sou!...

Os céus que cruzo sao os mesmos dos de todas as Sexta-Feiras 13. Muitas bruxas tentam impedir-me de chegar à outra margem, tornam os belos caminhos por que passo escuros. Doce ventura, não acredito que tanto sofrimento caiba numa vida só, mas bem sei que o futuro sempre se sela em silêncio. Ousemos tentar a esperança por uma vez que seja em toda a nossa vida.
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Photo by my friend Carolina (Obrigada, menina! O recado do texto também é para ti).
Artwork by Mary Of Silence.

Domingo, Outubro 01, 2006

Espanta-me ainda existir, amargo dia.
Foi ontem, sabia sonhar... Agora, choro uma alma endoidecida, espero-a de volta a mim, mas sei que ela está perdida. Narcisos dos vossos jardins, não comtemplam também que a vossa vida é uma preciosidade?... Enchem-na de lamentos e vaidades, esquecem que o tempo não torna.
A quem esqueceu, eu lembro a amargura deste dia.
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Na foto: palavras de Florbela Espanca.

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Morreste-me
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Morreste-me, Alegria, levada nas asas de um romance, enquanto eu docemente dormia. Havia um sonho vago, um amor triste, uma vida plena de tragédia. Toda a perfeição era apenas dramatizada, tudo cairia quando as primeiras tempestades pronunciassem o meu nome. Grito assustada ao relento, sem contar com o mais pequeno alento. Morreste-me, Encanto, o destino assim te desenhou o fim. Sangue frio corria sobre mim das feridas do que sem sopro estava já. Com quentes lágrimas te tentei restituir à vida, mas o cruel destino nem me concedeu um último beijo de despedida.
Choro a tristeza na qual mergulhei, nada mais me faz respirar. Um solitário e triste fim de cisne em Veneza, sem máscara a ocultar a pesada lágrima do desencanto do romantismo e da vida Os meus dias, dou-os a quem quiser ter mais um, pois não anseio por mais nenhum.

Morreste-me, Vida, os teus lamentos são de verdadeiros sofrimentos que nunca me contaram ternos eufemismos. Mentisses, Vida, seria mais forte no engano, de olhos fechados para uma realidade acutilante, do meu próprio destino despida. De que vale um caminho vazio de alegria, que depois de tanto sofrimento, não leva a lado algum?... Levem os meus dias até não restar mais nenhum.
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Pastel by Elise Savage.

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Borboleta Que Dorme
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E pousou as suas asas sobre uma pedra tumular e não mais voou. O que estaria por detrás dos seus olhos?... Ninguém sabia, ninguém a reconhecia. Aqueles sonhos de borboleta levaram-na a um jardim violeta, muitas pétalas choravam as flores, numa desistência de amar a cor. O vento, sempre atento, elevava algumas no ar, tentando entregar-lhes um novo sopro de vida. Em vão, já som algum lhes batia no seu coração. Dia triste, aquele em que me viste a tentar ser, mais que tudo, apenas um pedaço de nada com sonhos que delicadamente voavam com grande beleza.

Apanhava pétalas de violetas e isso fazia-me feliz, perdida em estranha magia esperançosa, o bem que espargia em todo o meu redor, mas nunca em mim. Cansei-me de ser forte, a força exigia-me muito mais do que eu podia entregar. Peguei em duas pétalas e, assim, me tornei numa borboleta. Sonhava muito e, assim, me tornei num ser desiludido. Assim me deitei, triste e sem magia, sem o vento que vida me quereria. Acabei por adormecer sobre mim, num belo dia em que as flores pararam de chorar a sua cor. Perdida num sono mais profundo que os oceanos, não pude dar conta de que tudo em minha volta me sorria com alegria. Tarde demais, esmagada pelo tempo, eu resto enquanto recordação. Os meus sonhos de borboleta... colados ao chão, sem nenhuma ambição.

Triste, sim, pois tu não viste que fora dos meus sonhos nada vi?...
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Drawing by Cliff Finity.

Domingo, Setembro 10, 2006

Alma de Lamento
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Sou, de quem escreve, a mais triste, a mais fatal, aquela que mata com palavras como quem julga os mortais. Divina estrada para a perdição da alma, as palavras que esboço quando nada mais me acalma. Parti sozinha, no meu barco cabe o mundo e ninguém. Outrora, cabia eu também, agora vou sozinha de todos e de mim. Apenas procuro um fim. Fui lendo e rasgando as páginas, sou a mais amargurada dos infelizes que escrevem, pois não consigo voltar a tocar com os meus olhos nenhuma das palavras que a infelicidade e a solidão ao meu espírito devem. Tenho a tortuosa sensação de que perdi, chamo-me infortúnio e condeno-me a ler um rio de lágrimas. Desaguo sempre em mim, tenho um rio de cera negra revolto num espírito que já não me parece pertencer aqui. Se, pelo menos, pudesse voltar ao que senti...

Quando chegar ao fim não vou voltar a ler. Estas palavras não morrem, matam! Vim tentar viver, mas em mim me afogo, enquanto a perdida ajuda a todos rogo. Mas fechei-me, sim, numa conchinha muito pequenina, pois tudo o que me toca me dói. Até o céu azul me magoa, pois ele não é meu em dia algum. É, antes, de tanta gente que até o renuncia, tão cegos nas suas contemplações menores. Se nada disto fosse verdade, nunca mais eu choraria, nunca mais eu me perderia nestas divagações em torno de lamentos. Mas, por enquanto, não vejo se não tormentos, um rio de cera gelada que me aponta infortúnios como que a rir, sem me deixar ir em frente para onde estaria mais feliz e amada por mim mesma.

Depois de uma noite de horrores, acordo no mesmo lugar. Não me há-de faltar se não um rio de dor a desaguar na minha triste alma, sempre escrita como quem apaga, sempre uma beleza desafortunada que ninguém afaga.
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Painting by Salvador Dali.

Sábado, Setembro 09, 2006

O Malogrado Texto Que Tentou Salvar Uma Noite
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Tinha marcado esta noite para chorar, um doloroso encontro com as lágrimas que me amam demasiado para me cederem um sorriso e libertar. Sou delas cativa do passado na prisão do pressente. Pela janela só e triste, vejo que as sombras se esfumam ao longe, e trazem-me, bem frias, as velhas emoções que senti. Bem mortas pelo tempo, apenas uma breve memória que tortura o coração. Chorei espelhos e espelhos de lágrimas e, no entanto, acho que nunca me vi. Pouco importa, se a única seria num mundo cego. Pego em mim e atiro à parede, já não me quero. Já não me espero feliz, de volta ao mundo de cor de onde desapareci. Amanhece sempre a preto e branco, maldito fotógrafo que assim o impôs, que fotografa sombra em vez de luz, em todas as imagens que me aponta. Lá fora, lá fora... sei lá eu as mil maravilhas de quem tem a verdadeira riqueza...

Pego nas minhas cinzas e atiro-as ao mar, a mais bonita imagem de sempre que uma pessoa amargurada pode encontrar, uma ligeira impressão de findar como uma lágrima beijada. As partículas que restam do meu ser seriam levadas aos confins de um mundo que nunca conheci por inteiro. Completa alegria, assim, teria. Não dormiria nem de noite, nem de dia só para ver os tesouros que encontraria...

Sou reclusa de mim, parece que só me perdi dele e da ventura, nunca do infortúnio que caiu sobre mim. Até as vagas no mar são feitas de sangue que acabou por morrer, de muitos monstros que assustam a mais forte das almas. Mas as ondas feias não me aceitam, dizem que eu as sujo, que até em cinza sou imperfeita. Sou obrigada a vaguear num mundo atroz sozinha, sem alma que a meu lado me declame poesia de gente feliz, sem mãos que me emendem e que me façam não querer mais abrir os livros na última página, em busca da palavra que desejo para mim: FIM.

Marquei encontro com as lágrimas nesta amarga madrugada, tentei evitá-as com este texto e não consegui. Em cada palavra, escondem-se lágrimas oferecidas por uma tristeza que me ama demasiado para me deixar conhecer e fugir livre com a felicidade.
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Painting by Salvador Dali.

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Mendiga Iludida
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Venho de afogar mágoas em ilusões, sem água, sem sonho, apenas no que de mais terreno a vida me pode dar. Recordo o nome dele? Finjo para mim mesma que não. Quero lá saber, tomo o remédio do tempo em doses sempre demasiado longas e, no entanto, doente me tenho: não sei esquecer por mais tempo que me dê. Recordo o meu nome? Não, talvez não seja importante de todo. A mendiga procura apenas um sopro de vida, uma sensação, mesmo que essa seja alheia ao coração.

As desilusões sempre me serviram para morrer; e a alegria, para me enganar dessa morte. Eterna futilidade, pois para que viverei eu se não para acabar a um canto, ferida e fria?... Não lamento a falta de tesouros no meu tão selado cofre, que faria este desperdício de vida com alguma suprema beleza a seu lado? Dêem os anéis a mais valiosas mãos, não às minhas, cansadas e frágeis como as folhas de Outono. Rubra de ira como elas eu sou, por ver tão grande existência negada. Ó triste caminho, qual a minha alegria ao ver que, afinal, o sentido de continuar é, por e simplesmente, o de abraçar o fim e acabar?... Triste. Mas a mendiga ainda pretende uma ou duas sensações da vida. Que sejam alheias ao coração, que não exista amor em nenhuma pedra que pisa, pois se é para acabar sofrida, que seja com muitos sonhos, ainda que iludida.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Ajuda para o fim
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Nasci assim, vestida de luto como se aquele início fosse um fim. No pedaço de Paraíso que me foi confinado, os anjos choram e clamam ajuda, caindo das nuvens com tristeza. Têm faces enegrecidas de tanto lavarem os espíritos de quem não se emenda, asas cansadas de tanto tentarem elevar o que é demasiado pesado. Um tormento em letras douradas, sou bem mas mal me têm. Mal me amam, mal me dão direito a viver.

Triste, tanto. Cansada, demasiado. Deitei o passado no lixo juntamente com todas as coisas bonitas que por mim passaram, não quero ser uma memória. Só queria ser uma história, muito diferente da lida, com um final feliz. Mas as letras da alegria, uma a uma, eu tenho perdido. Estou no início e só desejo o fim, vestida de luto pois não me aceito assim. Que querem de mim?... Tenho a face enegrecida e há muito que caí. Peço-te ajuda.

Domingo, Agosto 20, 2006

Dia não
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Solidão, nasceu uma fonte nos meus olhos ao amanhecer. Sabia que dia não tinha e o amor não me quis aparecer. Muita bruma sobre as mágoas, muita infelicidade em meu redor. Solidão, nem tu me fazes companhia. Eras quem eu tanto temia, a noite eterna da alegria. Bato nas lágrimas com desespero e nunca elas se arrependem. Compreende, todas elas me prendem a ele e a esta malograda realidade. Lava as minhas lágrimas, apaga-lhes a tristeza e esboça-lhes um sorriso. Um alegre dia, por fim, teria. A fonte chora enquanto dorme e já nem sabe porquê, esquece-se que da esperança tem muita fome. Acabou tanto bem para ela, acabou as lágrimas alegres para mim... Bato na minha face e nas lágrimas irremissíveis, arrependo-me, sou culpada. Os sentimentos não eram a estrela, o que estava no seu peito está agora no céu, apagado e enterrado.

Solidão, mais um dia sem alegrias e o meu destino será incerto. Caminho num deserto e só tenho lágrimas para beber. Afogada nas tristezas do dia, desejo o momento em que não irei mais ser.

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Dança dos Tristes
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Por que fazes isto?... Ando perdida, parada com a âncora em ti e não desisto. Chamo "Alguém, alguém!", mas todas as almas não são de ninguém e a minha já é a tua também. Este choro era um sorriso, agora, trazido às lágrimas cruéis e afogadas no desespero. Encontro aberrações que impõem respeito: no mar navegam desilusões e muitos corações meio mortos de amor. O meu quer saltar com temor, devo contestar aquilo que acho bem? Salta! Esquece-te de mim quando a maré estiver alta. Não me digas quem sou, nem quem amo. Quero esquecer-me do nome que chamo. Louca, talvez; mas feliz seria. Muito mais fria do que as ondas, muito mais alegre que os comuns perdidos.

Todos saltam junto com o coração, mas eu não queria perder-me, só queria um pedaço de liberdade, voar com vaidade como as gaivotas sobre o mar. Mas triste estou, com um coração que contra ti não sabe ser revolto. Deixei-o voltar por eu não saber de ti me afastar.
Abraçada a memórias, sou a transfiguração da tristeza em alto mar, náufraga em dia de tempestade para quem ousou amar.

Saudade dos tempos em que a palavra apenas era "amor"...
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Painting by Salvador Dali.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Fogo invisível
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Ardes-me no peito sem que haja fogueira visível. És imperceptível a uns olhos que cegaram com a tua própria luz. Já não te vejo há muito, dei-me à intensidade de sentir o que já nem consigo ver. Fico contigo assim, a cada hora e segundo, desejando tanto o que já não te pertence que nem quero saber do que é feito do mundo. Acabasse, estou certa que não seria o último. Apagassem todas as estrelas, garanto que não seria essa a derradeira luz a deixar de me iluminar. Não estranho o azar, a sorte perdeu-me o rasto, não anda aqui. Quando quebro um sonho, sei que de seguida quebrarei outro. São canecas de onde bebo a fantasia, todas juntas e presas umas às outras por uma fina linha. Quando uma queda, todas as outras lhe seguem o rasto... Tenho sede, muita sede. Mas todas as canecas estão partidas, e a fonte secou. Não bebo mais do sonho, dessa coisa rara de ser contida.

És Verão sem sombra no meu peito, a fogueira que arde sem eu ver. Azar, a vida prega-me cruéis partidas e eu garanto-te: será a ultima que causa no meu coração. Venho de renascer e morrer, de me levantar e cair. No chão, olha os destroços dos meus sonhos. Apanha-os se quiseres, lembra-te que um desses pedaços de éter desprezados és tu.
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Painting by Salvador Dali.

Hino menor
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Com as lágrimas que chorei esta madrugada, fiz um hino para todos os Homens tristes ouvirem. Não é alegre, mas sorri com melancolia. Não é demasiado triste, mas chora como eu neste dia. Parece uma nuvem no Inverno, caminha devagar e atrapalha-se no refrão, pois eu não sei quais as notas que tocam num coração. Sobe, sobe, sobe para erguer a tristeza e transformá-la em dia, mas julgo que hoje não amanheceu. Subi, subi, subi, agarrada ao hino que compus para os Homens tristes, mas não encontrei Sol nem Dó. Andei perdida e só, não tinha Sol para evaporar as minhas lágrimas, não tinha Dó do coração de ninguém. Tentei resolver o resto do hino em Lá menor, mas sei que tudo num coração deve ser mais alto e maior. Não encontrando luz lá em cima, caí agarrada ao meu coração repleto de dons menores. O que tenho não chegou nem cheguei eu ao ambicionado.

Fiz este hino, porque me foi implorado pelas lágrimas que chorei esta madrugada. Sem Sol nem Dó, pois não tenho o teu amor; com notas menores, pois assim me sinto perante ti. Faz-me um barco de papel que resista às minhas lágrimas, dá-me algodão amargo para limpar a chuva da face do meu hino de notas menores.

Segunda-feira, Agosto 14, 2006

Alquimias
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Chorei os livros, as palavras de ternura do passado. Chorei os risos, despi os sorrisos e nada restou... Simplifiquei a fórmula de amar e acabei por complicar a teoria de viver. Não acertei, não encontrei valor capaz de endireitar a minha alma. Sou escorreita apenas em errar, na perfeição de dar meia volta ao mundo e, chegada ao cais, encalhar. Alinho cartas para, na última peça, ver o castelo cair. Ouço dizer que é uma maldição o que trago no coração... tenho medo de não conseguir viver antes de morrer, mas os números andam em corrupio sem se conseguirem emendar.

Choro tanto os livros, dispo tanto os sorrisos, ponho-os tão a nu que, confesso, sou incapaz de os ver. Continuo a fazer contas, por que é que a teoria mais simples da vida complica tanto a fórmula para amar?... Dou volta e meia ao mundo e, nas rochas, acabo por encalhar. Desconfio que nunca me vá emendar, serei para sempre uma alquimista na triste pista da permissão de te amar.

Domingo, Agosto 13, 2006

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Chama-me Bela Adormecida, a que dá mau nome à poesia, aquela que se deita com a tristeza e a torna esquecida. Chama-me tudo isto se bela me achas e triste te encontras. O sono ameaça ser para todo o sempre, pois não o ousas quebrar. O amor, ficou na rosa que não me deste, apenas permanece um sentimento agreste de lhe querer tocar. Um crime nesta funesta prisão que dita todas as palavras à minha mão. Escorrem e mancham a arma que seguro e que, afinal, todo o bem quer a este amor. Escuta o meu coração, ele não é mudo nem nas palavras nem nos gestos.

Não quero dormir, pretendo viver bem no íntimo do teu coração. Ouve o meu que apenas chora o teu nome, o teu perfume... Sufoca-me de amor, não me importo. Sufoca-me até já não dar por mim a respirar, até eu, por fim, acabar. Mais uma linha para me dares o beijo em que adormeço, a carícia em que me esqueço que todo o meu amor ainda permanece acordado.

Sábado, Agosto 12, 2006

Facas
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Não sei amar. Não sei perder-me e voltar. Cativa num caminho que me pediste para seguir, desejo o que está para trás. Aqui, o silêncio escreve-se com quatro letras: faca. Cortante até ao osso, mas nunca até ao coração, um lento e triste sinónimo do esquecimento. Faca, a dor é por ti pelo esquecimento que trazes até bem fundo de mim. O sangue, mera tinta para escrever prosa desgostosa. Assassino doce, por que penso que o teu olhar meigo mente?... Mentira, o silêncio é incontido e a única lembrança é a do amor esquecido. Morreu, diriam, mas não tomo por morto o que vive em mim. Chorei e voltarei a chorar, um constante lamento pela dor da faca no meu corpo, pelo silêncio que nunca pedi encontrar.

A encruzilhada tem a dor como único destino e não me vale vivalma. Já não sei amar, apenas sei entregar-me com desespero, com medo que o que me entrega para perder me julgue perdida. Sinto-me assim, vazia mas com um mundo para dar. Choro esta prosa e escrevo-a com a faca no papel, a vermelho. Louca, perdida com uma fome de ti desmedida. O meu amor, a minha prosa são para comer, sentimentos intensos também podem enternecer!...

Olho a encruzilhada do amor triste: tantos caminhos para um mesmo destino. Pego no silêncio e firo as árvores, nelas escrevo o que me pôs nos caminhos que levam à dor: "Não saber amar, a alguém todo o meu ser querer entregar".

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

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Era mais doce quando navegava nas estrelas, quando nadava na magia plena de sonho. Vestia as velas do meu sincero barco de papel e pedia para abrires a janela da fantasia que concebera. Desejava que naufragasses em mim, que fosses um perdido feliz. Mas perdidos estamos, abraçados pela infelicidade e por sons sinistros. São os passos do tempo…
Não sou nada. O meu relógio está vazio de horas, perdido no tempo. Sabia que haveria meia-noite para o meu conto de fadas, mas não queria ouvir a dor musicada pelos ponteiros. Estou de novo na pobreza do coração e, pelo caminho, a minha alma tropeçou ao descer os degraus. Não vi, sou cega no amor e na esperança. Não sou nada, enfim. Apenas alguém que espera pelo fim do tempo que se perde. Olhar triste, sorriso que vive nas sombras vagas das minhas lágrimas… Mal me vejo no espelho, no meio deste nevoeiro de existir, neste desejo de não sentir. Abracei os ponteiros e corro arrastada por eles.

Relógio sem horas, perdes o tempo de quem?... “De quem não o tem”…

Toda a minha dor é orquestrada pelos ponteiros cruéis que a tudo uma meia-noite me ditam. Para que serve a beleza? Nem um beijo me traz… Sei que não vale olhar para trás, a minha sombra espelhada na minha cara diz quem sou. Não sou nada.

Terça-feira, Agosto 01, 2006

Arquitecturas do passado

O meu sorriso era demasiado grande para o conseguires segurar no alto Tão feliz, tão verdadeiro, tão pesado nas tuas mãos... Não havia arquitectura que lhe valesse, os alicerces eram apenas de sonho e o sonho voa como os beijos que me sopraste da palma da tua mão. O sorriso também estava lá, mas tu não o viste. Caiu no chão, enquanto os beijos me tocavam.

Um fim é sempre um fim, pede lágrimas. A fatalidade diz que é para todo o sempre e o que o meu espírito sente é o esmorecer do único bem que uma vida dolente possuía. Perdi a conta aos dias em que aquele sorriso me aquecia, e os outros recuso contá-los. A felicidade só vale a pena se não esconder tristeza... Se a bailarina soubesse que se levantava para cair jamais se teria erguido, acredita. Como temia em idos tempos em que seguravas o meu sorriso, ela chora agora a um canto dos meus sonhos... eles já nem sequer o são. Tirei-lhe os sapatos para que ela aprenda a não ir a lado algum.
Moliére enlouqueceu ao ver um palco imenso vazio, encheu-o com a fragrância da amada para sentir que a actriz que dançou consigo à chuva ainda continua junto a si. Essa luz, Moliére, apagou-se. A orquestra calou-se. Como o meu jardim... tão cheio de vida, antigamente. Agora, as flores vão morrendo segundo a cadência da minha respiração. Uma das árvores desapareceu e a outra vai sangrando com saudade. No lago, ouvi dizer que a sereia se afogou em lágrimas enquanto te tentava beijar.

Se as minhas lágrimas fossem sangue... O amor foi tanto e agora o que trago no coração nada é. Passo pelo meu sorriso e digo-lhe adeus, conto-lhe que a arquitectura da alegria é a que mais se magoa.

Fim.

Segunda-feira, Julho 31, 2006

Cabo das Tormentas
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Sorriso perpétuo em azul, jamais. Moro no rés-do-chão do Cabo das Tormentas, no fim do meu mundo. Moro com as ondas frias, com os monstros que saíram debaixo da cama para dormirem comigo sobre os meus lençóis. Sufocam-me com abraços apertados, beijos infundados, carícias que magoam. Não sei ser feroz, ainda que me peçam para ser amante em silêncio. Não consigo calar as palavras que tenho na boca... Dei uma chave enganada, um destino de amor trocado pela tentativa de viver sem a mágoa. O que poderei fazer agora... Apenas olhar o passado sem que ele me veja...

Nas memórias da infância, tenho dois meninos que brincavam com a dor: a Tristeza e o Amor. Lembro-me do tom e da canção que cantavam, ainda a tenho no coração. Nunca tive um céu azul, andei sempre com os meninos pela mão. Um acabava no outro, se um me inventava um romance o outro terminava-o com um final triste. Não sabiam brincar sem me fazerem cair e magoar. Tentei ensiná-los, mas eles nunca hão-de aprender. Achavam graça aos monstros e punham-nos em cima da minha cama para brincarem com eles. Quando se iam embora, esqueciam-se sempre de os pôr a dormir debaixo da cama. Então, ficavam ali comigo, num abraço sem sentido.

Chorava dia e noite, com medo e olhava nos olhos a minha infância perdida, sem azul naquele céu. Não existem pintores, não os tenho. Tenho só dois meninos dos quais cuido da melhor forma que posso, e vou até ao fundo do cabo para afogar as suas tormentas. Dêem-me um sorriso perpétuo em azul, pois os meus céus choram a negro a tristeza com que brinco.

Sexta-feira, Julho 28, 2006

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Escuta, nada dizem. Espera, ninguém vem. Lembro-me, maldita memória, das cartas sobre a mesa, aprumadas segundo o castelo ideal que tinha na minha mente. Recordo-me, amaldiçoada lembrança, das minhas mãos beijadas como se delas brotasse ouro. Neste peito, nasce bem triste, aquele sorriso que me pediste perdido em noite. Não encontro aqui... NADA, NINGUÉM. Conto medo, conto noites em branco, dias negros. Silêncio solitário, chuva da existência malograda... tudo conto e, no fim, a riqueza subtrai-se.

Nas mãos não tenho valor algum para dar. Preferia dormir e não ser... NADA, NINGUÉM, podes crer. Cansada de doer, de ser rejeitada por uma felicidade que nunca conheci. Bati tanto à sua porta, com as mãos que nada valem. Dessa casa NADA, NINGUÉM para me abraçar e acarinhar. Havia uma bruxa na árvore, bonecas no chão, sapatos de bailarina meio enterrados na memória, de pé como se um fantasma quisesse pôr alguém a dançar. Limpei-os das ideias onde estavam afundados e calcei-os. Dancei e dancei, tão feliz que até a bruxa me parecia bem. Lembrei-me então, maldita memória, que no fundo não tinha NADA, NINGUÉM, que apenas dançava com uma lembrança escrita algures na minha pequena história de embalar. Descalcei-me e segui os morcegos que se riam assim: "Fada, vem dormir onde o dia não nasce e fica bem perto de mim". Perguntei-lhes se alguém me queria bem naquela noite eterna, reponderam-me "NADA, NINGUÉM aqui te deseja bem".

Acordei num pesadelo, neste lamento da meia-noite. Serei uma fada, enfim, amargurada e com uma mão cheia de NADA, esticada desde os confins do sonho triste, esperando que alguém diferente de NINGUÉM me alivie o peso de coisa alguma ter e de NADA ser.

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Postal do Purgatório
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Ouvia o homem do barco chamar pelo meu nome, tempo de partir e de pensar em não voltar. Quis deixar-te um pequeno poema, mas não havia tinta para escrever naquele mar de ondas negras, naqueles furiosos sentimentos de gente perdida. O amor, demasiado alto para lhe chegar; o sonho, demasiado triste para o ser. Todas as coisas bonitas metem-me medo, escondem-se no meu caminho e surgem subitamente com um susto na sua algibeira. Coisas feias, sois tão belas com essa sinceridade fatal. Embarquei rumo às coisas que tristemente parecem e são.

Não dou nada por mim: nem uma moeda pela metade, nem uma guitarra que tome ópio para conseguir cantar. O músico sabe do que estou a falar. A madeira flutua e não afunda os tristes, o sonho voa acima das cabeças e cai arrastando os que antes eram felizes. Não sei, fui. Dei e perdi. Coisas tristemente feias, ensinem-me a morrer como uma flor. Sou já sem cor, mas prendem-me ainda à vida demasiadas veias. Demasiados ramos, demasiado amor... Renunciei a beleza que ilude para abraçar sentimentos que não conhecem e que jamais conhecerão o sonho.

Não sabes das minhas contas com o Diabo, das dívidas que eu tenho para com a criatura que me acolhe, por eu te querer tanto bem. Estou aqui para aprender a ver mal em amar, para descobrir que em cada céu azul se esconde um réu castigado por severas tempestades.

Sexta-feira, Julho 14, 2006

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Sentei-me à mesa com a solidão e servi-nos um eufemismo em torno de todos os romances. Pintei as árvores de vermelho, aquelas que eu nunca saberei se foram já uma só. O amor não devia ser assim, pintado a sanguína e banhado no secreto rio do meu sorriso. A vida não devia ser assim... O tempo podia abraçar-te a ti e a mim, a distância podia morrer pelo caminho. Na impossibilidade, corremos pela distância tentando agarrar o tempo. Somos tão finitos nesta vida... Teremos apenas tempo de palmilhar a fantasia?...
Gosto de saber como as árvores vão indo, se tão fortes raízes irão permitir-lhes um abraço. Pois nos meus sonhos, ninguém vive em paralelo, ninguém carece de tempo para sentir e seguir o que o coração lhe diz. Gostava de ver a solidão morrer faminta àquela mesa ou sufocar engasgada com um amor sofrido. Sempre foi o que ela me deu a comer quando eu preferia morrer à fome...

Imagino e não sinto que viva, o futuro já me revelou demasiado no passado e agora sou a primeira a fechá-lo em copas. Deito-me e experimento a ilusão uma vez mais. Num chão vermelho toda a erva daninha parece um cravo carregado de liberdade. Sei que encontrarei um sem procurar. Serei eu a florescê-lo...
Tenho sono e não consigo adormecer, tenho um sonho e não consigo acordar.

Quinta-feira, Junho 29, 2006

O que é o amor? Uma cor, uma luz, um cheiro, um som?... Despe-te de tudo isso e diz-me o que fica. Explica-me o porquê, diz-me quando, conta-me onde. Numa lágrima da saudade, amor?... Toco-te num beijo imaginário, falo num grito dos sonhos... O meu corpo é uma masmorra para a realidade, um atentado à liberdade. A rapariga que te ama caminha nos teus sonhos em pezinhos de lã, para não a notares enquanto ela te beija... Provavelmente, ela fugiria se os teus olhos se abrissem. O nome dela é Ninguém e contempla-te como um deus. Odeia os espelhos que te reflectem, pensa que eles te tomam e possuem. Tem ciúmes, sim, de tudo o que te toca. Das tuas vestes, da água em que te banhas... Ninguém preferia chamar-se Alguém para te poder mostrar o valor que tem cativo, as maravilhas de uma alma que está longe de ser muda, de ser cega, de ser alheia a tudo. Ninguém bebe da simplicidade, das coisas que não se ouvem ou vêem. Estranho alimento que ela toma como ambrósia para o espírito. Mas o espírito, não o vês; e as intenções, não fazem o sopro nas velas do barco do mundo. Ninguém olha-te e suspira, pensa na felicidade que não pode dar a um homem que tudo merecia. Sou Ninguém, amor. Sei como é a dor de olhar para o alto para ver um mundo inteiro que caminha sem reparar no chão que pisa.

Amor, eu não sou ninguém, mas acredita que tens ALGUÉM que te quer todo o bem, ALGUÉM que te ama, ALGUÉM que te chama, ALGUÉM QUE TE SORRI, apesar de todas as feridas que tem em si.
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Drawing by Sofia Neves (Mary Of Silence).

Sábado, Junho 24, 2006

Talvez não...
Talvez não escreva mais sobre pássaros, talvez devolva à Natureza os corpos das borboletas que resolveram comigo ficar. Renuncio um amor. Como sou capaz?... A borboleta está triste, diz que não mais pegará no seu corpo, que já não quer voar.
Homem de palha, para que queres um coração?... Acorda da tua vida, o conto de fadas já passou e não te deixou o ambicionado coração. Roubou-te, antes, todo o Sol para o teu girassol. Olha para mim, ingénuo homem, eu estou perdida porque sei o que é ter um coração.

Sexta-feira, Maio 26, 2006


Uma corda à volta do pescoço dessa menina, um pontapé na cadeira, com muito gosto. A Saudade, dou-lhe um colar e um pedestal inglórios. Tenho-a no coração sem a amar, é a cortina que esconde o homem em contraluz e que dele me afasta. Ela soluça como o relógio, conta o tempo solitário de quem ama. Ausente.
Quero a rapariga dependurada, com o seu longo cabelo encaracolado ao vento. Vejo-nos embrenhados naquela tristeza disfarçada de beleza. Corta o teu cabelo, rapariga, deixa nascer o Sol, permite que o calor desponte entre dois corpos. Preciso dele muito mais perto…

Passo o prumo entre a corda e o candeeiro, a morte tem de ser perfeita. Salva-te o canto de um rouxinol cristalino que lembra que a saudade e a memória é vida, que existes para preencher um vazio e dizer que tudo isso é amor. Quando desapareces, amor, fica a certeza de que o nosso sentimento é maior, de uma estrela passamos a ser uma constelação. Tens a tesoura nas tuas mãos, corta um pedaço de cabelo à Saudade e liberta o pássaro, deixa-o voar livre nos teus sonhos, na tua doce lembrança. Corta-lhe outro pedaço de cabelo, o mais enrolado, e dá-nos asas para voar. Somos um só pássaro agora, abraça-me para eu puder voar. Tens a minha asa perdida, a peça do puzzle desaparecida. Iremos longe, lá bem no alto, seremos nós a cantar para o teu amigo vestido de plumas, com um sentimento brando e asas feitas com o cabelo da Saudade.

Sábado, Maio 13, 2006

Apertam-te o corpete de princesa, respiras de tempos a tempos sofregamente. Vendam-te os olhos, todo o chão treme e nada te ampara. Amordaçam-te, não falas nunca e o que dizes não entendem. Passas por louca, vazia de saber. Nunca pensei que podia morrer de um desgosto de amor, nunca tirei a consciência dos meus pensamentos. A tristeza de não ser louca, de nunca ter tido ingenuidade por um segundo na vida. Dói menos cair no chão que cair na realidade quando ela, austeramente, diz que não. Apertam-te o corpete uma vez mais, não será “realeza” o sinónimo para o que sentes. Uma forma do verbo morrer que a segunda pessoa nunca te conseguiria contar.

Resta um sorriso com o nome de alguém que compreende o teu silêncio e entende que que as tuas palavras não são ausência...
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Painting by Salvador Dali.

Segunda-feira, Maio 01, 2006

O meu sangue é a ambrósia para o vampiro da minha rua. Por ele são os suspiros nas noites que mantenho vivas até a Lua morrer. Por entre beijos e dentadas, amo-o com a intensidade do Sol que não podemos ver. Trocamos olhares, procuramos formas de ludibriar o relógio e levá-lo dizer as horas no esquecimento. Um minuto mais é fatal, tornamos chamas e pó. Mas tu sabes, a efemeridade dá a tudo muito mais valor. Uma gargalhada e rimo-nos da eternidade e da mortalidade. Mais um pouco de vinho e tudo parecer-nos-á a mesma coisa, vais ver… Nesta sala tens os brancos mais claros e os negros mais escuros. Delicioso contraste, amor, sou açúcar que espera pela tua perversidade. Alguma vez te enganei, amor?... Sou magia negra num corpo branco. Dança comigo em frente aos espelhos que não vão saber se parecemos mal. Não nos vêem…

Em criança brinquei com as tuas bonecas de voodoo, piquei-me muitas vezes… Mal sabia que aquela boneca era eu. Tracei a minha própria sina a brincar com o destino. Tracei-te a ti e a um amor maior que o Universo. Eras o que mais queria, esse teu amor docemente feroz… Brindamos com o sangue um do outro, celebramos duas vidas unidas antes que o Sol desponte. A madrugada gosta das tuas malícias, amor…

Terça-feira, Abril 25, 2006

Conheci uma casa sem tecto nem paredes… Apenas uma janela se erguia em pleno campo. A vida ali tornava-se ela própria uma memória. Aquela janela era uma ponte de passagem para o passado, um caixilho para um céu azul com nuvens em constante mudança. Mudei como elas. Surgiu um Inverno em sete estações…
Por que pensamos tanto no passado?... Não me agrada viver de labirintos que tive de tornar escorreitos. Daquele outro sorriso, dos leõezinhos demasiado pequenos para serem ferozes e saberem lutar. Deita-te na relva e pensa no futuro. Que dizem as estrelas, ainda te parecem mal coladas a esse teu universo? Apenas a saudade me desilude. Não confias no amor?... Penso em ti e esqueço que não tenho casa, vivo na indigência e acho-me rica. O passado passa por mim e eu, simplesmente, digo-lhe adeus. A janela quer um novo quadro. Soalheiro, com um sorriso verdadeiro. Leões que sabem reconfortar passarinhos que choram, lágrimas que corações doces não ignoram. Amor, é saudade o que lamentam no parapeito de uma janela que, para receber o teu amor, eu abro de par em par. Contam-me segredos ao ouvido, dizem-me que ouviram falar do beija-flor. Dizem que nem os leões o podem defender de tanta dor.
Em cada palavra proferida, amor, digo SAUDADE...

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Se os meus olhos pudessem ver um quadro de tinta real quando ele me diz que existe… Mas nesses momentos a minha visão cinematográfica da lugar a um estranho medo. Medo de abrir os olhos e ver que o sonho acabou e foste embora com ele. Tenho ciúmes e passo o dia a pensar. Espero pelo tempo em que o sonho te devolve a mim. Será que lês estas palavras como as sinto?... Tudo o que faço gira em teu torno… cada palavra, cada movimento, cada pensamento que tenho em silêncio. Se os meus olhos pudessem ver a dimensão do que é real quando me dizes que estás perto, então sim, teria a certeza de quem sou. Não precisaria de absolutamente mais nada… Mas o que eu vejo é medo, tristeza e muita solidão. Nem preciso de abrir os olhos para as ver. Até os meus olhos que me deixam ver imagens de beleza única, se tornam inúteis. Não preciso deles para te ver e sentir o medo, a tristeza e a solidão. Aos sonhos não se tiram fotografias, só se pintam tristes retratos. Quem tem talento pinta-o numa folha. Eu apenas te pintei no meu coração. Se os meus olhos pudessem abraçar a cor quando me dizes que o meu mundo pode descansar tranquilo, longe de todos os anseios que me tomam: nunca mais iria escrever palavras de receio como estas. Seria só eu e tu a observar o infinito do tempo. Apagava a luz do quarto e saía para a praia, para apanhar conchas e ver o mar. Os meus olhos só te vêem a ti, amor… e ao medo, à tristeza e à solidão do corpo. Então corro, corro para a praia, mas na esperança de me transformar em espuma de uma onda azul. Feliz, sem temor.
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Bem sabes, amor, que recuso partir em sonhos sem levar pedrinhas no regaço para marcar o caminho de regresso a casa. Amo-te, porém as quedas sabem assomar nesta magoada lembrança. As quedas de tão altos sonhos foram demasiadas, por outros protagonistas ilustradas. Diz-me, amor, que não haverá mais dor. Sorri-me.

Sábado, Abril 08, 2006

Planta-me nos teus jardins de Verão... Nos meus, aquele sopro não respira, as flores não desabrocham, os passarinhos não cantam... Preciso de ti para me trazeres a Primavera. Ainda vês os jardins cobertos de gelo, amor?... O tímido Sol que nos olha ainda não nos traz aquele calor, traz-nos sim as lágrimas daquela dor. Essa distância, essa saudade... Temos campos contíguos separados por muralhas, pelas injustiças de um mundo imperfeito. Apagaria esses traços, faria um laço bem apertado entre os nossos corações se não vivesse tão cruel realidade. O ponto com nó da vida que me veste quase me esquece do sorriso que me pediste para usar. Contigo, amor, este sorriso seria perpétuo... mas, e as muralhas? Tantas e sucessivas batalhas...

Encontra-me no ninho dos pássaros que não sabem voar, nunca os seus olhos puderam ver mais além... Sempre aquém do que pretendiam. Tão belos a voarem em inocentes brincadeiras. Mas, no outro dia, encontrei um cuja vida morrera. No chão, junto ao seu frio corpo, disse-lhe adeus e apontei-lhe a estrela onde deveria ficar: a mais bela. O nosso amor irá viver, um dia com a sua desaparecida beleza?... Queria-te para sempre junto a mim, como uma pedra preciosa que não perderia nunca.
Amor, encontra-me a mim e ao beija-flor, debaixo da árvore sem cuidado que deixa cair todas as suas folhas... Debaixo da fria bruma, os meus quentes braços esperam-te para que a muralha quede em vez de mim. Espero-te para trazermos a Primavera, para despertá-la com a nossa paixão. Depois diremos ao nosso beija-flor que pode partir, que a liberdade, por fim, nos agraciou.

Quinta-feira, Março 30, 2006

Segura bem o teu barco, amor, pois a vida é mesmo assim: uma furiosa tempestade. Roubaram-me os piratas quando te queria a ti. Roubou-me o meu destino antes que a morte me roubasse a mim. Cansada de fazer dançar a incerteza, de cantar presa ao mastro, lancei o meu corpo ao mar. Nada mais me interessava para além da liberdade, da melodia delicada feita hino, da bailarina a dançar fora da caixinha de música... As ondas eram lágrimas. Tantas que eu chorei que acabei por naufragar no meu próprio corpo. Via um mar de rosas, na inconsciente esperança que suspirava por ti. Resgataste a minha alma numa noite em que já não me lembrava de mim. O corpo ainda permanece por encontrar. Ajuda-me a procurar esse bem que não me veste a alma, pois sem ele não te posso aconchegar, não te posso abraçar...

Segura bem o teu barco, amor, pois nele navego contigo.

Sábado, Março 18, 2006

ISTO É SOBRE SONHOS DESFEITOS

Isto é sobre um lugar onde as flores crescem num silencioso lamento. Um lugar onde um frio vento sopra e as árvores tremem como se tivessem medo de cair. Tudo o que está debaixo dos nossos pés está, na verdade, acima das nossas cabeças. Isto é sobre a beleza esquecida de uma estrela negra, de tudo o que não conseguimos ver. Estas flores que ouvimos a chorar, têm a voz daquilo que já partiu.
Cada pétala que irás ver cair, será uma lágrima a dizer “Tenho saudades de tudo o que não pude fazer, de todos os que não vi, de cada palavra que não pude dizer”. Construí um Reino repleto de perdas...

Chamei à vida sonho, ela chamou-me desilusão. Chamei-te brilho, tu chamaste-me escuridão. Então, chama-me tristeza... eu chamei-te com um sorriso.
Negas-me tudo o que mais quero...

Sexta-feira, Março 10, 2006

Noite calada

Dizem que a fala vem colada à língua como qualquer outra capacidade inata. Mas não é difícil tentar o silêncio, nunca é... Vergonha, medo do que se dá a sentir. As piores mordaças que calam um ser são as que ele impõe a si mesmo. Um infame declame da poesia que é obrigada ao silêncio, que não pode ser ouvida, mas que pode abraçar e ser beijada. Estas palavras não falam, mas chamam-te: o teu nome claramente soletrado, como se fosse o mais belo poema de amor. E está certo de que ele o é no meu coração, um filho bastardo de uma deusa que não podia cantar. De cada vez que ela tentava entoar o teu belo nome, a sua voz passeava com a saudade, era levada e deixada na companhia do temor da solidão. Passeias pela praia... até um búzio sabe dizer-te mais palavras que esta voz desaparecida nos confins da prisão da liberdade. Amarrada e calada.
Com tristeza, amor, o meu desejo de bons sonhos ser-te-á dado pela estrela que conhece o meu amor por ti.

Quinta-feira, Março 09, 2006

Nascem Primaveras frondosas, flores presas nos meus lábios que anseiam pelo teu beijo para se libertarem nos idílicos campos da Paixão. Sempre as frases que começam por um suspirado “quem nos dera”. Falamos de um amor preso na saudade, de trilhos muito mais longos que a distância que nos afasta. Temos labirintos, choros sucintos de quem ama o que não pode tocar. Aqui, apenas nos pode dar quem nos falta: o tempo do odiado relógio, não o dos nossos valiosos corações. Curiosa batalha, travada dos dois lados da muralha. Triunfo do mal sobre o bem?... Quem me dera que pudéssemos ser os vilões, então. Mas o bem pode conhecer a glória… Uma questão de tempo, daquele que se conta no inimigo relógio. Será o vilão desta história a trazer-nos o triunfo, a dá-lo nas nossas mãos.
Quem nos dera que esse dia fosse hoje, pensar e ter o que surge como fruto da nossa imaginação… uma imagem, um som, um simples desejo. Quem nos dera derreter o tempo nas nossas mãos e moldá-lo como barro na forma um do outro. Fechar os olhos, sorrir e, logo ali, ficarmos finalmente juntos com o mais apaixonado truque de magia.
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Painting by Salvador Dali ("A Persistência da Memória").

Quarta-feira, Março 08, 2006

Não serei a luz que ilumina a tua estrela, sou apenas um espelho capaz de reflectir todo o teu brilho. Olhas para mim e julgas-me brilhante, mas apenas devolvo o que vejo quando te observo. Nunca quero dormir, pois quando me deito a luz apaga-se. Ausentas-te e adormeces a tua estrela. Tenho tanto gelo em mim, preciso do teu calor e do teu brilho. Noite e dia, amor. Se me deitar, a estrela continuará no meu altar?... Não quero ver-te longe de mim, pois o calor, assim, perde-se pelo caminho. E eu não tenho forças para o ir procurar... não saberia sequer se o iria encontrar.
Já te disse tanto com os meus lábios selados, já reflecti os teus céus estrelados. Nunca peguei na tua mão, nunca te guiei no escuro. Vivo na minha sombra, procurando ter a tua luz um pouco mais perto. O meu coração encontra força no seu calor e quer viver apenas para contemplar a sua beleza. A penumbra do que guardo no peito não se deixa colorir... Demasiada saudade, amor. Sinto-te sentado a meu lado, mas onde está a tua mão, o teu abraço, aquele beijo apaixonado? Onde?... Os teus beija-flores não sabem beijar, os meus não podem voar. Impossível trazer a montanha, amor. Impossível empurrar os ponteiros até eles doerem e desistirem de nos afastar. Quero uma meia-noite encantada sem sapatinhos de cristal para que possamos ter mais um minuto, mais uma hora... dias e dias em que nos perderíamos nos encantos da paixão. Príncipes e princesas felizes, sem a dor do passado e do presente, descansando numa grandiosa e quente estrela chamada AMOR. Era tudo o que o meu coração mais queria.

Sábado, Março 04, 2006

Dou a minha casa terrena pelo mar, as negras sinfonias por um simples búzio conhecedor das melodias com cheiro a maresia. O louco maestro tinha medo que os seus movimentos gelassem no frio. Nunca conheceu a praia, os lamentos do mar. Nunca fui uma grande artista… Cantei sempre fora do meu tempo, fora do meu tom... Corri mais depressa que o relógio e agora tropeço na minha própria sombra. Como o mar que se enrola e nunca chega mais longe, eu vivo presa no relógio que nunca me dá a desejada permissão para quebrar o vidro e voar. Gostava de poder beijar-te como o mar beija a areia. Fiel, ser-te-ia. Mas cativa do relógio, ainda espero esse dia. Tanta beleza nesta melodia.

Esperança.

A beleza do que nunca foi.

Sábado, Fevereiro 25, 2006

Porque uma flor arrancada será sempre um crime, um atentado à liberdade da beleza. Porque uma flor ostentada nas mãos de uma mulher é um manifesto da vaidade, do narcisismo pueril... Porque uma flor é o desígnio do amor que deseja, luxúria maldosa sobre um corpo. Porque uma flor encerra sentimentos que quer só para si, toma-os na seiva e seca-os com o tempo que torna poeira. Tosse, flor. Devolve todo o amor que roubaste. Cospe-o sobre mim, esse pó mágico que transforma as minhas noites em dia. Furtado, aprisionado, terreno. Por mim condenado, este crime que me provoca dolente saudade. Pretendo todas as flores cativas até ao mundo acordar defunto. Simples, amor, quero todos os jardins intactos e verdes. Não quero ver mais ninguém a oferecer uma única flor. Ciúme, uma ligeira inveja que me ruboriza a face. Um crime, amor, PORQUE NUNCA PUDESTE OFERECER-ME UMA FLOR.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Cacofonias de um coração, Moliére. Pedes-lhe silêncio, batendo no teu peito. O espectáculo começa assim, calando o que te quer falar. Apenas a imagem que se desenrola por detrás do meu olhar, ofereço-a como um filme mudo com uma rapariga nua de palavras. Como a interpretas, Moliére?... Cegaste com a imagem, ensurdeceste com o bater de um coração. Bate por ti, Moliére, beija-te com baton vermelho, aquele com que escrevi no espelho todo o meu desejo. Mil e um beijos terás sobre ti quando te olhares nesse espelho, duas imagens sobrepostas para saberes que todo o meu amor é verdadeiro. Amor, sinto o cheiro da tua essência como pétalas que o céu chora docemente sobre mim. Quero dançar, quero oferecer-te flores, a Lua e o mar… Estou perdida na euforia, demência feliz, coração que soa mais alto que a orquestra inteira tocando a abstracção egoísta…

As pancadinhas de Moliére… Tão mal entendidas, apenas um homem apaixonado que implorava sossego ao seu coração. Teve de ser a sua amante eterna a revelar a verdadeira história. Não queremos silêncio, sempre música para nos levar a um sítio desconhecido para a solidão: O CORAÇÃO.

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

Perdidos numa ilha deserta, ainda recordamos os nossos nomes. Corremos na areia lado a lado, contemplamos este Paraíso que tardou em chegar até nós. Não foi fácil encontrar esta cor, este som, estas imagens… julguei-as perdidas onde não iria poder encontrá-las. Mas aqui estão, comigo e contigo.
Repousamos na areia, observamos uma paz que se estende aos nossos espíritos… O laranja do pôr-do-sol puxa a noite. O som é o das ondas do mar para nos lembrar, durante o sono celeste, que há amar e amar, há ir e voltar. Perdidos na ilha, não no sono, acordo com alegria e, logo nesse instante sei que vejo a tua cara, vejo o teu coração

Um novo dia, amor.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Algo mais que o sonho, algo mais que um tocar e acordar. Beijar, acariciar, nunca mais chorar… Os desígnios de um desejo sofrido, desamparado pela realidade. Os aromas que aproximam da demência dois corações desesperados, aprisionados nas teias da paixão. Não estou preparada para este abraço da saudade, nunca um coração aguentou tão forte aflição. Seria a primeira a passar por este caminho e a conseguir voltar. Não quero o amor assim, até o bem se torna ruim… Até o que alimenta a vida lhe tira o ar. O AMOR, o início e o fim. Estranha paixão, esta que vive à margem da realidade, fisicamente na solidão. Sabemos o que sentimos, sabemos o que proferimos… sabemos o que nos separa. Mil e uma facas em mim e nenhuma que arranque este mal e mate a distância. O teu amor continua a ter, em mim, contornos de receio, de anseio pelas tuas mãos sobre os meus pensamentos e sentimentos.

Esta noite… Conseguirá ela adormecer sem olhar para trás ou ficaremos a espreitar um pesadelo que connosco queira ficar?... Almas desassossegadas, corações revoltados contra algo que não vemos.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Que espada de algodão me atravessa a alma?.. De olhos vendados, experimento um fulgor que não me deixa ver. Cega para o mal que me rodeia, tenho uma ingenuidade tardia, própria de quem nasce por entre as rochas e morre na foz. Um caminho de valorização de uma alma que julguei perdida por sentimentos de rígida expressão. Cheguei a não sentir dor, a não saber chorar pelo que sentia. Agora, sei que também se chora de alegria, que a esperança é o alimento da vida, aquilo que a leva até à foz e não a deixa morrer na areia…

Deitada na água reparei que não é o universo que segura a estrela. É ela que o sustenta com beleza, a referência para beijos invocados com intenso amor. Escolhi uma que sabia que nunca iria cair, coloquei-lhe debaixo dos pés o tapete dos trapezistas. Um circo de acrobacias e malabarismos que não soube aprender. O espectáculo de um sorriso na face de alguém, na minha face. Como que por magia, surgiu com uma carícia tua. Não receias que a rapariga te arraste, sem força que a segure a ela própria?... Quero oferecer-te toda a luz deste mundo…
Ofereço-te um guarda-chuva que te proteja e equilibre nesta fina corda. Algo que, sobre a tua cabeça, te lembre do amor que te tenho e que te segure, com doçura, ao céu da alegria que vivo.

Corro contigo neste rio, terás o meu amor até chegares à tua foz… Mas até a foz, amor, é uma simples ponte de passagem para a outra margem. O meu amor por ti viverá para sempre na imortalidade.

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

This is NOT about living. This is about surviving.

Parece sempre mais claro quando nos olhamos ao espelho. É difícil encarar um espelho e olharmo-nos nos olhos com um sorriso. Ali tudo surge diante de nós, a capacidade de ver vai para além do que é habitual. Torna-se fácil saber o que reside por detrás dos nossos olhos, o sentimento que se tem em relação a nós próprios.
Em toda a minha vida, procurei aceitar-me e gostar da minha pessoa. Quando finalmente o consegui, tudo mudou repentinamente...As mãos talentosas não mais mostraram o seu saber, as palavras deixaram de fazer sentido, o sorriso e o brilho nos olhos desapareceu... Que batalha foi esta?... Ganhar para perder logo de seguida é a coisa mais cruel que conheço. Era fácil pegar naquilo que se foi e atirar ao espelho... sim, a força ainda chegava para isso. Mas se partir aquilo que sou em mil estilhaços, torna-se mais difícil recompor a sombra que quero deixar de ser...”Porque ainda sei o quanto vales, porque olho para ti e não te aceito, vou lutar para recuperar aquela pessoa que foste. Aquela que eu amava.”
Não é dever de ninguém não desmoralizar. É dever, sim, lutar enquanto há força para tal.

Se têm condições para o fazer, por favor, CELEBREM A VIDA! O dia de hoje é a única coisa que uma pessoa pode ter a certeza que possui... Lembrem-se sempre disto.

01-10-05

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Morava em casa de gente letrada, de quem segura livros debaixo do braço e fala em tom de ameaça. Destoando da constante sabedoria, existe uma louca que chorava enquanto, lá fora, a neve caía. Julgava que alguém de lágrimas muito frias tentava enxugar a sua tristeza com algodão. Que alegria seria nunca ter nevado, ela não compreendia nada que não fosse pertencente ao coração. Sabia da malícia de todas aquelas pessoas que brincavam com a mágoa de um pobre infeliz…
O quarto era a sua casa, um jardim permanente, o lugar de todos os sonhos. Dormia com as borboletas adormecidas, salvava passarinhos azuis de ficarem presos no escuro. Todos os dias, mandava beijos por eles, um favor em forma de agradecimento perante a redenção que ela lhes concedera às suas vidas. Abre a porta dos sonhos e de encontro ao seu amor partiam. “Procurem o homem de nome frio, como o meu.”, diz… Pensa no amante, no seu sorriso de Primavera, nele colhe flores que lhe dão cor aos intermináveis dias.
Saudade é o que dá nome ao que ela sente, mas no seu pensamento, o seu amante está sempre presente. O beija-flor volta carregado de carícias. Sorri, pensando no mais importante conhecimento: o amor.

Ensinaste-lhe a compreensão, o sentido por que vale a pena continuar a viver… Ela olha a neve e lembra-se do teu nome. Chora com saudades tuas, tem pena que os outros brinquem com a nossa dolência. Pois ela sabe, meu amor, que o coração é uma rosa vermelha de sangue, molestada pelos cravos que esta distância faz nascer.
Tenho o beija-flor coberto de saudosas lágrimas. Levar-tas-á para regar as flores mais belas de todo o Universo, que guardas no teu terno coração. Num gracioso chilrear irá cantar-te o seu amor por ti.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Desenrolam-se cenários trágicos neste ecrã, apocalipses trazidos para uma casa. E amanhã o mundo acabava, nenhuma dor restava. O medo. Medo de amar, de sonhar, de adormecer e acordar. Medo da distância e do teu esquecimento. Por ti, o mundo não acaba, um sorriso renasce no meu íntimo. Que este amor que lhe deu vida, não seja a sua própria morte.
És sincero contigo mesmo?... Por vezes, um sonho mente. Sempre o receio do que os teus olhos irão achar...
Temo a queda do surrealismo e a crueza do realismo, as duas faces da mesma moeda pobre que nada pode comprar. Sinto-me cansada de ver o tempo arrastar-se, a vertigem de segurar o peso da ampulheta no coração… cairei?... Eu sei que nos teus braços seria muito mais forte.

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Painting by Magritte.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

História

Mona Lisa nada escondia: chorava baixinho lágrimas que decidiram não pintar. Ficou uma figura que parece sorrir; na verdade, um dia de chuva sem gotas de água. Mona Lisa estava triste, mas pediu para não molharem a tela, para mostrar o sorriso que iria aparecer depois do Sol nascer…
Miguel Ângelo, sustentava um talento que não conseguia controlar… Revolto, pintava no chão da capela a beleza ferida de um mundo destruído. Fazia, para ele, sentido deitar um Deus por terra, torná-lo mais um fugitivo, torturá-lo por omitidas ajudas, imerecidas sentenças de vida e de morte. Pediam-lhe para pintar Céus, mas ele apenas conhecia sentimentos terrenos, cores escuras, blasfémias contidas numa Bíblia sem Deus. Para ele, não existia Céu ou Inferno, apenas aquele momento infame e chão que pisava…

Herdei o meu sorriso de Mona Lisa e Miguel tudo me ensinou – ainda espero o nascer do Sol, alguém que descubra o meu sorriso. A cal azul ainda não aquietou em mim, desço à escuridão, às trevas, sem nisto acreditar. Acabei no corpo de Joana D’Arc, e consegui sobreviver à fogueira, mas o desentendimento desmedido ainda me queima… Tornei das frias cinzas, chovo sobre elas como se fosse uma nuvem rasteira. Cinzenta e ferida, procurando o nascer do Sol e o azul.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

O eufemismo de um corpo, a prisão de uma alma e das suas intenções. Beleza chorada numa tarde de Verão, como tinta que escorre de um livro afogado. Não quero estas palavras, esta solidão… Não sei contra quem atirar as facas, não sei contra quem me revoltar. Contra este frio chão? Ele abraça-me sem amor, não me deixa levantar e correr para os braços de quem me quer bem. Dentro deste peito, morrem rosas cansadas de esperar pela prometida Primavera eterna. Disseram-me que nada é perpétuo, aquele mesmo “alguém” sem rosto que já tentei apunhalar, o proferiu. Serei indigna de um sonho concretizado? Todos me têm virado as costas, todos os dias a mesma tempestade. Cruel: a glória deitada ao chão.

Os dias são intermináveis, abraçá-lo-ei antes de o seu sentimento partir? Bem sei, se ele for, parte sem mim. Mais uma bailarina limparia as suas lágrimas, por um espectáculo em que ela nem sequer dançou. Teme perder os aplausos com que sonha, guarda os monstros debaixo da cama, tantos que ela já nem os consegue nomear… Durante a noite, desassossegam-lhe as ideias e escurecem-lhe os sonhos até restarem apenas pesadelos. Ossos sem carne, espírito sem corpo, beleza sem amor por si mesma… Despojos no chão sobre os quais ainda fazemos poesia. Queremos o sonho e a carícia da realidade. Mas, e a verdade?... Esta esperança não me deixa desfalecer, mas ainda este medo de te perder salta com todos os outros monstros sobre a mina cama…

A beleza é a tua. A minha, apenas o eufemismo de um corpo.

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Rostos ainda por descobrir, uma dor feita pela imaterialização dos corpos. Quantos dias até podermos observar a sina traçada nas nossas mãos, quantos violinos em destroços, cansados de tocar o nosso tempo?... Doçura subtilmente insurrecta naquelas cordas quebradas. Amantes que não se beijam, mas que o desejam. Tenho as mais cruéis amarras a prenderem-me, as invisíveis cordas do violino magoado, imperceptíveis a um simples olhar. Ainda assim, acarinho aquela estrela perdida que a ti tudo vai contar. Que ela nunca saiba guardar nada para si… Brinca inocentemente com os costumes de Magritte, pinta-nos a nós e ao nosso beijo de éter, escreve palavras contrárias ao sentimento dos nossos corações.
Vejo mais um violino quebrado sobre um quadro. Sempre esta confusão nos sons que o tempo entoa. As suas notas doem-me mas, lá no fundo, dizem-me para parar de chorar, que descobrirei a tua graciosa face um dia… Libertarei a estrela mensageira, numa noite em que o silêncio fale, em que todos os gestos digam palavras.
Lá do alto, a estrela envia mais um postal ilustrado. Ela sabe que isto não é um romance, se é que me entendes… Apenas outra verdade de Magritte.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006


Vejo um corpo privar uma pessoa de amar. Como se ele não fosse suficientemente forte para erguer o triunfo do amor sobre todo o mal que não escolheu levar consigo… Toda a alma vive à margem do que a contém, mas ela é invisível para os olhos que a tocam. Um sorriso… dir-te-ia ele algo? Despe-te das palavras, um dia, e tenta compreender. Olha para um corpo estático e vê-o dançar. Uma vida em paralelo, aquela de quem não quis acreditar, de quem receava amar e perder. Concedo-ta, uma vez mais nas mãos de quem a poderia moldar, dar uma nova forma menos sinuosa, virtuosas mãos seriam… Com giz que escreva sobre a ardósia, caminhos de luz que levem a escuridão a conhecer a alegria do Sol.

Perdi a estrela da manhã, Vénus deixou-me sozinha, zangada com o amor. Nomeio incertezas, desejo numa maçã tragada. Amor perdido, bem que passa por mim e não é agarrado… Depois será tarde, o Sol já se terá deitado. Leio contos de fadas pela madrugada dentro, seguro estrelas cadentes para ti… Toco ecrãs de tela, tenho esperança que as personagens secundárias assomem de dentro da luz, dizendo que esperam os que enredam a principal história… Seremos nós?... A manhã está quase a chegar para nos acordar. Vagueias pela sala enquanto todos dormem, que tens uma cidade a teus pés, vidas para proteger… Sustentas universos com o teu olhar, a beleza dos detalhes que apenas tu vês.
Toco a tela apagada, uma vez mais. Ainda a sinto quente, sinais de vida que por aqui passou numa constante intermitência. Os momentos em branco, o pó da ampulheta que caiu e desapareceu, todos eles ausentam a luz deste meu filme tão longínquo quanto as velhas películas que guardas no teu coração.

Apenas vejo de olhos fechados. Uma rapariga convida alguém a dançar à chuva, sem câmaras, sem música… Loucos parecemos, cantando sem voz o que não ouvimos. Vivo a alegria quando chegas, mas não te toco com receio de te magoar. Também sentes a minha dor… duas almas que sempre viveram lado a lado, sem o notarem. Poderá um filme findar sem ter alguma vez começado? Os meus ideais são irreais, nasceram do surrealismo e erguem castelos com alicerces feitos de impossibilidade, fortalezas que tremem com o timbre da tua voz. Fecho os olhos para ver… Continua a chover sobre nós, somos abençoados… O arco-íris nos teus olhos, acredita no Sol num dia de chuva. És a luz que beija as minhas lágrimas e transforma toda a tristeza em cor... Quero aquela rapariga dançando à chuva para sempre, a tua esperança é a minha esperança

Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Guardo o tesouro da tua felicidade, uma chave nos meus lábios que se soltaria com um beijo… Ladrilhei ruas inteiras para chegares até mim, mas longe me tens procurado, em diferentes galáxias, sonhos púrpura… O rei faz-te uma vénia, oferece-te o manto e uma carta de geografias avessas aos caminhos de cristal que construí. Procuras-me onde não estou. Por diferentes ruas, tentas a tua felicidade, mas a chave que te abre o coração para esse bem reside em mim. Mereces tudo o que brilha neste mundo, procura bem lá no fundo as estrelas que, no relembrado passado te ofereci… Segue o claro brilho, a mão que em sonhos te guia.

Danço sozinha, torno sobre mim mesma num vagaroso lamento. Vejo luz e cor, escadas que sobem e nunca descem... Subo ao sótão, procuro magias no pó da saudade. Não tenho campos idílicos nesta sala de ambientes sépia, mas tenho um malmequer que bem te quer. Cresce dentro da minha alma, espera que o colhas a ele e à felicidade que guardo. Vou até à varanda, deixei crescer a minha trança para por ela subires. Uma princesa triste, um cavaleiro a meio caminho do seu palácio… Uma chave bem guardada, felicidade ambicionada. Poderá ser o amor uma verdade, com algodão para forrar o chão de todas as desilusões? Perfeita geometria do sonho que teremos acordados…

Dois corações desencontrados esperam um abraço de tudo o que os seus sonhos vêem, o verdadeiro concílio dos deuses em Terra…

Domingo, Janeiro 08, 2006

Matar o tempo…

Pendurei-me na torre do relógio velho, com um frasco de veneno e um ponto final nos meus intentos. Queria que ele bebesse e abrandasse o passo. Enquanto a embriaguês sôfrega lhe silenciasse as horas do seu mundo cósmico, eu colocaria um grande e pesado ponto final no caminho dos ponteiros. Mero acidente de percurso, uma pedra revolta que deslizou do cometa errante… Teriam alguma hipótese de me culparem? Seria um crime sem provas, o mais perfeito de sempre.
Ironia do destino: a História fez-se com o decorrer do tempo, mas naquele malogrado momento passariam todos os futuros dias a poeira perdida e espalhada do alto daquela torre.
O ponto final pesava e magoava-me as mãos. Uma coruja pronunciava a canção do sinistro, num voo malévolo sobre as minhas ideias, corvos querendo ajudar-me com penas negras… Todos estão certos que o tempo está errado, que soe a Razão! A antiguidade morreria de velha, jovens para sempre, vivos até o nunca morrer!...
Mas aqui estou eu pendurada… pendurada na torre do velho relógio, tão perto da Lua que queima. E mato o tempo, sim… apenas o meu! O crime mais perfeito de toda a História, uma intenção perdida no… TEMPO!

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

Persistem as memórias, numa lenta cadência… Persiste o amor, essa doce dolência. Não se perdeu nem no tempo nem na distância, entrou e fechou mais uma porta, chegou e inscreveu-se em mim por trilhos de medo, numa caligrafia torta. Posso condená-lo a uma morte precoce?... Avisei-me tanto…
Fria como o Sol, penso em momentos perdidos, em pássaros no topo de flores, chorando a morte de um outro que eu devolvi à terra. Crescerá ali uma flor, num lindo chilrear, as suas melodias nunca me irão abandonar. Fechei os olhos como ele, mas já te via até enquanto dormia… Arranco as minhas entranhas pedaço por pedaço, na tentativa de chegar até ti. Em vez disso, encontro melodias cantadas pelo defunto colibri, sons que me enlouquecem, melodias que de mim me esquecem. Aponto-te o dedo como a razão para o desmoronar de tantas valiosas coisas em mim, um enfermo corpo e uma distorcida mente.
Os pássaros enterram-se na terra, procuram a companhia do outro. Entre o Céu e a morte, uma estranha guerra. Perco-me nestas linhas tortas. Entre mim e o amor, um fado por ti cantado.

Domingo, Janeiro 01, 2006

Um barco no deserto

Somos os perdidos nesta terra ausente dos mapas dos navegadores. Repetimos a palavra “nunca”, para sempre. Continuamos a tentar o que já falhou, fazemos aquilo em que não acreditamos… Somos quem a vida levou a desacreditar do amor; e em relação a ela, apenas uma palavra: desencanto. Prometeram-me muito mais do que isto… Mas se isto é o prometido, tenho uma alegria que dói, um afecto que me acaricia com espadas acutilantes e um talento que cria obras de arte inacabadas

Esta solidão não nos une. A revolta faz esquecer quem nos quer bem… Passamos a tudo odiar, até o pouco que temos. Não dou mais que um passo: receio cair no mar. Continuamos frente a frente, à espera que o outro decida partir numas asas iguais às que levaram Ìcaro a conhecer o Sol, e a depois, perder-se… Repetimos a palavra “nunca”, sem ceder. Olhamo-nos nos olhos sem cair nos braços um do outro. Queremos o amor e a liberdade. “De que serve uma coisa sem a outra?”, perguntas… Vale de pouco, é verdade. É como ter barco, num deserto. Sem mar não pode navegar… Mas o barco pode servir-nos de casa, este sentimento.

Quem tudo perdeu, não ambiciona mais que o barco.
Mas tu não o entendes e continuas a repetir a palavra “nunca”, para sempre…

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Why is the sky so high?

Por que está o Céu tão alto?... Quero tocar as nuvens, respirar o azul. Essa revolta pacífica lembra-me a minha casa, lembra-me os dias que já não tenho e os risos que já não ouço. Costumava correr livre como as tuas brisas, encolhia os ombros e ria-me do dia de amanhã. “Amanhã é apenas uma palavra”, dizia…
Continuo nesta ilusão de erguer o braço para te tocar. Amaldiçoo a distância que nos separa e esta sensação de me escapares por entre os dedos. Tento uma cadeira, mas essa subida logo se torna numa queda… Parto num barco igual àquele que naufragou ao largo da Esperança, mas esse barco apenas navega nos meus sonhos. E os sonhos, não mais sei deles…
Hei-de fazer de ti a minha casa. Quando menos esperares, serás tu a estender-me um caminho de nuvens, repleto de estrelas…

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Musical

Acordei num musical, tinha maestros e orquestras, meninas a cantarem só para mim. Rodopiávamos nos braços um do outro, dávamos corpo à tragédia de um romance moderno, qual filme noir repleto de rouges... Voava sobre os meus pés, espargia neve de algodão onde pressentia tristeza. A criatividade de uns, os amargos sonhos de outros. Como será estar do outro lado, abraçar o homem em contraluz?... Agarrarei eu as luzes alguma vez?... Elas afagam-me somente, outra desilusão sobre um palco de madeira, plateias vazias, cortinas fechadas a pedirem o fim… Respirávamos ainda os sonhos malditos que nos faziam esquecer do findo momento em que declamávamos palavras bonitas. Não eram sentidas como farsa, eram promessas de carne, osso e alma. Apenas não o confidenciava, uma vida contada e dada a saber a cadeiras vazias. Não era uma excelente actriz: secreta amante. Em todo o tempo, fui acrescentando sorrisos e carícias ao guião, simbólico segurar de mão para te levar aos jardins das minhas plangentes ideias… Apaixonei-me pelo actor principal, aquele que, afinal, eu honrava. Aquele que, afinal, me beijava sem amor, sem o fulgor de um oculto romance… A distância e o tempo seriam dádivas perante esta dor…
Ainda a música… Os violinos dedilhados contavam o tempo do teu ser, constante parecer de uma eternidade inacabada. Mais um beijo de fachada, mais uma facada, a condenada imagem de um amor em câmara lenta...

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Drawing by the incredible artist Nuno Jorge (thank you so much!)

Sábado, Dezembro 24, 2005

A janela

As janelas são uma extensão da claustrofobia em que o meu corpo está detido. O meu vestido de medo não me deixa caminhar nem amar. Demasiado justo para conseguir esboçar um movimento. Tenho o coração apertado e molestado. Sangra por mim e por ti, pelo romance que não foi. A luz chega até mim, não chego eu até ela… Contorço-me na beleza inútil de um vestido vermelho de sangue…
Já não levito sobre o meu corpo. As asas são apenas mais um peso que não conseguem erguer a alma. Tenho o corpo colado ao frio do chão, e a minha esssência perdida um pouco por tudo o que conheci. Pergunto-me: todos os que me amaram, lembrar-se-ão eles de mim? Pois não vejo mais para além de uma casa vazia. Ninguém para me dar a mão, ninguém para fazer este corpo respirar... A realidade é crua. Fere e tortura uma alma longe de vazia, num corpo cuja força dança perto de um precipício. Lá em baixo as rochas, aquele não mais voltar.

Nos meus sonhos, já estou presa à realidade.
Tenho a alma como uma vã qualidade.
Já não escrevo poesia,
Conto a solidão a que foram condenados os meus dias.
Conto portas e janelas fechadas
Num mundo onde a liberdade e a alegria me foram negadas.

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Apontamentos de um coração

Nunca ponham o coração nas mãos de ninguém… Por confiança impensada, sou, agora, uma dama de gelo, incapaz de um sentimento que me faça sorrir mesmo na mais bela Primavera quente. Assisto à morte de um corpo que ardeu de dentro para fora, tenho um espírito enorme que não dou a ninguém, sentimentos inflamados que guardo e reprimo… Vi muitas caras inebriadas de fascínios mil, mas senti que nenhumas mãos souberam o cuidado que um coração reclama quando é segurado. Nem os dedos frágeis de um artista se apercebem da delicadeza que sustentam. Até eles deixam cair cristais afastam a sensibilidade, maltratam os seus próprios ideais…
Todos os sentimentos que me deram são desta forma devolvidos: nunca amar é a minha única certeza; nunca mais a violência de abrir as mãos, deixar cair um coração…

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Sótão

Continua aqui, no meu imaginário, um sótão no topo do mundo. Tem telhas de vidro, constante clarabóia… Aqui passa um rio alpinista que diz conhecer o Danúbio. Afogava-me em ti, se tivesses cisnes, aquelas criaturas de beleza triste que afagam as águas com movimentos vagarosos e solenes. A beleza neles e em mim, não faz sentido. É uma verdade que mente, mera ilusão. A beleza é a eterna musa cantada pela poesia porque adora ludibriar os sentidos. Adora fingir que existe e que o seu perfume é real… mas nem ela nos apaga os traços de dor e tristeza.

Um sótão no topo do mundo… Perto das estrelas que me iluminam. Uma vida pela tragédia da solidão e não a isolei. Ela continua a apoderar-se de tanta gente… Ouvi dizer que a maioria das pessoas nunca encontra o amor. Escondido nas teias da solidão, deixa-se somente ver e desejar. Maldito e fugidio sentimento… Por ti, não sou senão um cisne com maior força, de olhos no tecto de vidro. O telescópio aproxima-me a imagem, mas nunca o teu perfume…

Uma vida pela tragédia da solidão, exilada num sótão no topo do mundo.

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Drawing by Mary Of Silence.

Sábado, Dezembro 17, 2005

(Contraluz)

Por vezes, penso que estás apenas atrás da cortina. Por vezes, penso que a tua longinquidade se resume à barreira que esta impõe. Atrás de um simples pano, vive o inconformado artista presente em ti… Atrás da cortina semitransparente, em frente à luz quente, deixando ver unicamente contornos. Através dela, chega a silhueta de um homem solitário que se vai exprimindo da melhor maneira que consegue, mas que trava uma luta constante contra os espontâneos gestos lentos e pesados. Sei que me tentas oferecer desenhos. Surgem do nada, precisamente do seio da sombra, moldados pelas tuas mãos. São desenhos feitos de sombra que eu tanto admiro, uma original forma de comunicação.

É uma verdade surpreendente, mas inegável: uma cortina separa quase tão imponentemente quanto um muro. Todos os dias, aproximo-me dela para procurar a verdadeira pessoa que um pano mágico oculta parcialmente. Nem sequer consigo perceber a expressão do teu rosto. Alegria, tristeza ou apenas uma enorme indiferença? Aproximo-me até te sentir do outro lado do pano, mas continuo sem perceber o teu sentimento. As tuas mãos tremem ao tocar a poderosa cortina. Será o despertar da tua imaginação? Sei que devo ser para ti uma sombra também.

A rígida cortina não permite um abraço. Então, eu faço-a deslizar pelo varão, em busca de ti. É nesse momento que sou encadeada pela luz intensa de um projector semelhante aos das películas dos filmes. Já não há sombras, apenas aquela luz. Repito este acto inúmeras vezes, mas percebo agora que o teu espectáculo acontece quando a cortina oculta o palco. Tu és o actor que nunca mostra a sua face, que representa quando os outros se enfiam nos camarins, e sempre para uma solitária audiência: apenas eu, uma autêntica sombra. É como se negasses a própria essência do espectáculo. Para ti, ele é algo íntimo. É como falar com a nossa própria imagem reflectida no espelho.

Gostava que o pano caísse de uma vez por todas e te revelasse. Enquanto isso não acontece, escrevo cartas que passo por baixo da cortina. Vejo que pegas nelas e que, pelo menos, as olhas. Não consigo notar mais nada porque, depois disso, a luz quente que se reflecte atrás de ti fica ainda mais intensa. É como se as minhas palavras a alimentassem. É verdade?

Temo que sejas apenas uma ilusão e que essa luz seja o reflexo da intensidade do complexo sonho que observo todos os dias. É verdade o que penso? Já que pareces vencido pelo silêncio, faz-me gestos, tenta falar através deles. A única coisa de que preciso é um sinal. Um sinal de que não estou a alimentar a minha demência, mas sim uma verdade indiscutível.

Agora que a luz se apagou, vou ficar a ouvir o som dos teus movimentos.
Such a powerful marvel to my ears…

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

História agreste

Ouço risos, perdidos algures num secreto baú da minha memória. Permaneceu fechado, o armário dos meus sapatos. Não andavam por mim, convictos de que nada mais havia para caminhar… Ouço passos leves, quase angélicos. Também eu caminhei sobre a água do rio que chorei… Sozinha, sem ninguém a meu lado para as enxugar ou para fazer deslizar os seus dedos pelo meu cabelo negro. A vida girou como um carrossel, os meus sapatos vermelhos não dançam com a melodia. Invejo a graciosidade da bailarina que tenho na caixinha de música. Esqueço os passos do meu anjo. Encontro os raios de luz que me ofereceste numa tarde de Outono. Os teus cabelos loiros, um olhar claro – quase diamante. Um silêncio que não nos incomodava observava-nos… Sabíamos o que dizíamos naqueles momentos. Arrependes-te do que me confiaste?...

Encontrei o colar de pérolas que segurei nas mãos para lhes dar valor… As aguarelas e o triste carvão dizem-me quem já fui… Uma flor negra, anjo que caiu de uma nuvem esquecida. O meu anjo não me teve nunca nas suas ideias. Pensava, antes, na doce ambrósia e nos jardins de magnólias. Eram mais bonitas, as cores das outras flores, mas ele podia ter segurado os meus ramos…

Pensam que me alegram e trazem-me intenções que em nada me instigam, vasos sem flores, pedaços de alma sem essência… Sei o que é a perfeição e não encontro aqui nenhuma marca dela… A perfeição era minha irmã, mas roubei-lhe a imagem do negativo. A perfeição é tão frágil e altiva, recusa dar a mão a uma irmã…

Fecho-me no armário dos sapatos escarlates e peço-lhes para da imperfeição agreste me tirarem…

Domingo, Dezembro 11, 2005

O labirinto fechado

Tenho, agora, o pior Purgatório, em vida. É tempo de melancolias maiores, daquelas que não se dizem de sorriso nos lábios nem se pintam a aguarela. Dantes, observava o deitar do Sol e sentia o convite das brisas para brincar. Agora, observo as mesmas paredes, sempre iguais, e risco as páginas da vida, confusamente. Escrevo a tinta invisível. As folhas permanecem em branco, tempo que foge de mim e me deixa reclusa.
Quanto aguenta um corpo? Mais que este fraco coração cansado de sentir. Lembro-me dos tempos em que irrompias pela escuridão e espargias luz clara e remidora. Vinha de ti, tinhas luz própria como os astros… Salvavas-me da incompreensão e deste museu da Inquisição em que a minha casa se tornou. Querem que eu seja a escrava que sofre todos os tormentos do mundo e que nada tem direito a dizer. Sabem a tortura por que passo e desprezam ou simples ignorância? Não quero acreditar no narcisismo do que é vil, mas toda esta gente tem os seus tormentos em tronos de ouro. Adoram-nos e querem o reconhecimento de cada ser pensante. Não, o mundo não pode viver cada parte por si.

Apenas tu me podes salvar, mas até a tua presença me falta. Giro mais depressa que este planeta, na esperança de te encontrar. Tenho visto: nestes lugares ninguém conhece a simpatia, mortificam-se, privam-se da alegria. Antes quero morrer a tentar do que a proferir lamentos… Desce até mim como um foragido da morada divina, leva-me contigo e faz-me sentir, para todo o sempre, compreendida.

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Drawing by Nuno Jorge (THE artist!).
Please, click the image to see it in full size.

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

Espelhos turvos

Grito com o que vejo. Uma figura amargada e cansada de acordar para um dia igual ao de ontem. Vivo rodeada de espelhos turvos que apagam o que não quero ver. Uma beleza suja de terra, a minha. Uma graciosidade suja de éter, a tua... Mereces que te traga à Terra?... Que arranque os lírios e procure na terra húmida as pérolas enegrecidas pela profundeza que alcançaram? Tentei esquecer, mas nunca os lírios ocultaram o teu presente... Brilhavam e abriam-se declamando as pérolas.
Não agarro éter, mas sonho acordada com um dia melhor que o de ontem. Sonho com sentimentos cristalinos e uma imagem límpida desta realidade perecida. Uma homenagem aos forasteiros e indigentes que passam por esta rua... Também eu conheço a pobreza neste corpo, os entraves impostos por um castigo que não mereci... Um engano que calhou a mim.
Espero pérolas que me tirem desta pobreza. Concedam a este corpo verdadeiras riquezas! Espero éter que não fuja com os sonhos, que me traga a desejada manhã alva.

Domingo, Dezembro 04, 2005

Dias de Guerra (parte II)

Procuro uma razão, um sentido e um caminho por onde seguir. Desapareceste nos trilhos de nevoeiro, numa imagem bucólica que lembro com saudade. Quando regressaste, trouxeste as glórias profanadas dessas terras vazias de qualidades humanas.
Deste-me a conhecer a luz negra de um amor que vive e mata em nome da obsessão. Transformaste os nossos laços em nós de ira, coroas-me com as ervas daninhas que te nascem no coração… A permissão já conheceu em ti melhores intenções. Não mais conheces as feições daquela doce ventura em que vivíamos. Tentas desenhar-lhe a cara, mas apenas me ocultas com a sombra daquilo que nomeias de amor.
Perdeste o espírito que sente para um trágico quadro bélico. As armas não sabem o nome de quem matam, nem o porquê daquele sangue derramado! Aceitas uma luta sem causa?... Luta antes por mim, acode o choro que me ouves clamar.

Terça-feira, Novembro 29, 2005


A arte de voar

Pégaso leva-te a esse universo que vive de madrugada.
Ai, pecadores e guerreiros lutam com uma força alada.
Vénus beijar-te-ia as mãos que Júpiter te concedeu,
Aquelas que dão asas ao sonho, às causas que Marte conheceu…

Dos Deuses trazes o talento
Que a outros serve de tão poderoso alento.
Trazes Esperança a quem te canta,
Sagrada beleza que nossos espíritos sofridos levanta.

Dedicated to N. J. (GOD BLESS YOUR SOUL!!).

(Phone)

Não sabes o que é falar imenso, a toda a hora, e ninguém responder… Dou palavras ao vazio, escuto o silêncio sob a forma de um sinal telefónico… Sei que não estás ausente, a um canto da sala escutas o telefone… Mas recusas atender o meu pedido de ajuda, receias a magia da minha voz da mesma forma que evitas olhar-me nos olhos quando os nossos caminhos se cruzam. Tens medo deste embaraço de emoções?... Receias a felicidade?....
Só perdemos aquilo a que podemos chamar de nosso, eu sei. Também vivi no medo de passar pela dor de perder. Esqueci a ambição e a coragem. Mas se podemos ter mais, que tenhamos então! Tiremos mais polroids a esta vida, encontremos imagens de cores mais ledas, lugares de beleza inenarrável…
Olho as paredes. Vejo a solidão, ouço os segredos e os gritos que guardam… Até elas me dizem mais que a tua voz sempre calada. Podias parar de me escutar com esse sorriso sintético e dizer algo que me movesse? O silêncio, na sua plena força, preenche-nos mais que as palavras que magoam. Preenche imponentemente. Também eu me calarei, mas sufocada pelo denso pó do teu silêncio…
Como num filme antigo, atende o telefone. Uma estranha quer dizer-te que te ama.

Sábado, Novembro 26, 2005

Razão

Não me vejo nesta nuvem caída. Tornei-me translúcida com as marés e ondas que me fustigam. Consigo ver através da transparência e da sinceridade. Nenhuma palavra foi o que dizia. Nenhum mar me levou a bom porto… Pobre de mim, a simpatia destas pessoas de máscara comove-me… Sentimentos ficcionados tenho-os tido de sobra neste teatro da vida. Não preciso de palavras que se perdem no ar, que chegam a mim, mas não me agarram… Não confio em ninguém, a vida já me desiludiu por demais. Recuso amar, não existe romance do outro lado do sonho. Não aceito o egoísmo, mas apenas acredito em mim… Ninguém tem razão, mas eu procuro-a…
Curioso mundo que nunca sabe elevar-se, por isso, esta nuvem caiu num tormento… Banhamo-nos neste lago. Fustigam-nos as ondas, na esperança de abraçarmos a verdade…

Perdemos a Razão.

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“Now the world was empty on the day they made it
And Heaven needed some place to throw all the shit.
Human hearts and pain should never be separate
They wouldn’t tear themselves apart,
Both trying to fit.
At least the dark don’t hide it…” – Magnolia Electric Co.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005


Dias de guerra (parte I)

Chegou-me às mãos um Ultimato, e dizia que a Guerra não quer ver a Paz ganhar… Morreram todos os homens de força com um desgosto no coração, que as Túlipas que amavam foram pisadas pelos seus cavalos… Mas já venci a batalha: tenho barcos de papel, prontos a navegar. Um exército de raparigas delicadas, com o regaço repleto de Crisântemos para oferecer a cada homem cujo coração a sua beleza destroçar. Já venci esta guerra, tenho no meu sorriso a mais poderosa arma. Com serenidade irei derrotar-te, sem sangue nem ódio.

Canta-me uma canção sobre liberdade. Acende uma luz à minha porta. Tira-me deste castelo e ensina-me a lutar. Ilumina as minhas velas, cada uma por um beijo.
Enterra todas as minhas rosas vermelhas. Elas morreram.
Não rebentam de novo.

O AMOR FEZ DE MIM UM SOLDADO.
A SOLIDÃO ENSINOU-ME COMO LUTAR.

...

“Guns can’t kill
What soldiers can’t see” – The Arcade Fire.



Drawing by Nuno Jorge. (Thank u SO much!)
To see it in full size click the image.

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

“I woke up this morning to an empty sky”

Tanto azul e tanto negro, nas imagens que vejo de olhos fechados. Lá fora, chove. Cá dentro, troveja um coração que já conheceu mais vida. Sou uma alma, apenas isso. Uma alma perdida entre estar aqui ou mais além. Tenho uma vontade, mas estou suspensa entre a dimensão que conheces e uma outra que hás-de conhecer um dia.
Apenas quero o branco. Uma cor que não seja o azul ou o negro. Um dia que não seja chuvoso, uma realidade que não seja em paralelo. Apenas quero o que desprezas: a tua realidade. Não queiras ver a chuva lá fora e senti-la dentro de ti próprio... Agarra o Sol enquanto o vês alto, a brilhar.

Original title by Bruce Springsteen.

Terça-feira, Novembro 15, 2005


Profecias inacabadas do nosso passado (parte II)

Tenho as palavras às avessas e o coração descompassado da música de viver: trouxeram-me para o meu próprio cortejo fúnebre. Sem avisos, nesta amarga tarde de Inverno. Pediram-me silêncio de lábios selados e que mostrasse o luto que sempre ostentei em vida. Calam-me com palavras: “eras cativa da vida”… As minhas mãos podiam ainda mostrar-vos como se quebram amarras e a voz, falar mais alto que o canto dos martelos nos pregos da urna onde me querem deitar. Tomei o peso do mundo inteiro, levei-o ao colo como um tesouro meu, agora atiram-me para o meu leito de morte… Esquecem o bem, a Glória, esquecem que a essência não precisa de ar nem de corpo para viver. Não parto, nunca hei… Fito a árvore e as romãs sobre a minha cabeça, lembro que a realeza é forte.
Não sou Deus, mas não me deixo julgar por réus como eu. Tanto mal que eu fiz… POR AMOR! A malícia de um olhar que ficou em mim… mas não é o meu. Foi uma maldade que ficou presa em mim… Eu sou apenas o espelho do mundo. Sou cruel? Também tu me empurraste quando me tentava erguer… Fria?... Recorda que nunca na vida me mostraste um sorriso.

Limpo o sangue dos lábios. Não bebo mais das vontades deste mundo que julgava ser belo. Afinal, mero chão para perdidos pisarem e chamarem casa. Queimo as cordas com raiva… Sou o Sol. De brilho enegrecido por vontades terrenas, vestido. Sou um anjo de penas roubadas por quem me ensinou a voar; filha desterrada de um mundo que nunca foi o meu…

O Céu chorou por mim, antes do esperado apocalipse. As lágrimas celestes escorriam-me pela face…. A luz apagou-se do firmamento. “O Céu vai cair por tudo o que os Homens fizeram”, sussurrei.

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Pedia-te uma flor, se não morasses tão longe… Mas sei que quando ela me chegasse às mãos já não seria a tempo de lhe respirar qualquer réstia de vida. Seria mero pó e uma cor desbotada e amachucada. Ainda assim, uma intenção, mas não o prefiro… A nossa história conta já com muitas flores, jardins que ficaram desertos em nome de um só amor… Tenho os meus livros repletos de memórias campestres, tão cheios que todas as palavras se escondem por trás destes ramos. No papel, tenho os homens que amei, e dos que não me amaram tenho malmequeres descarnados, com uma pétala só… Nunca tinha coragem para arrancar a pétala que me ditava a minha má sorte. “Malmequer” é uma palavra difícil de dizer perante um amor…

Tenho um cemitério nesta casa. Os homens que me ofereceram flores nunca resistiram durante muito tempo à força das minhas raízesEstes romances trágicos pintaram as paredes da minha casa de negro e as flores proliferam como se vivessem uma Primavera perpétua. Abraçam-me os pés, prendem-me estes amores imperecíveis que se alimentam de beleza defunta.

Tenho comigo os velhos tecidos de cornucópias, mas eles não me aquecem, P. Nem eles, nem a luz da estrela onde moras. Os anjos que me deixaste continuam a olhar por mim… Recordo os tempos em que olhava aquelas crianças aladas com terror… demasiado jovens e puras para morrer. Falavas muito sobre a justiça divina. Onde está a minha?... Talvez também eu seja um anjo nesta Terra suja, à espera que um sino toque para receber as minhas asas.


Pedia-te um beijo, P., se não morasses tão longe… Mas do alto dessa estrela, não alcanças a minha face. Peço-te, então, que nunca deixes de iluminar este jardim. Sem a tua presença, triste. Para sempre, melancolia de Outono numa frondosa Primavera de flores mortas que ainda florescem.

Sábado, Novembro 12, 2005

Mar da Inglaterra

Sinto-me a flutuar na água… Tenho os olhos fechados, mas consigo ver tudo em meu redor, com uma clareza que nunca tinha experimentado antes. Estou coberta de pétalas vermelhas suspensas no ar, flutuando sobre mim e toda a água, não me deixando ver o céu. Tenho um longo vestido branco que dança comigo ao sabor das ondas. Há muito que fiquei paralisada pelo frio intenso da água.
É a primeira vez que não receio o destino. Não sei para onde este ondular me leva, mas não me importo. Acredito que vou chegar a um lugar muito melhor que aquele que deixei para trás. Talvez te encontre flutuando também nestas ondas, P. Perdido no mar como uma vítima de naufrágio. Dentro de um baú fechado, esperas que alguém te descubra. Impacientemente, contas as horas num relógio que o tempo já parou. Cansado pelo tempo já parou… E tu continuas brilhando dentro da caixa de madeira, desejando que ela não quebre. A solidão faz-te apenas brilhar mais e mais, e recear o dia em que essa força, repentinamente, desaparecerá e te fará afundar. És o tesouro que não se pode perder, com demasiado valor para se perder onde ninguém o irá encontrar: no fundo do mar.
Pode ser que há deriva, oscilando lentamente, passes por mim. Então, estender-te-ei a mão, se conseguir, para juntos navegarmos até onde o mar da solidão eterna nos quiser levar. Somos os pobres condenados a viajar na sua água interminável. Mas viajaremos juntos. Teremos sempre o melódico som do silêncio e as nossas vozes sussurrantes para nos acompanhar.
Deixo-me levar no melancólico ondular das ondas e contemplo a paragem do tempo. Perdida no espaço e no tempo, observo o ondular da minha própria melancolia.

WE WILL DROWN FOREVER BLUE IN THIS COLD WATER.

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Profecias inacabadas do nosso passado (parte I)

A beleza do que foi, daquilo que ninguém lembra. Apenas tu recordas, tem-la cativa numa palavra que se quer soltar. Guarda o segredo, cerra os lábios com força. O Céu está a cair, mas não o digas a ninguém. Rodopias em torno dos teus pensamentos: “o Céu vai cair!”… Reúne o que não queres perder, diz o que te falta dizer. Amanhã não acordarás para um novo dia, amanhã será apenas uma memória.

O arrepio e o temor de arder, a vontade de permanecer.
Nos teus olhos, para sempre uma palavra;
Nos gestos, um fogo que ainda lavra.
D evolve ao Céu o altar que lhe furtaste,
Em nome da beleza que violaste.
Não és o senhor deste mundo.
Pediste-lhe demasiada liberdade,
Que o que ele te devolve agora apenas é SAUDADE!


...

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

How much did this girl’s smile move you?

Quanto te moveu o sorriso desta rapariga?... Faltaram as palavras, eu sei, mas ela não as conseguiu dizer. Encerraste-a numa foto a preto e branco que guardas, mas para a qual não olhas. Esqueceste o sorriso dela? Ela não esqueceu o teu... Vive agarrada a ele, como a única crença que possui. Presa no contraste entre o branco e o negro, do amor e da tristeza; ela luta para que a escuridão não a tome. Quem ama, no fundo, quer continuar a amar. Apenas desejava sentir o mesmo do outro lado.
Uma vez, ela disse-te que não via as pessoas como num espelho, que a imagem que via não era a que os seus olhos lhe devolviam. Não a compreendeste, P.
As palavras diziam, na verdade:
“Despe-te das imagens primárias e encara a rapariga que vês cair. Toma-a nos braços. Se quiseres, se puderes. Experimenta o calor do Sol deste jardim de Inverno. Aqui tudo parou no tempo. O que vês não está gelado, são apenas cristais que fiz das minhas lágrimas. Não são frias, P: elas ardem-me na face. Dói-me saber que o que vês, não o é; e que o que viveste, não recordas. É por isso que não conto mais as horas e que me esqueci do meu nome. Espero uma permissão e uma identidade.
Foste a morte de um sorriso. O meu sorriso.”

Quanto te moveu esse sorriso, P.?...

Domingo, Novembro 06, 2005


Le Musée des Horreurs

Sábado, 16 de Dezembro de 2001.

Estranho lugar, esse de que me falaste. Despertaste-me a curiosidade, tive de o visitar.
À entrada não tinha nenhuma placa ou aviso, apenas uma porta entreaberta que convidaria qualquer um a entrar. No interior, facilmente percebi tratar-se de um museu, mas muito estranho. É um sítio onde os nossos medos estão expostos como se de obras de arte se tratasse. As personagens dos pesadelos, as palavras que ficaram por dizer, as perturbadoras imagens que ficam gravadas na memória... Uma espécie de viagem pelos nossos tormentos. Vi com os meus olhos uma sala repleta de aberrações em pedestais, como se fossem deuses. Vi um vulto, esse vulto era parte de ti. Uma parte desconhecida e surpreendente. Afinal, também tens um lado obscuro. Encontrei igualmente o meu. Assustei-me e fugi. Rapidamente, encontrei a luz do exterior e saí, fechando a porta com força. Como senti que não consegui perceber quais os meus medos são, tentei uma nova visita, mas a porta não mais abriu. Certas coisas não acontecem mais. Não devia ter desperdiçado a minha oportunidade para enfrentar os medos. Nessa acção pode estar a solução para eles.
Estranho lugar… Museu dos Horrores, deve ser o nome. Poderia ter sido muito útil. Confesso que, por vezes, nem sei bem o que temo...

Título original de Brigitte Fontaine.
Pintura de Edward Munich, "O Grito". (Thank you Carolina!)

Terça-feira, Novembro 01, 2005

Red

Na imensidão do escuro, surge uma rosa vermelha que, subitamente, acaba em chamas. Não esqueço esta imagem que fez da minha quietude, uma agitação maior; do medo, revolta. O amor, como certeza inabalável, estremeceu. Aquele sentimento acabou ali para ele, com a rosa que lhe ardia na brandura celeste dos seus olhos? Uma lágrima deu-se a conhecer. Veio por ele, cai por ele… O amor está-me no coração, nas veias como um mal do corpo. Combatê-lo é também destruir quem o comporta. A raiva era demasiado densa, mas será que ele queria mesmo queimar a rosa e, com ela, todo o amor?... Não olhei para as mãos trémulas, pois a razão para viver era a mesma que tinha para morrer: amava-o. Continuei a fitar a rosa e o fogo que lhe evaporava a seiva, desejando que aquele fosse o fim. O FIM para o que me magoava e para a palavra que me sufocava: amor. Mas a rosa ainda arde, como se a vida brotasse de dentro de si. Espero o dia em que ela vai estar, por fim, vazia.

P.: escrevo isto porque ainda sei o teu nome.

Domingo, Outubro 30, 2005

Naufrágio

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2001.
15:00, aula de Francês.

Espero que naufragues a meio do teu caminho. Espero que chegues onde sempre quiseste e lá fiques para sempre. Só este naufrágio te pode salvar, salvar-te do mar de amargura onde navegas há demasiado tempo. Quando chegares à paz que te prometeram, pensa naquilo que fizeste e nas palavras que deixaste por dizer. Pensa também naquilo que disseste e não foi compreendido. Não o faças para lembrar o passado, isso sempre traz as más memórias e elas possuem-nos de tal maneira que não nos deixam ver a luz que nelas próprias existe. Pensa apenas que essas coisas não vão mais acontecer. Não precisarás de dizer uma única palavra, falarás com os teus pensamentos. Bem-vindo ao Paraíso, não tenhas medo de naufragar.

Dedicado aos barcos que agora naufragam por não conhecerem nenhum porto seguro.

Sexta-feira, Outubro 28, 2005



Butterflies

As borboletas parecem procurar-me para, só então, morrerem. Encontro-as nos cantos da minha casa, encontro-as no jardim… Parecem querer entregar-me as suas asas cansadas, para que eu volte a voar. Querem levar-me mais além, a um lugar onde os movimentos acompanham o voo dos meus pensamentos. Não me querem neste sítio estático, onde as minhas ideias não têm espaço para abrir os braços ao mundo.
Aprecio a beleza e a delicadeza das borboletas, as cores que têm nas asas e que as fazem voar. Comove-me a generosidade que mostram para com a minha falta de liberdade. Procuram-me, sobretudo, borboletas laranja, para me trazer o Sol e essa luz que não vejo há demasiado tempo. Acho até que já a esqueci…
Talvez um dia as asas sejam suficientemente grandes para me levantar. Talvez, um dia, as borboletas não precisem mais de deixar as asas a meus pés…

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Flowers...


Ocorreu-me que as flores que partem são tudo o que o silêncio não diz. Morrem por amor. Por palavas que não se conseguem dizer. Têm um pouco da alma e da vida de alguém. Têm nas pétalas que caiem, as suas lágrimas doces ou amargas... Tenho o costume de guardar as flores que recebo, dentro de livros. Recuso desfazer-me delas. Acredito que o sentimento permanece, independentemente de tudo. Todo o amor é pouco, cada pétala esconde um tesouro demasiado valioso para se perder... Escondem em si os segredos de quem as deu. As palavras que as acompanharam, o silêncio que depois pairou sobre nós. Podem ser um último presente, um 'até sempre'. Trazem consigo a voz de quem não mais pode falar... Estranho, aparentemente sem significado relevante, mas, na verdade com tanto por contar...

Quando foi a última vez que ofereceram flores?

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Everything lost can be found

E houve um dia em que tudo parou. Olharam a chuva como a redenção, como o renascer das suas vidas. Antes, tudo havia sido cinzas, morte... Dantes, acordavamos para um mundo em sucessiva destruição: um mundo de fogo, onde a única luz era a das chamas que consumiam o pouco que restava. Uma luz maior surgiu, então. Uma chuva desceu para molhar o chão deserto. O arco-íris surgiu. Senti o arrepio da Esperança. É tempo de viver. Sacode as cinzas, apaga o fogo que ainda arde nos teus olhos. Pega nas tuas armas e luta a meu lado.

Sorri! Chove sobre as cinzas!...


Quais as cinzas que ressuscitariam nas vossas vidas? Qual o vosso pedaço perdido que lembram com mais saudade?...

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Dark Side of the Moon



A alma precisa de um corpo. Por mais que custe aceitar, o mundo é feito de actos, não de intenções. Falar com o pensamento, é impossivel à condição humana. Fica muito por dizer, perdido por entre este silêncio gritante. Fica muito por fazer e ver. As palavras sufocam, os pensamentos enlouquecem. Tudo o que não é materializado, perde-se e desaparece no ar. Fica o vazio, a frustração que consome... E se um dia acordassem para um mundo sem luz, som e movimento? Isto é sobre um labirinto parado. É sobre querer e não puder. Estar amordaçado, preso a um corpo. Falo sobre cair e não compreender. Porque há corpos que precisam de alma... E de acordar. A vida tem um lado com menos brilho. E que precisa de ser amado. Como a Lua.