Glória.
Ser tanto e, no fim, nada ser. Meu Deus, guardar a relíquia de valor mais terno nos confins do Inferno!... Quedou tudo, eu sei, quedou tudo… Na minha voz, trago apenas um grito mudo, pedindo o desterro da alma para o lugar onde toda a dor acalma. Fim do mundo, lá bem no fundo, com um sorriso triste e a lembrança que ainda persiste. Estranho, tão velhas que me parecem as memórias dos tempos em que chamava os meus feitos de “glórias”. Cruel desilusão quando eu procurava que o meu nome fosse digno de juntar ao da Perfeição. Quedou tudo, eu sei, nas palmas das minhas mãos o tempo traçou o caminho que mo diz. O tempo parou para um solene lamento de todo o seu sofrimento, e numa hora vaga assim me desenhou: irremediavelmente infeliz.
Pudesse eu subir a uma imponente árvore e contemplar, bem de perto, lá no seu alto, o Céu. Sei as preciosidades que beberam as minhas raízes, mas, no infortúnio, sinto-me como qualquer culpado réu. Ah, meu destino, pudesse eu voar com um fulgor fino, em volta daqueles que me sorriem com amor. “Dama-Borboleta”, seria; de sonhador olhar, aspirando os desígnios do Alto, sem qualquer receio de quedar, pois como aquela árvore eu ergueria a minha fé e, alegremente, morreria de pé.
“God, put down Your gun, can’t You see we’re dead?...” – Tilly & The Wall.
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Desenho de Pedro Mendes (a Arte e o seu valor agradece-se sempre – Muito obrigada!).
1 Comments:
"Ser tanto e, no fim, nada ser."
E sem duvida o que mais me assusta na vida. O desaparecer e nada ser, o incerto, o nada...
Ser esquecida...
Adoro-te Princesa
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